sábado, 03 outubro 2026

FMI defende recursos de voos internacionais para melhorar ligações em Cabo Verde

“A companhia aérea nacional utiliza recursos que poderiam ser mais úteis para melhorar as ligações entre ilhas - um estrangulamento ao crescimento”, referiu o fundo, no documento publicado na terça-feira, consultado esta quarta-feira pela Lusa.

A entrada de uma companhia aérea internacional de baixo custo no mercado de Cabo Verde “pode proporcionar uma boa concorrência nos voos internacionais” e, “por sua vez, oferecer uma oportunidade para reconsiderar a melhor utilização das finanças públicas para suportar a conectividade”, indicou.

O documento fez alusão à entrada da EasyJet, desde outubro, com voos entre a ilha do Sal e Lisboa.

No entanto, “as autoridades estão cautelosas em se tornarem demasiado dependentes de companhias de baixo custo”, lê-se no relatório e na carta do Governo, anexada ao documento.

O FMI faz uma distinção entre a operação doméstica da Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) e os voos internacionais.

Enquanto a operação entre ilhas “atinge o ponto de equilíbrio sem sobrecarregar o orçamento”, a área das rotas internacionais, “continua a não ser rentável” e representa um risco para o Estado.

“Os desafios na redução das perdas das empresas estatais, especialmente no setor dos transportes, agravam os riscos para as contas fiscais: a companhia aérea estatal falhou pagamentos de empréstimos bancários, aumentando o crédito malparado” e “alguns destes ‘maus’ empréstimos também contam com garantia governamental”, apontou.

Num memorando dirigido ao FMI, o Governo reconhece as dificuldades e promete "desenvolver uma estratégia clara para o transporte interilhas e também para a TACV, colocando-a numa situação financeira sólida até 2026".

A importância de haver melhores ligações internas é referida noutra análise feita no mesmo relatório, em que o fundo mostrou uma recuperação desigual do turismo em Cabo Verde: só as duas ilhas mais turísticas (Sal e Boa Vista) recuperaram o número de visitantes anuais pré-pandemia, enquanto as restantes permanecem abaixo.

“Melhorar a conectividade entre ilhas é essencial para aumentar ainda mais o impacto do turismo no crescimento”, concluiu.

O apelo à melhoria das ligações interilhas tem sido feito por outras entidades, como o Grupo de Apoio Orçamental, que junta doadores internacionais, o banco central e empresários.

"O Estado tem uma responsabilidade crucial: investir seriamente numa companhia doméstica para resolver os problemas de transportes e esquecer definitivamente a questão dos voos internacionais", disse Marcos Rodrigues, presidente da Câmara de Comércio do Sotavento de Cabo Verde, em entrevista à Lusa, no último ano.

O relatório publicado pelo FMI detalha as mais recentes avaliações aos dois programas a decorrer em Cabo Verde e que, em novembro, mereceram “luz verde” para novos desembolsos.

No caso, tratou-se da quinta (e penúltima) avaliação da Linha de Crédito Ampliada (ECF) permitindo o desembolso de aproximadamente 5,88 milhões de dólares (5,59 milhões de euros) e a segunda avaliação do Financiamento para a Resiliência e Sustentabilidade (RSF), equivalendo à transferência de cerca de 3,44 milhões de dólares (3,27 milhões de euros).

 

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
26 dias atrás 12 horas atrás

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jcf
28 dias atrás 4 horas atrás

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joão do rosário
30 dias atrás 10 horas atrás

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