Num post que acaba de publicar na sua página de Facebook, Ulisses Correia e Silva, ex-Primeiro-ministro e líder do MpD, alerta para o perigo da implantação do extremismo em Cabo Verde, apontando o caso do candidato presidencial Gilson Alves e as milícias digitais que atacam pessoas e instituições da República, divulgando Fake News.
Correia e Silva adverte que aceitar com indiferença que «um determinado candidato a um órgão de soberania como o Presidente da República se apresente como inspirado no fascismo, assumindo-se como autoritário e defensor da pena de morte», é abrir as portas para que outros mais credíveis na sua postura política usem argumentos e fundamentos extremistas para se candidatarem a qualquer órgão de soberania, inclusive criarem partidos políticos extremistas.
«O que está a acontecer em Cabo Verde não é apenas o caso do candidato Gilson Alves e a forma condenável como ele se portou no debate (27 de outubro) para as eleições presidenciais. Existe um conjunto de condimentos que estão a tornar o terreno fértil para o extremismo e que não deveriam estar presentes num debate de candidatos ao mais alto cargo da nação. Quando é assim, não se admire que a semente germine e comece a produzir frutos. Estamos no mau caminho», alerta.
Correia e Silva adverte que aceitar com indiferença que «um determinado candidato a um órgão de soberania como o Presidente da República se apresente como inspirado no fascismo, assumindo-se como autoritário e defensor da pena de morte», é abrir as portas para que outros mais credíveis na sua postura política usem argumentos e fundamentos extremistas para se candidatarem a qualquer órgão de soberania, inclusive criarem partidos políticos extremistas. Segundo defende, quem permite o «mais», vai permitir o “um bocadinho menos”.
Conforme analisa, o problema perante estes fertilizantes não é apenas de ordem legal e constitucional (que deve ser aplicada, caso aplicável), é de normalização social. «Achar que a política é assim, que tudo faz parte do jogo e que do outro lado está na bancada a assistir impávido, sereno e indiferente, o cidadão, que curiosamente é a razão de ser e o destinatário da política», critica.
Extremismo não cai do céu
Para Ulisses Correia e Silva, o extremismo não cai do céu. «Para germinar uma semente, é preciso terra e água, mas também oxigênio e temperatura adequada - condições favoráveis que fazem germinar a semente. Condições favoráveis fazem também despontar o extremismo na política.O extremismo não nasce de repente, não é de geração expontânea. Germina quando a mentira, a intimidação e o desprezo pelas instituições são tolerados e normalizados», adverte.
No post referido, fundamenta que o que se tem verificado em Cabo Verde com o uso das redes sociais por parte de milícias digitais pagos para difamar, espalhar fake news e ameaçar pessoas com responsabilidades políticas no país de forma impune, normaliza um determinado comportamento que vai criando condições e terreno fértil para o extremismo político.
«Ataques a instituições como a justiça com o uso de manifestações e outros expedientes para condicionar a sua ação, o desprezo pelo primado da lei de forma impune e a falta total de pudor institucional, normalizam comportamentos fertilizantes para o extremismo político», conclui o antigo chefe do governo de Cabo Verde no post que vimos citando.

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