Em meus relacionamentos privados, certas pessoas, por seu modo de estar na vida, são-me desagradáveis, então, afasto-me delas. Politicamente, todavia, se pessoas distintas e até opositivas de mim não existissem, eu e os que pensam igual a mim seríamos hegemonia.
O discurso da igualdade de oportunidades constitui-se em consenso nacional. É uma ideia valorizada. Reconhecê-mo-la, entretanto, enquanto ideia “em tese”. Em termos de igualdade, os brasileiros não vamos além das falas.
Das boas intenções vai o inferno cheio, já diz o adágio popular. O povo, senhor do poder emanado, do poder arrebatado, da democracia prometida à oligarquia comprometida no presente tempo, e das ameaças do cataclismo climatérico, povoa um Cabo verde que padece e onde a nação emagrece.
A democracia e seus componentes variáveis de forma ascendente, está estagnada no processo de representatividade condicionada para favorecer apenas uma classe elitista alegadamente corrupta, aqueles tendenciosos e astutos que se acham no dever de autopromoverem-se em pequena burguesia reacionária. Também, muito rapidamente, elevam-se alavancados nos bens públicos, pertença de todos, onde o nosso merecimento serve para deleite dos oligarcas. Uma afronta de combate eminente.
Em mais a um 15 de novembro, que o calendário repisa teimosa e legitimamente, nos meais-confins de novembro de cada ano, a primazia escolta ao dia da criação do Corpo de Polícia de Cabo Verde (longe de discutir a origem e o mérito da data). Data esta que teima repisar com a da criação da Polícia Nacional através do Decreto-legislativo nº 6/2005, de 14 de novembro, que entrou em vigor um dia após a sua publicação, isto é, a 15 de novembro – este e nosso dia -, queiramos ou não.
Ergo-me do chão, agora, defronte da minha história. Limpo-me da poeira e vou ao orbe. Tudo o que de torpe desaparece, diante da iminência de redenção. Tenho o bastão de probidade dos meus caríssimos heróis. E mais: conto com a bênção dos outros excelsos maiorais do meu ofício. Irrompe-se das trevas a mirífica partícula de Deus, com a áurea proporção brotando dele. Tudo exala bem a meu contendo. Estabelece o Ser do alto a holística visão na minha indústria. Depois, abona-me de espirituosa ligação entre Cutelo de Eutimia e Milho Pula, Ribeira de Candura e Achada Equestre, Enseada de Horizonte e a vizinha Ilha do Quinto Mês. Esta, enquanto caçula da minha estima e de toda enternecida contemplação, acaba sendo assaz bonita e mimoseada. A Serra de Picante, a verdejante e mítica Ribeira de Tabugal, em Santa de Novembro, o alto de Rui Vaz e as portentosas lamparinas de enlevado Monte Tchota das minhas fúteis e inesquecíveis noites de vacuidade.
Sobre a análise da questão da educação e da qualidade de ensino no contexto das politicas educativas. Desde 1980 que o autor vem se ocupando em pesquisar a educação como politica pública, principalmente (vias não só) programas e projetos destinadas a educação infantil e ao ensino fundamental, tendo sempre por ponto de alavancagem a questão crucial da necessidade de elevação dos padrões de escolarização.
O Estado cabo-verdiano exclui o dever de cumprir o seu papel. Os tidos representantes, os governantes junto dos governados outrossim, não asseguram os direitos constitucionais jurados, achados fundamentais enquanto pressuposto para melhor compreensão e direcional em benefício da cidadania numa retrospetiva histórica aos anos de 1789.
Hoje, 30 anos depois, volvidos os céus e por vezes vivendo a gigantesca turbulência sazonal, tenho o ensejo de amanhar a então promessa de reabraçar o meu Cutelo de Eutimia, caminhando amenamente na majestosa Ribeira de Candura, para voltar a banhar-me na praia de eleição de “Casa Bedja”, na zona de Veneza ou Planície de Ramboia e Passa Sabe, como também lhe chamo nos meus ofícios.
Estamos há mais de trinta anos num percurso de desenvolvimento onde é fácil, por um lado, reconhecer aspetos positivos, e por outro, aspetos menos bons e para os quais as soluções começam a escassear.
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