Um estudo sobre temperatura e saúde pública em Cabo Verde indica que ondas de calor noturnas representam o maior perigo para a saúde pública no arquipélago, com maior relevância nas doenças respiratórias, dermatológicas e crónicas.
Segundo a inforpress que cita a investigadora epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Giseila Garcia, do estudo inédito, ao contrário da perceção pública de que o maior risco ocorre durante a exposição solar diurna, as ondas de calor em Cabo Verde registam uma maior prevalência no período noturno.
Quanto ao impacto para a saúde, a investigadora epidemiologista avançou que o calor excessivo afeta transversalmente a saúde da população, pelo que se regista um impacto principal nas doenças respiratórias, além de agravar doenças dermatológicas e patologias crónicas.
Com este estudo, sublinhou, Cabo Verde conseguiu, pela primeira vez, definir os seus próprios parâmetros específicos para determinar e classificar o que constitui uma onda de calor elevada no contexto do país.
Face a estes estudos, a mitigação dos efeitos das alterações climáticas na saúde, as autoridades estão a desenhar um sistema de alerta precoce assente em duas frentes: sensores térmicos na Brava, publicação oficial dos dados e articulação interinstitucional.
No âmbito da vertente prospectiva do estudo, estão a ser instalados sensores térmicos na ilha Brava para recolha contínua de dados meteorológicos e de saúde a longo prazo.
Segundo a mesma fonte, o próximo passo será a publicação oficial dos dados de ondas de calor definidos para o país em Boletim Oficial.
O estudo é fruto de uma parceria entre o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) e o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) e financiado pela Cooperação Luxemburguesa.
O estudo preparado em 2024 e implementado a partir de Janeiro de 2025, analisou seis municípios do país, São Vicente, Sal, Praia, Ribeira Brava, Fogo e Brava.

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