quinta-feira, 05 novembro 2026

PR defende autonomia das organizações da sociedade civil e alerta contra "instrumentalização política"

“Há algum acanhamento, alguma timidez na assunção de determinadas posturas críticas, particularmente em relação ao poder, porque as pessoas têm medo das consequências que poderão sofrer”, afirmou o chefe de Estado, defendendo a necessidade de “desestatizar” a sociedade civil e reduzir ao mínimo os custos da participação política.

Ao intervir na abertura do primeiro Encontro Nacional das Organizações da Sociedade Civil, que decorre de 06 a 08 de Abril sob o lema “A força da sociedade civil na construção do desenvolvimento”, o chefe de Estado sublinhou que as ONG não podem ser transformadas em “instrumentos de interesses políticos ou conveniências tácticas”.

Para José Maria Neves citado pela Inforpress, a credibilidade das organizações da sociedade civil depende de uma “distância saudável” face à luta partidária e de uma fidelidade rigorosa ao interesse público, às comunidades e as causas que justificam a sua existência.

Nesse sentido, defendeu o reforço das ONG, empresas, sindicatos e igrejas para a criação de espaços de inclusão e de debate.

O mais alto magistrado da nação considerou fundamental a união das organizações através de uma plataforma única, sublinhando que um plano estratégico comum permitirá consolidar a democracia e influenciar políticas públicas mais consistentes para a resolução dos problemas dos cabo-verdianos.

“Devemos evitar confusões e fazer tudo para afirmar a autonomia da sociedade civil enquanto entidade autónoma capaz de influenciar politicamente os poderes constituídos”, precisou, conforme ainda a Inforpress, o Presidente, reforçando que o papel dos partidos não se deve confundir com o das ONG.

Questionado pelos jornalistas, à margem da cerimónia, sobre o papel da sociedade civil na consolidação da democracia em Cabo Verde, José Maria Neves apontou que ainda há um “longo caminho a percorrer”, lamentando o elevado custo da participação cívica no país.

“Há algum acanhamento, alguma timidez na assunção de determinadas posturas críticas, particularmente em relação ao poder, porque as pessoas têm medo das consequências que poderão sofrer”, afirmou o chefe de Estado, defendendo a necessidade de “desestatizar” a sociedade civil e reduzir ao mínimo os custos da participação política.

Para o Presidente da República, uma plataforma forte é também uma garantia de maior coerência na definição de prioridades, de maior capacidade de influenciar na formulação das políticas e de maior sustentabilidade na captação de recursos e na construção de alianças.

O encontro nacional, que reúne diversos actores sociais na capital, é uma iniciativa da Plataforma das ONG (organizações não-governamentais), em parceria com as Nações Unidas, através do programa PRO-PALOP.Visa definir prioridades estratégicas e fortalecer a capacidade de influência e sustentabilidade das associações e organizações não-governamentais em Cabo Verde, refere a fonte deste jornal.

 

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Comentários

COM_RSCOMMENTS_ANONYMOUS
2 dias atrás 22 horas atrás

Bom dia, que esta semana seja abençuada e repleta de luz.

Lu
2 dias atrás 23 horas atrás

Mais uma vez

joão do rosário
COM_RSCOMMENTS_NUMBER_OF_MONTHS

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