quarta-feira, 28 outubro 2026

Associação apela à “serenidade” no conflito entre agricultores e macacos em Santiago e Brava

Segundo a associação, observações realizadas nos últimos cinco anos em Santiago indicam “um declínio” da população de macacos em estado selvagem, provocado por fome, falta de água, caça ilegal e capturas.Os estudos mostraram ainda que “incursões nas áreas agrícolas são frequentemente sazonais”, ocorrendo com maior intensidade durante os períodos de gestação das fémeas, quando necessitam de maior disponibilidade de recursos.

 

Em comunicado enviado à Inforpress, a associação expressou preocupação com o risco de retaliação contra os animais, na sequência de denúncias de agricultores sobre prejuízos nas culturas, e mostrou-se, entretanto, contra medidas letais.

A organização reconheceu que as perdas de colheitas constituem um problema sério, mas salientou que os macacos também “são vítimas” da redução do habitat natural, da expansão agrícola e urbana, e das alterações climáticas, factores que, atestam, os levam a aproximar-se das zonas habitadas em busca de alimento e água.

Segundo a associação, observações realizadas nos últimos cinco anos em Santiago indicam “um declínio” da população de macacos em estado selvagem, provocado por fome, falta de água, caça ilegal e capturas.

Os estudos mostraram ainda que “incursões nas áreas agrícolas são frequentemente sazonais”, ocorrendo com maior intensidade durante os períodos de gestação das fémeas, quando necessitam de maior disponibilidade de recursos.

Para gerir o conflito, a associação informou que tem implementado segmentos ecológicos, onde alimentos e água são colocados em pontos estratégicos, por forma a permitir o monitoramento do tráfego dos macacos por câmaras durante 15 dias, com o objectivo de avaliar os grupos e impedir que invadam zonas agrícolas.

Um dos planos futuros da organização é criar um santuário dedicado exclusivamente aos macacos, acreditando que, com esta medida, os animais deixarão de ir às plantações.

O comunicado também alertou para o abate ilegal de macacos, que tem contribuído para o declínio da população.

A gestão de conflitos, no entender da associação, deve basear-se em análise científica, avaliação de danos e identificação dos grupos envolvidos, propondo medidas como dispositivos de prevenção, protecção das áreas agrícolas, sistemas de alerta precoce, técnicas de dissuasão não letais, compensações e translocação quando necessário.

A mesma fonte recomendou igualmente às autoridades nacionais a elaboração de uma estratégia e de um plano de acção para a gestão dos conflitos entre humanos e fauna selvagem, baseados em dados científicos sobre o contexto nacional.

O comunicado sublinha ainda que os macacos estão presentes em Cabo Verde há cerca de 500 anos, fazendo parte do “património natural” e da” biodiversidade do país”, e que sua presença pode ser uma oportunidade para o desenvolvimento do ecoturismo nas ilhas de Santiago e Brava.

Conforme ainda a Inforpress, a associação, sem fim lucrativo e criada em 2021, reiterou a disponibilidade para colaborar com autoridades e entidades na procura de soluções sustentáveis para o problema.

 

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Comentários

joão do rosário
20 dias atrás

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jcf
22 dias atrás

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joão do rosário
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