domingo, 14 julho 2024

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ENTREVISTA: Poeta José Luiz Tavares critica “descaso” de Cabo Verde para com a literatura

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O poeta cabo-verdiano José Luiz Tavares, distinguido em vários países e que hoje lança nova obra na Praia, ao celebrar 20 anos de carreira, criticou o “descaso” e “abandono” das autoridades de Cabo Verde em relação à literatura.

Em entrevista à agência Lusa, na cidade da Praia, o autor premiado enaltece a aceitação da sua obra em Portugal e noutros países, mas torce o nariz quando o assunto é o seu país de origem, onde os seus livros circulam muito pouco, classificando o mercado como exíguo, a juntar ao “descaso” das autoridades em relação ao setor.

Deu como exemplo o facto de ser ele próprio a trazer os seus livros para Cabo Verde, organizar os lançamentos, regressar ao país onde reside (Portugal) “e depois ficar um vácuo”.

Não se trata apenas do seu caso pessoal, referiu, insistindo que “o livro em Cabo Verde tem sido votado ao abandono desde há muito tempo”.

Tavares notou que, nos últimos sete anos, com o atual ministro da Cultura, Abraão Vicente, houve editais com apoios “para tudo e mais alguma coisa”, mas nunca houve “um único edital" para o livro, escasseando os prémios literários e páginas culturais nos jornais.

“Cabo Verde deve ser o único país do mundo que não tem uma única revista de cultura, nem fora da área dos poderes constituídos, nem na universidade, nem ao nível do ministério. Portanto, o livro está, como sempre esteve, votado a um completo abandono”, referiu na entrevista à Lusa.

O poeta considera que, como reflexo, a literatura também não está em melhor estado.

“Num relance, nos últimos anos", diz que não se vislumbra "nenhum nome relevante na literatura cabo-verdiana, nem na prosa, nem na poesia, nem na dramaturgia, se compararmos com os outros países africanos de expressão portuguesa, como Angola ou Moçambique”, afirmou o autor, natural do Tarrafal de Santiago.

Considerou que Cabo Verde tem atualmente “um grande défice de autores relevantes”, apesar de, praticamente todos os dias, haver notícias de lançamentos de “livros e mais livros”.

“Portanto, um autêntico crime ambiental, porque são obras que não merecem chegar às mãos dos leitores, nem às livrarias”, disse, lamentando a falta de crítica literária no país para “distinguir a porcaria do que realmente vale a pena”.

Na última semana, José Luiz Tavares lançou a antologia “Como um Segredo na Boca do Universo – Obra Completa Mente Inacabada”, de cerca de 1.500 páginas e que reúne 20 anos de poesia, reservando para hoje a apresentação de “Perder o Pio a Emendar a Morte”, na Praia.

Apesar do título falar da morte, o autor esclareceu que se trata de uma obra que foi escrita durante o primeiro confinamento provocado pela pandemia de covid-19, em Portugal e que celebra a vida.

A morte física esteve "mais próxima do horizonte", naquela altura, referiu.

"Mas é nesses momentos que nós verdadeiramente sentimos a vida, porque o horizonte do fim está muito próximo”, descreveu.

Depois de 20 anos de publicações, José Luiz Tavares prometeu mais obras, anunciando “um grande projeto”, que será editado em 2025, nos 50 anos da independência de Cabo Verde.

Antes, no próximo ano, prevê publicar uma recolha de todos os escritos poéticos em língua cabo-verdiana, bem como um libreto de uma opereta juvenil.

José Luiz Tavares já foi distinguido pela Fundação Calouste Gulbenkian (2004), Associação de Escritores Cabo-Verdianos (2006), Ministério da Cultura de Cabo Verde (2009) e venceu o Prémio Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM)/Vasco Graça Moura em 2018, entre outras distinções em diferentes países, tendo já integrado também o júri do prémio Camões.

Os seus livros integram os planos nacionais de leitura de Portugal e de Cabo Verde, está traduzido em 12 línguas e traduziu Camões para a língua cabo-verdiana, o crioulo.

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