domingo, 04 outubro 2026

Moçambique/Ataques: Justiça francesa investiga responsabilidades da TotalEnergies

Em causa está uma queixa apresentada por sobreviventes e familiares das vítimas do ataque em Palma, Moçambique, em março de 2021 informou o Ministério Público de Nanterre, perto de Paris.

A petrolífera francesa, que lidera o projeto de exploração de gás natural no norte de Moçambique, é suspeita de uma série de atos de negligência.

O Ministério Público de Nanterre disse à AFP que vai investigar o caso para determinar "se deve ser prosseguido, encerrado ou investigado".

"Trata-se de um passo positivo e estamos satisfeitos por o Ministério Público francês ter reagido rapidamente, tomando em consideração os nossos pedidos", declarou à AFP Nicholas Alexander, um queixoso sul-africano que sobreviveu ao ataque, denunciando a "quota-parte de responsabilidade" do gigante petrolífero no caso.

"Congratulamo-nos com a decisão do Ministério Público em França", disse à AFP Anabela Lemos, ativista da organização Amigos da Terra, em Moçambique.

Segundo a ativista, "os impactos negativos e o comportamento imprudente da Total em Moçambique vão muito além daqueles dias de março de 2021", esperando assim que a abertura desta investigação "marque um primeiro passo positivo para responsabilizar a empresa pela morte e destruição causadas".

Contactado pela AFP no sábado, um porta-voz da TotalEnergies recordou a posição da empresa sobre esta matéria, já tornada pública em outubro de 2023, quando a queixa foi apresentada.

Na ocasião, a empresa fez questão de "rejeitar firmemente estas acusações" e de "recordar a ajuda de emergência que as equipas da Mozambique LNG" (subsidiária da Total no país) "prestaram e os meios que mobilizaram para permitir a retirada de mais de 2.500 pessoas" do centro de exploração de Afungi, a cerca de dez quilómetros do centro de Palma.

O atentado de Palma, reivindicado por um ramo africano do Estado Islâmico (EI), teve início em 24 de março de 2021, durou vários dias e, até à data, causou um número desconhecido de vítimas entre a população local e os subcontratantes da TotalEnergies.

Na ocasião, a Total liderava o megaprojeto de exploração de um enorme depósito de gás natural na península de Afungi.

O ataque levou à suspensão do projeto, que representa um investimento total de 20 mil milhões de dólares (18 milhões de euros).

O presidente do grupo, Patrick Pouyanné, havia referido que esperava relançar o projeto antes do final de 2023, algo que não sucedeu.

A Semana com Lusa 

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Comentários

joão do rosário
28 dias atrás 4 horas atrás

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29 dias atrás 21 horas atrás

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joão do rosário
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