"Sou muito bom no mata-mata", exclamou Lula da Silva em reação à derrota na primeira volta das eleições presidenciais no Brasil. O chefe de Estado apressou-se a transmitir confiança no final de uma noite com resultado contrário às principais sondagens que o colocavam à frente do seu maior rival Flávio Bolsonaro, senador do Partido Liberal (PL) e filho do ex-presidente Jair, o antecessor.
O recado ficou dado e o Partido dos Trabalhadores (PT), de que Lula foi um dos fundadores com o país ainda sob ditadura militar, começou a redefinir estratégias para recuperar terreno.
A tarefa afigura-se, no entanto, espinhosa, tanto mais que, desde a redemocratização na segunda metade da década de 1980, os candidatos saídos vencedores do primeiro turno nunca deixaram de conquistar a presidência.
Ao peso histórico junta-se a conjuntura política: em 2022, Lula tentava regressar ao poder após mais de uma década de ausência e tinha uma narrativa mais fácil de desenrolar, podendo posicionar-se como uma alternativa a Jair Bolsonaro e capitalizar a vontade de mudança.
Há também que ter em conta o bolso do eleitorado, que está a sentir a pressão das flutuações de preços. Apesar de a inflação registar uma desaceleração, um estudo de setembro, feito pela Quaest e citado pelo jornal O Globo, mostra que mais de metade dos brasileiros ainda tem uma perceção oposta, com 66% dos inquiridos a afirmarem que os seus rendimentos estagnaram ou subiram tanto quanto o custo de vida.
Com uma base de apoio composta maioritariamente por classes populares de baixo poder de compra, Lula da Silva sofreu um forte desgaste eleitoral. Mesmo assim, de acordo com uma sondagem do Datafolha divulgada na última quinta-feira, o candidato do PT tem uma taxa de rejeição que supera a de Flávio Bolsonaro em apenas 2% (46% contra 44%).
Ou seja, se Lula paga a fatura da governação, Flávio carrega o legado do pai e as resistências associadas a uma presidência que contribuiu para criar o Brasil mais crispado das últimas décadas, o que significa que não é só o incumbente a ter dificuldades em alargar eleitorado.
As sondagens publicadas depois de 4 de outubro, com a segunda volta já em perspetiva, começaram por dar uma vantagem de 4 a 6% ao candidato de direita, mas a margem tem vindo a estreitar-se nas duas últimas semanas. No mais recente levantamento da PoderData/Aya, dado a conhecer na passada sexta-feira, os dois surgem numa situação de empate total, cada um com 50%. E o estudo do Instituto Vox Brasil, revelado no último domingo, mostra Lula à frente com 51% contra 49% de Flávio Bolsonaro.
A máquina de campanha do PT agarra-se a estes indicadores a poucos dias da batalha decisiva, para a qual parte atrás por somente 2,2 milhões de votos (1,87%), a diferença mais curta num primeiro turno desde o fim do regime militar. A Euronews olha para a geografia e matemática que podem levar a uma possível virada petista.
O estado espelho
O destino de Lula dependerá, em grande medida, do que acontecer em Minas Gerais, o melhor barómetro da política brasileira. Desde a restauração da democracia, quem ganhou em Minas chegou sempre ao Palácio do Planalto.
Entre os grandes colégios eleitorais, é o que está mais equilibrado, tendo os dois candidatos ficado separados por menos de 590 mil votos. Apesar de dominar mais municípios neste estado, onde derrotou Jair Bolsonaro em 2022, o veterano líder trabalhista perde força nas zonas que concentram mais votos.
Das dez maiores cidades mineiras, Lula venceu apenas uma, Juiz de Fora, no sudeste. Em Minas, as características sociodemográficas são muito variadas e é preciso equilibrar os ganhos em diferentes pontos do território.
Impõem-se investidas na região metropolitana de Belo Horizonte onde se concentram vários municípios que, pela dimensão demográfica, podem fazer a diferença na contagem final, mas também importa convencer algum eleitorado noutras extremidades do estado. Aí, a atenção terá de estar centrada em municípios médios de áreas rurais no Triângulo Mineiro, nas zonas próximas de Goiás e no norte, que tem há muito bases leais ao PT, embora esteja dividido nesta eleição.
Flávio Bolsonaro venceu em dois dos quatro municípios com mais habitantes do norte de Minas, ficando com o mais populoso, Montes Claros, que tem quase 441 mil residentes e é o único desta parte setentrional do estado acima do patamar dos 100 mil.
São Paulo: o peso do maior colégio eleitoral
São Paulo é o maior colégio eleitoral (21,5% do total) e poderá também ser decisivo. Flávio alcançou mais de 3,4 milhões de votos do que Lula só neste estado — uma margem superior à registada a nível nacional entre os dois.
O atual presidente venceu na capital estadual, mas viu o senador de direita avançar na Grande São Paulo, onde arrecadou 25 dos 39 municípios, ainda que Lula tenha preservado uma vantagem magra no total de votos desta aglomeração urbana.
Guarulhos, segundo município mais populoso desta zona, mudou para a direita, tal como Osasco, reduto de cunho fortemente operário e que exemplifica a penetração da campanha conservadora no chamado "cinturão vermelho", marcado por polos industriais e tradição sindical.
Lula está obrigado a conquistar eleitores numa região metropolitana fragmentada sem descurar o interior paulista, tomado por uma onda de apoio ao bolsonarismo.
Distrito Federal, leste de Goiás e Nordeste urbano
As análises dos cientistas políticos indicam que o triunfo de Flávio na primeira volta não veio das capitais estaduais, onde Lula da Silva baixou a votação em apenas 0,6%. Ao invés, foi construído a partir dos municípios mais pequenos com população mais jovem, predominantemente caucasiana e com fortes ligações ao agronegócio (queda de 4,6%).
É esse o perfil encontrado em vários municípios de Goiás, o estado em que Lula perdeu mais votos em termos percentuais (8,45%). Para o PT, a oportunidade está, em particular, nas áreas de alta densidade demográfica do leste goiano e coladas a Brasília (o chamado Entorno), com gerações de famílias de origem nordestina, elevados índices de vulnerabilidade socioeconómica, dependência dos serviços públicos e trabalho informal.
Nestas periferias, há potencial de crescimento em municípios como Águas Lindas e Valparaíso, sendo que este último até já foi governado pelo PT. Dentro do Distrito Federal (DF), as frentes de recuperação estão nas regiões mais populosas que apresentam dinâmicas semelhantes, nomeadamente a Ceilândia, onde Lula já chegou a ter mais de 60% dos votos na eleição de 2006.
Segundo a análise do jornal brasileiro Metrópoles, há no DF e no Entorno um bolsão de 700 mil eleitores que se abstiveram, votaram em branco ou nulo, e que são agora a "terra prometida das equipas de campanha".
Flávio Bolsonaro venceu 17 das 19 zonas eleitorais do DF e 28 dos 33 municípios do Entorno, mas o PT pode explorar essa fatia do eleitorado que não escolheu qualquer candidatura. O objetivo é reduzir distâncias e aquecer a militância, (re)conquistando eleitores que são especialmente sensíveis a discursos focados em programas sociais.
No Nordeste, poderá ser feito um esforço extra para levar mais cidadãos às urnas, em particular nos centros urbanos. Lula ganhou os nove estados deste bastião petista, apesar de ter deixado fugir 258 mil votos em comparação com 2022, pelo que nova mobilização pode ajudar a alavancar a força de uma região favorável que, na primeira volta, valeu mais de 11 milhões de votos ao PT.
Eleitorado de Lula mais propenso à abstenção
A abstenção é necessariamente uma variável a considerar, já que 2026 trouxe a taxa mais elevada de ausentes numa eleição geral desde 1998: 21,08%, isto é, perto de 33,4 milhões de eleitores.
Idosos e menos escolarizados, segmentos que tendem a votar no PT, estão entre os que mais ficaram em casa, o que produziu, naturalmente, um efeito negativo nos números de Lula. Será necessário mobilizar estes grupos sociais, incluindo os idosos com mais de 70 anos, até porque 49,1% desta parcela da população, para a qual o voto é facultativo, não participou no sufrágio de 4 de outubro.
Seja como for, esse cenário não implicaria automaticamente uma retração do apoio a Flávio. Os municípios acima de 100 mil habitantes onde as taxas de abstenção foram mais altas situam-se em estados ganhos pelo filho de Jair Bolsonaro: Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Se mais gente destes municípios comparecer nas urnas, a votação no candidato da direita poderá ganhar maior expressão.
Outro contingente de votos muito cobiçado, mais de 8,7 milhões, pertence aos principais candidatos afastados no primeiro turno - Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). Segundo a maioria dos analistas e sondagens, os eleitores da chamada "terceira via" devem migrar, maioritariamente, para o campo do senador do PL.
Cury, embora timidamente, e Caiado oficializaram o apoio a Flávio. Estas contas, porém, também não são lineares. Há estudos de opinião (Quaest e Palver) que colocam a maioria dos apoiantes do escritor e psiquiatra, um moderado, do lado de Lula. Além disso, Renan Santos, que não tomou partido por qualquer dos finalistas, chegou a declarar que o maior "perigo" vem de Flávio Bolsonaro.
O candidato do PL pode ter a maioria dos ases, mas Lula da Silva ainda reserva cartadas que podem virar o jogo.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, candidato à reeleição, afirmou ser favorável à redução da idade de responsabilidade criminal para 16 anos nos crimes hediondos, numa posição divergente da defendida por setores do seu próprio partido, o PT.
A declaração ocorreu na noite de quinta-feira durante uma sessão de perguntas na TV Globo, ocasião também em que assumiu ser ele próprio responsável pelas dificuldades e rejeição à sua Administração.
O petista defendeu reduzir de 18 para 16 anos a idade de responsabilidade penal em casos de crimes hediondos, num dia de votação conturbada no Senado brasileiro, que discutiu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
“Enquanto cidadão brasileiro, [sobre] todo e qualquer crime hediondo, eu sou favorável a diminuir a maioridade para crimes hediondos (…) acho que a sociedade brasileira inteira é favorável à punição de qualquer crime hediondo”, respondeu ao reiterar a redução para a idade de 16 anos.
A declaração marca um novo posicionamento de Lula da Silva sobre o tema, uma vez que já defendeu no passado ser contrário à redução da idade penal.
Na entrevista à emissora de televisão, Lula criticou a proposta da oposição de reduzir a idade de responsabilidade penal para 14 anos no âmbito da discussão da PEC da Segurança Pública, que não trata sobre este tema.
A PEC da Segurança Pública – que é uma das bandeiras de campanha de Lula – reestrutura a segurança no país com foco na integração das forças policiais e reorganiza a atuação dos entes federativos no combate à criminalidade, além de endurecer penas.
Em reação à emenda apresentada pela oposição, o senador Camilo Santana, líder do Partido dos Trabalhadores (PT) no Senado, propôs reduzir de 18 para 16 anos a idade de responsabilidade penal, somente para crimes hediondos.
A PEC da Segurança Pública, no entanto, foi retirada da agenda de votação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, na quinta-feira, após desentendimentos entre a oposição, a base governista e alas do próprio PT sobre a redução da maioridade penal.
Lula defendeu, durante a entrevista, que a discussão sobre a mudança na idade penal ocorra separadamente da PEC da Segurança Pública.
Ainda na sessão de perguntas, o líder de esquerda assumiu a responsabilidade sobre o resultado da primeira volta, em que ficou atrás de Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), com 2,2 milhões de votos, e dos índices de rejeição à sua Administração.
Questionado sobre o que poderia ter feito diferente, Lula respondeu que não pode culpar outras pessoas, uma vez que quando a Administração vai bem, é ele quem fica com o mérito.
“Se eu não conseguir ser compreendido pela sociedade brasileira sobre o que o Governo faz, eu não posso ficar jogando a culpa em ninguém. Eu tenho que jogar a culpa em mim”, respondeu.
O líder de esquerda citou ainda que parte das dificuldades da sua Administração está relacionada com o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), ao dizer que encontrou o Brasil destruído, ministérios desmontados, e que passou os dois primeiros anos do seu terceiro mandato a reconstruir o país.
“Eu só lamento que eu não tenha tido a capacidade de fazer o povo compreender as coisas que eu fiz, porque foram muitas coisas”, completou.
O discurso de Lula marca uma posição diferente de há uma semana, quando reuniu filiados do PT e apoiantes para dizer que ficou frustrado com o resultado da primeira volta e que esta é a campanha mais desorganizada que já vivenciou.
Na sexta-feira, a TV Globo irá falar com o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro durante 40 minutos.
Já no próximo domingo, Lula e Flávio Bolsonaro ficarão frente a frente para um embate direto, pela primeira vez nestas eleições, quando ocorre um debate presidencial realizado pela TV Band.
Candidatos estão em empate técnico, mas Flávio Bolsonaro reúne 47% das intenções de voto. Bolsonaro e Lula da Silva disputarão a presidência do Brasil numa segunda volta, marcada para 25 de outubro.
Se a segunda volta das eleições brasileiras fosse hoje, Flávio Bolsonaro venceria, já que reúne 47% das intenções de voto, enquanto Lula da Silva reúne apenas 45%. A conclusão é da nova sondagem da Datafolha, citada pelo Notícias ao Minuto (NM), revelada esta quinta-feira, 15.
De acordo com a sondagem, divulgada a dez dias da segunda volta, os dois candidatos estão em empate técnico, dentro da margem de erro.
Em votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Flávio Bolsonaro reúne 51% e Lula 49%. Note-se que o número de votos válidos é o que a justiça eleitoral brasileira usa para determinar os resultados das eleições.
A sondagem, encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo, mantém a percentagem de intenções de voto para o atual presidente do Brasil (45%). Já Flávio Bolsonaro perdeu vantagem face à última sondagem, feita na semana passada, na qual reunia 49% das intenções de voto. A percentagem de votos nulos ou em branco subiu de 5 para 6% e a de indecisos também subiu de 1 para 2%.
Segundo avançou o NM, a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL), obteve 47,03% dos votos, ficando quase dois pontos percentuais à frente de Lula (45,16%) na primeira volta das eleições.
Os dois candidatos disputarão a presidência do Brasil numa segunda volta, marcada para 25 de outubro.
O resultado de Flávio Bolsonaro, que nenhuma sondagem antecipou, refletiu-se também nas eleições legislativas, das quais os partidos de Direita saíram muito reforçados.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, celebrou a aprovação da proposta que reduz o tempo de trabalho semanal sem corte salarial, enquanto entidades empresariais criticaram a aprovação da proposta pelo Senado.
A aprovação da PEC é uma das principais armas de Lula para reverter a rejeição da sua Administração e tentar ganhar às eleições, uma vez que ficou atrás de Flávio com 2,2 milhões de votos na primeira volta.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC), uma das bandeiras de campanha de Lula, que é candidato à reeleição, foi aprovada em dois turnos pela maioria esmagadora do Senado, com 75 votos a favor e um contrário. O diploma segue agora para promulgação.
"Lutamos, discutimos e pressionamos para garantir que o Congresso votasse ainda este ano o fim da 6x1!", escreveu Lula nas redes sociais após publicar o vídeo a acompanhar à distância a votação no Senado.
"Mas a voz do povo foi a voz que me conduziu para que, juntos, garantíssemos mais tempo para descansar, acompanhar os filhos e estar com quem amamos", realçou ao felicitar "o povo que foi na rua" e os parlamentares que votaram a favor da proposta.
Tanto o candidato presidencial Flávio Bolsonaro, quanto a formação política que representa, o Partido Liberal (PL), recuaram e decidiram votar favoravelmente à PEC para evitar desgaste eleitoral, diante do clamor popular pela aprovação da proposta.
O fim da escala 6x1, ou seja, cinco dias de trabalho e dois de descanso, foi duramente criticada por grandes entidades e sindicatos patronais das áreas de indústria, comércio e serviços.
De forma geral, classificaram a medida como negativa para a economia, dizendo que resultará em demissões, além da precarização dos serviços essenciais.
Numa nota enviada à Lusa, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) lamentou que o tema tenha sido discutido e aprovado em "plena corrida eleitoral".
A CNC disse ainda reconhecer "a legitimidade do debate sobre a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida dos trabalhadores".
"Mas reafirma que mudanças estruturais dessa magnitude exigem aprofundamento técnico, diálogo e avaliação criteriosa de seus impactos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade das empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e turismo", acrescentou na nota.
Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que "cenário fica ainda mais preocupante após redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x1" e também criticou a aprovação da proposta no período eleitoral.
"Na avaliação do setor industrial, a medida aprovada pelo Senado Federal causará perdas económicas, demissões, repasse de custos para a população e inflação em todo o país", escreveu a entidade em comunicado.
A CNI defende que a "PEC seja revisitada para se adequar à realidade brasileira", e que as mudanças aprovadas pelo Congresso brasileiro "elevarão custos de produção", em 267 mil milhões de reais (47,58 mil milhões de euros).
Já a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), também lamentou a aprovação da proposta e defendeu a PEC do Trabalho Flexível, atualmente defendida pelo PL e por Flávio Bolsonaro.
Essa PEC, de autoria do senador Rogério Marinho e atual coordenador de campanha de Flávio, propõe que os trabalhadores escolham entre o regime tradicional de trabalho ou negociem com o empregador uma jornada de trabalhado baseada em horas.
"O que esperamos e acreditamos é que a PEC do Trabalho Flexível seja aprovada no início do ano que vem, na nova gestão do Congresso Nacional", escreveu em nota a Abrasel.
"Isso abrirá uma porta para que o Brasil possa sair de um eventual retrocesso e avançar para uma modalidade de contratação que atenda, de fato, aos interesses dos trabalhadores e dos empresários, que, no final das contas, têm um objetivo em comum: a prosperidade coletiva", realçou.
A aprovação da PEC é uma das principais armas de Lula para reverter a rejeição da sua Administração e tentar ganhar às eleições, uma vez que ficou atrás de Flávio com 2,2 milhões de votos na primeira volta.
A tramitação acelerada, a poucos dias da segunda volta, foi possível graças a um acordo entre o Governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que vê a reeleição ao comando da Câmara Alta, em fevereiro de 2027, ameaçada pelo PL, que elegeu a maioria dos 81 senadores.
O principal partido da oposição em Angola, a UNITA, contestou esta quata-feira, 14, a eleição do Presidente da República e da Assembleia Nacional num único boletim de voto e pede alterações, a menos de um ano de eleições gerais.
Os angolanos vão a votos em 2027 para escolher o novo Presidente da República e os deputados da Assembleia Nacional com apenas um voto para dois órgãos diferentes, conforme determinam as regras constitucionais do país.
Angola tem uma "Constituição atípica" que "deve ser alterada", defendeu o presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Adalberto Costa Júnior, numa comunicação ao país, na véspera do último discurso sobre o Estado da Nação do Presidente da República, João Lourenço.
O chefe de Estado discursa, hoje, quinta-feira, na abertura do último ano da atual legislatura, no Parlamento, naquele que será também o último discurso no cargo, depois dos dois mandatos pelo MPLA, o partido no poder desde a independência de Angola.
A menos de um ano das eleições gerais, o presidente da UNITA e líder da oposição considera que "os interesses partidários sobrepõem-se aos interesses nacionais enquanto continuam a existir na Constituição a eleição num boletim de órgãos distintos de soberania".
"Um mesmo boletim permite a eleição de dois órgãos de soberania, não é possível, isto causa instabilidade e deve ser alterado", defendeu.
Para o presidente da UNITA "a não eleição direta do Presidente da República causa enormes problemas ao país".
Adalberto Costa Júnior sustenta que o atual Presidente nunca aceitou ir ao Parlamento responder aos seus atos, o que considerou que impede que preste contas.
O atual modelo político resulta ainda segundo a UNITA, em "influências crescentes no poder legislativo, consentidas pela maioria que suporta o regime" do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola).
"Vimos aquela maioria votar contra conteúdos constitucionais para defesa do partido de Estado, assistimos a deputados eleitos votarem contra a expressão dos eleitores para defenderem cegamente a busca de uma maioria no órgão que tutela as eleições, a CNE (Comissão Nacional de Eleições)", afirmou.
A UNITA condenou ainda a recusa por parte do atual governo, durante os dois mandatos de João Lourenço, em legalizar as autarquias locais, o que considera uma "clara atitude de negar a autonomia das instituições".
A divisão político-administrativa de Angola passou, em 2024, de 18 para 21 províncias e de 164 para 326 municípios, com gestão a cargo de administradores nomeados pelo Poder Central ou governadores provinciais, também estes de nomeação política.
"Aproximar a população das administrações pode ser um ganho onde a acessibilidade é fraca. Criar estrutura administrativa sem criar capacidade produtiva é multiplicar gabinetes e não prestar serviços", considerou o líder da UNITA.
Adalberto Costa Júnior insistiu que a ausência das autarquias locais é penalizadora para o país e defendeu que "só municípios com órgãos eleitos e finanças próprias podem crescer e prestar contas".
"O ciclo de dez anos foi incompetente e atrasou o desenvolvimento do poder local, atrasou o país propositadamente", acrescentou.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento sólido na maioria das economias lusófonas até 2027, com Angola a acelerar e Cabo Verde e Timor-Leste a manterem um ritmo robusto, segundo o World Economic Outlook divulgado hoje.
O arquipélago de Cabo Verde continuará entre as economias lusófonas africanas com melhor desempenho, com um crescimento de 5% tanto em 2026 como em 2027, após uma expansão estimada de 6,3% em 2025.
De acordo com a Inforpres que cita Lusa, os dados do FMI para a África Subsaariana, Angola deverá crescer 4,4% em 2026, acima dos 3,1% estimados para 2025, antes de abrandar para 3,3% em 2027. A inflação deverá, contudo, permanecer elevada, embora em trajetória descendente, passando de 20,2% este ano para 10,6% em 2026 e 10,2% em 2027.
O arquipélago de Cabo Verde continuará entre as economias lusófonas africanas com melhor desempenho, com um crescimento de 5% tanto em 2026 como em 2027, após uma expansão estimada de 6,3% em 2025.
A inflação deverá manter-se controlada, em 1,2% este ano e 2,8% em 2027. O FMI prevê ainda uma taxa de desemprego estável em 8,5% ao longo dos três anos analisados.
Na Guiné-Bissau, o crescimento económico deverá desacelerar ligeiramente de 5,8% em 2025 para 4,7% em 2026, recuperando para 4,9% em 2027. A inflação deverá situar-se entre 2,1% e 2,5%, enquanto o défice da balança corrente deverá permanecer elevado, oscilando entre 5,7% e 7% do PIB.
Já Moçambique deverá registar uma recuperação gradual após a contração estimada de 0,2% em 2025. O FMI prevê um crescimento de 1% em 2026 e de 2% em 2027. A inflação deverá subir progressivamente para 5,6% e 6,8%, respetivamente, enquanto o défice externo continuará muito significativo, equivalente a 41% do PIB em 2026 e 37,8% em 2027.
Quanto a São Tomé e Príncipe, o FMI antecipa uma expansão modesta da economia, de apenas 0,4% em 2026, acelerando para 1,9% em 2027. Em contraste, a inflação deverá aumentar para 11% este ano, recuando depois para 9,6% em 2027.
Entre as restantes economias lusófonas, e fora do espaço africano, o FMI prevê um abrandamento do crescimento económico do Brasil, de 2,2% em 2026 para 1,9% em 2027, refletindo condições monetárias ainda restritivas para reconduzir a inflação à meta, a retirada gradual dos estímulos orçamentais e a incerteza da economia mundial.
Segundo a mesma fonte, a economia timorense deverá expandir-se 4% em 2026 e 3,7% em 2027, após um crescimento estimado de 4,5% em 2025. A inflação deverá permanecer contida, situando-se em 2,1% e 2,2% em 2026 e 2027. Já o défice da balança corrente deverá continuar muito elevado, equivalente a 38,5% do PIB em 2026 e 38,4% em 2027.
Ao mesmo tempo, o crescimento da economia portuguesa foi revisto para 2,1% este ano e 1,9% em 2027.
O FMI sublinhou hoje que a atividade económica mundial continua a revelar resiliência, beneficiando do impulso do setor tecnológico, da existência de reservas financeiras e da capacidade de adaptação das economias aos impactos das tensões geopolíticas.
Ainda assim, a instituição prevê um abrandamento do crescimento global para 3,1% em 2026, seguido de uma recuperação para 3,4% em 2027. A inflação mundial deverá aumentar para 4,7% em 2026 antes de recuar para 4,1% no ano seguinte.
Segundo o Fundo citado pela fonte deste jornal, as economias importadoras de energia que não integram a cadeia de valor tecnológica enfrentam as perspetivas mais difíceis.
A coligação de Lula da Silva acusou, no sábado, a gigante tecnológica Meta de interferência eleitoral, depois do conteúdo da sua campanha nas redes sociais ter alegadamente sido bloqueado nas plataformas Facebook e Instagram, ao contrário do conteúdo de Flávio Bolsonaro. Meta rejeita acusações.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil concedeu, no sábado, 48 horas à gigante das redes sociais para esclarecer se o alcance das publicações da campanha de Lula foi reduzido e para explicar as irregularidades apontadas. O TSE informou que a Meta foi obrigada a “relatar, perfil a perfil, todas as medidas aplicadas” às “contas oficiais de Lula” e a “explicar as anomalias nas métricas” dos vídeos.
O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, acusou a Meta, dona do Facebook, Instagram e Whatsapp, de restringir a divulgação dos seus conteúdos e favorecer os do candidato Flávio Bolsonaro, embora o candidato populista apresente menos seguidores do que o candidato petista.
“A sucessão de problemas técnicos não explicados pela empresa levanta forte suspeita de que a ação da Meta se configure como uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro”, disse Valadares na sede da Campanha de Lula de Silva em Brasília, no sábado.
O líder de esquerda concorre a um quarto mandato não consecutivo na segunda volta de 25 de outubro, na qual irá defrontar o candidato Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro.
Em comunicado, a campanha de Lula relatou ainda casos em que as plataformas da Meta teriam restringido a divulgação de conteúdos. A campanha alega que, nos últimos dias, a Meta “impediu que o perfil do Presidente Lula promovesse publicações no feed do Instagram”, enquanto uma publicação da sua conta oficial “sofreu uma interrupção na contagem de visualizações, o que afetou o seu alcance”.
Nos dias 9 e 10 de outubro, “o perfil de Lula ficou impedido de impulsionar conteúdos no Instagram”, escreve o jornal Poder360. Os petistas afirmam ainda que, antes da primeira volta das eleições de domingo passado — na qual Flávio Bolsonaro ficou em primeiro lugar —, os perfis de Lula e de outros líderes de esquerda “desapareceram subitamente das pesquisas do Instagram”.
Alegadas interferências da Meta começaram em 2025
Em setembro, a Meta restringiu o acesso à conta de anúncios da campanha de Lula. A denúncia foi feita pela coligação “Brasil Pronto pra Mais” e pelo PT à própria plataforma. Na altura, a campanha acusou a Meta de ter bloqueado a conta de anúncios registada como “Eleições 2026 Luiz Inácio Lula da Silva Presidente”. A conta foi desativada no dia 23 de setembro, a 10 dias da primeira volta. A resposta genérica da Meta foi que “algumas atividades não seguem nossas regras”.
Ainda de acordo com os responsáveis pela campanha de Lula, os problemas com a Meta começaram no final de 2025 e voltaram a intensificar-se durante a campanha da primeira volta. A coligação Lula afirmou que os problemas incluíam ferramentas de publicidade paga da Meta e o sistema de distribuição e análise de conteúdos publicados nos perfis oficiais do presidente candidato.
“A série de problemas técnicos… suscita fortes suspeitas de que as ações da Meta constituam uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro”, acrescentou o comunicado da Campanha de Lula, que apresentou queixa ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e denunciou os fatos à ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).
Tribunal Eleitoral dá ultimato à Meta
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) do Brasil concedeu, no sábado, 48 horas à gigante das redes sociais para esclarecer se o alcance das publicações da campanha de Lula foi reduzido e para explicar as irregularidades apontadas. O TSE informou que a Meta foi obrigada a “relatar, perfil a perfil, todas as medidas aplicadas” às “contas oficiais de Lula” e a “explicar as anomalias nas métricas” dos vídeos.
A delegação da Meta no Brasil negou as acusações, considerando-as “simplesmente falsas” e “sem fundamento nos factos”. “Muitas das questões técnicas mencionadas não afetaram apenas o Brasil nem contas específicas”, respondeu a Meta Brasil à AFP por e-mail.
“Cumprimos a regulamentação eleitoral e estamos empenhados em garantir condições equitativas no que diz respeito à utilização das nossas plataformas”, acrescenta a empresa de Mark Zuckerberg.
A empresa norte-americana acrescentou que os episódios mencionados não demonstram qualquer direcionamento político das suas plataformas.
Segundo os responsáveis da coligação de Lula da Silva, a Meta está a favorecer Flávio Bolsonaro, alegando que as restrições estão a reduzir propositadamente “o alcance dos posts” de Lula face aos de Bolsonaro, apesar de a base de seguidores de Lula ser “superior à do senador” populista.
De acordo com um documento interno da Secretaria Nacional de Comunicação do PT, citado pela imprensa brasileira, a página de Flávio Bolsonaro tinha 17,2% menos seguidores do que a de Lula, mas registava, em média, 2,96 vezes mais interações nas plataformas da Meta”.
Influencers brasileiros lucram com desinformação eleitoral De acordo com o Correio Braziliense, que diz ter tido acesso em primeira mão ao referido documento interno, “uma rede de páginas tem sido criada no Instagram para a realização de collabs, ou seja, publicações em parceria, para impulsionar conteúdos ligados a Flávio Bolsonaro”.
Uma apoiante do candidato presidencial da oposição, o senador Flávio Bolsonaro, posa para uma fotografia enquanto aguarda os resultados das eleições Uma apoiante do candidato presidencial da oposição, o senador Flávio Bolsonaro, posa para uma fotografia enquanto aguarda os resultados das eleições AP Photo/Bruna Prado O jornal acrescenta que muitos desses conteúdos consistem em “informações falsas propagadas por influenciadores que ganham muito dinheiro com o alcance dessa desinformação”. O mesmo jornal diz que esta informação consta do documento enviado ao TSE para averiguação. Contudo, estes dados não foram confirmados de forma independente.
Entretanto, um levantamento de seguidores dos dois candidatos efetuado na semana passada para a CNN Brasil dá conta de que Flávio Bolsonaro obteve um aumento de 1,7 milhões depois da primeira volta das eleições. Enquanto as redes sociais de Lula da Silva cresceram em 958 mil seguidores.
Consta que Lula da Silva não tem o hábito de utilizar um smartphone, mas, depois de os resultados da primeira volta das eleições terem colocado Flávio Bolsonaro na frente, o líder de esquerda intensificou a divulgação de propaganda eleitoral nas redes sociais, incluindo vídeos em que se dirige aos seus seguidores, apelando ao voto.
A Presidente da República interina de Cabo Verde, Janira Hopffer Almada, afirmou que a comunidade lusófona tem razões legítimas para aspirar ao reconhecimento do português como língua oficial da ONU, durante o XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa.
A língua portuguesa como elemento de adaptação num mundo em mudança foi o tema deste encontro de escritores, que contou com a participação de autores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe. Timor-Leste esteve representado pelo ministro da Administração estatal, Tomás do Rosário Cabral.
Janira Hopffer Almada falava na sessão de encerramento do XIV Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, promovido pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) e a Câmara Municipal da Praia, e que decorreu desde quinta-feira até sexta-feira,10, na capital cabo-verdiana.
"Tal aspiração encontra fundamento não apenas na dimensão demográfica dos seus falantes, mas também na relevância crescente dos países que integram a comunidade de língua portuguesa e no contributo que estes oferecem para o diálogo intercultural, para a paz, para a cooperação internacional e para o desenvolvimento sustentável", disse, segundo NM que cita a Lusa, a PR Interina.
Para Janira Hopffer Almada, é fundamental o reforço da presença da língua portuguesa nos domínios da ciência, da investigação, da inovação tecnológica e da produção académica".
A língua portuguesa como elemento de adaptação num mundo em mudança foi o tema deste encontro de escritores, que contou com a participação de autores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Galiza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe. Timor-Leste esteve representado pelo ministro da Administração estatal, Tomás do Rosário Cabral.
Para a secretária-geral adjunta da UCCLA, Paula Leal da Silva, o encontro que terminou sexta-feira resultou num "conjunto inovador e interessante".
Conforme a fonte deste jornal, a embaixadora congratulou-se também com a disponibilidade de Timor-Leste em acolher a próxima edição deste encontro de escritores, comunicada durante o mesmo pelo ministro da Administração Estatal, Tomás do Rosário Cabral, sublinhando que na cidade da Praia os participantes de vários países se têm sentido "verdadeiramente em casa".
E prometeu repensar o Prémio de Revelação Literária UCCLA-CMLisboa: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa, cuja análise foi hoje o tema do último painel do encontro, antes do encerramento do evento.
Segundo o assessor cultural da UCCLA, Manuel Sousa Guedes, o valor monetário, que atualmente se situa nos 3.000 euros, vai aumentar para 5.000 euros.
O prémio da edição deste ano foi atribuído ao indigenista ítalo-brasileiro Ricardo Rao, pelo livro "Antologia Brutalista", refere a fonte deste jornal.
A Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) manifestou preocupação com a possibilidade de adiamento das eleições legislativas e presidenciais na Guiné-Bissau, inicialmente marcadas para 6 de Dezembro deste ano pelo Alto Comando Militar, que protagonizou o golpe de Estado em Novembro de 2025.
A Comissão da CEDEAO manifestou a sua preocupação com um eventual adiamento das eleições legislativas e presidenciais previstas para Dezembro, instando o Alto Comando Militar a promover consultas amplas, transparentes e inclusivas sobre o calendário eleitoral, de acordo com um comunicado emitido em Abuja, na Nigéria.
Deacordo com a RFI,o apelo surge depois de o Governo de transição e a Comissão Nacional de Eleições terem apontado a falta de condições técnicas, jurídicas e operacionais para a realização das eleições gerais.
Em causa estão o incumprimento de prazos legais, nomeadamente para a apresentação de candidaturas ao Supremo Tribunal de Justiça, bem como a caducidade dos órgãos de vários partidos políticos.
Em comunicados separados, alguns dos principais partidos políticos da Guiné-Bissau, nomeadamente o MADEM-G15, a APU-PDGB e o PTG, apelaram ao Alto Comando Militar para que adie as eleições e prolongue o período de transição por, pelo menos, mais dois anos.
Os mesmos partidos defendem ainda a formação de um Governo de Unidade Nacional para preparar o processo eleitoral.
Entretanto, o Senegal, na qualidade de mediador da CEDEAO para a crise guineense, exortou as autoridades de transição a levantarem as restrições às actividades políticas e civis. O país sublinhou igualmente que qualquer alteração do calendário eleitoral deverá resultar de um diálogo inclusivo e transparente.
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