domingo, 25 outubro 2026

Higino Carneiro afirma que não desiste após chumbo da candidatura ao MPLA

O general angolano Higino Carneiro, cuja candidatura à liderança do MPLA foi rejeitada, afirmou que não tomará decisões precipitadas e continuará a avaliar os caminhos disponíveis.

 

"Não posso antecipar hoje todas as decisões que o futuro poderá exigir, posso, contudo, assegurar-vos que continuarei a ouvir, a refletir e a avaliar os caminhos que se apresentam, com serenidade, consciência e respeito pelas responsabilidades que me cabem", disse Francisco Higino Lopes Carneiro numa mensagem aos militantes, apoiantes e angolanos.

Na quarta-feira, 21, o Comité Central do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder, manteve a decisão, após recurso, que declara nula a candidatura de Higino Carneiro à liderança desta organização política e decidiu instaurar-lhe um processo disciplinar, por supostas irregularidades, nomeadamente assinaturas alegadamente falsificadas e a utilização indevida de documentos de identificação.

"Não vos prometerei decisões precipitadas, tomadas sob a pressão, a emoção ou as circunstâncias, seria injusto para convosco e contrário ao sentido de responsabilidade que sempre procurei observar, mas também não vos dirijo uma mensagem de despedida, ela não corresponde ao que penso nem ao que sinto neste momento", frisou.

E acrescentou: "A política não se resume aos cargos, às decisões dos órgãos ou às circunstâncias de uma candidatura. É também uma relação de confiança, de princípios e de responsabilidade perante as pessoas".

De acordo com Higino Carneiro, a confiança passada por quem acreditou em si, não lhe dá o direito de agir irrefletidamente, mas também não permite tratar como irrelevante aquilo em que acreditam e pelo qual se mobilizaram.

"Aos que me dizem não desista, respondo com sinceridade, eu também não desisto, não abandonei as minhas convicções, não renunciei à defesa da minha dignidade e a minha honra e não considero terminada a responsabilidade que sinto perante aqueles que em mim confiaram", acrescentou.

O antigo dirigente angolano considerou ainda que "uma candidatura pode ser anulada, uma iniciativa pode ser impedida por uma decisão, mas nenhuma dessas circunstâncias apaga uma vida de serviço nem dispensa responsabilidade de enfrentar o presente com dignidade e coragem".

"O meu compromisso com Angola e com os angolanos permanece. A minha história não termina aqui, continuarei a defender os meus princípios, a pluralidade de ideias, o reforço da democracia interna e os valores que conformam a origem da história do MPLA", realçou.

Higino Carneiro reafirmou aos militantes do MPLA uma convicção que disse ter sempre considerado essencial: "a divergência não deve ser confundida com inimizade e a fidelidade a um partido não exige a renúncia ao pensamento próprio".

"É também este um momento em que apelo à serenidade de todos", exortou, frisando que a democracia interna exige que a participação dos militantes seja assegurada por regras claras, procedimentos transparentes e condições de igualdade.

"O respeito pelos estatutos não se esgota na sua evocação, exige a sua aplicação coerente em todas as circunstâncias e perante todos os militantes. As divergências devem ser entendidas e discutidas no quadro das instituições partidárias, com respeito pela pluralidade de pensamento, pelo direito de participação e pela dignidade de cada camarada", salientou.

Higino Carneiro disse que tem recebido inúmeras mensagens de apoio, encorajamento e confiança, desde a decisão de anulação da sua candidatura à liderança do MPLA.

"Muitas delas resumem-se a duas palavras: não desista, outras dizem-me: continuamos firmes consigo, estamos consigo, não nos abandone. Li essas palavras com emoção, humildade e um profundo sentido de responsabilidade", referiu Higino Carneiro, agradecendo o apoio de todos quanto o apoiaram, bem como à sua equipa de trabalho neste processo.

O militante do MPLA, membro do Comité Central, referiu que, ao longo de mais de 50 anos, deu o seu melhor ao partido, ao país e aos angolanos, em diferentes momentos e circunstâncias.

"Nos momentos de esperança e nos momentos de dificuldade, movido pela convicção que a política deve ser acima de tudo um instrumento de serviço ao povo e de construção de um futuro melhor para o nosso país", referiu.

 

A Semana com NM/Lusa

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
17 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
19 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
21 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport