Liga Guineense dos Direitos Humanos saúda desarmamento de milícias, mas diz que não há condições para eleições em dezembro. Alerta ainda que a reconciliação exige o julgamento dos responsáveis por alegados abusos.
"Sem estas condições, qualquer eleição corre o risco de apenas adiar a crise atual para uma fase posterior, com consequências imprevisíveis", alertou.
O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) considera positivo o desarmamento de milícias no país, defendendo que a medida representa um sinal de mudança. No entanto, Bubacar Turé considera a medida insuficiente para resolver a crise política e institucional que a Guiné-Bissau enfrenta.
Em declarações à DW, Turé afirmou que a sociedade civil continua preocupada com as detenções arbitrárias de civis e militares, a limitação das liberdades fundamentais e a situação da comunicação social. A organização liderada por Turé exige a libertação dos detidos sem processo legal, o restabelecimento da liberdade de manifestação, do direito à oposição democrática e da liberdade de imprensa.
O presidente da LGDH defende também a abertura de investigações independentes para apurar alegadas violações dos direitos humanos ocorridas nos últimos anos, sublinhando que "não pode haver paz nem Estado de direito sem justiça". Na sua opinião, os responsáveis por crimes e abusos devem ser responsabilizados, independentemente dos cargos que ocupem.
Sobre as eleições previstas para dezembro, Turé considera que não há condições políticas nem técnicas para a sua realização. O responsável sublinha que o processo eleitoral continua sem calendário nem roteiro definidos e vários prazos legais já deveriam estar a ser cumpridos.
Bubacar Turé defende, por isso, a abertura de um diálogo nacional inclusivo para restaurar a confiança entre os atores políticos, reformar as instituições eleitorais e reforçar a independência da justiça.
"Sem estas condições, qualquer eleição corre o risco de apenas adiar a crise atual para uma fase posterior, com consequências imprevisíveis", alertou segundo a fonte referida.
Flávio Bolsonaro, senador brasileiro e aliado do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, e o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, vão defrontar-se numa segunda volta a 25 de outubro pelo principal cargo na economia mais poderosa da América Latina, depois de nenhum ter conseguido maioria absoluta na votação presidencial de domingo.
Na capital, Brasília, o tribunal eleitoral do país informou que nem o atual chefe de Estado, de 80 anos, que procura um quarto mandato não consecutivo, nem o senador de 45 anos, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, fragilizado politicamente, obtiveram a maioria absoluta de votos necessária para uma vitória direta.
Segundo o tribunal, Bolsonaro somou pouco mais de 56 milhões de votos, enquanto o veterano político Lula ficou com cerca de 53,7 milhões. Os dados foram divulgados depois de as autoridades eleitorais locais terem indicado que 99,8% dos votos para o próximo mandato presidencial, que deverá começar em 5 de janeiro, já estavam contados.
Quem vencer ficará à frente da maior economia da América do Sul e de uma população de 214 milhões de pessoas. Uma vitória de Bolsonaro reforçaria a influência dos Estados Unidos no país, enquanto um triunfo de Lula tenderia a afastar ainda mais Brasília de Washington e a aprofundar os laços com a China.
Flávio Bolsonaro falou à comunicação social e a um pequeno grupo de apoiantes, alguns com camisolas verde e amarela da seleção brasileira e uma mulher envolta na bandeira de Israel, em frente à sua casa em Brasília.
“O Brasil quer mudança, essa é a leitura do que aconteceu hoje”, afirmou Bolsonaro. “É o fim da era do Partido dos Trabalhadores”, acrescentou, numa referência ao partido de Lula.
Lula, que procurou transmitir confiança numa altura em que enfrenta uma batalha difícil para derrotar Bolsonaro na próxima segunda volta, afirmou que o resultado foi “inesperado”, já que pensava poder vencer logo na primeira volta.
“Amanhã começamos uma nova campanha”, disse Lula. “Sou muito bom nas fases de eliminação. Vamos ver quem tem o melhor plano.”
Quer Lula quer Bolsonaro terão três semanas para chegar aos eleitores moderados que não os apoiaram na primeira volta.
Augusto Cury, escritor que terminou em terceiro lugar com 3,4 milhões de votos, afirmou que não apoiará nenhum dos dois na segunda volta. Ronaldo Caiado e Renan Santos, dois candidatos que somaram cerca de 5,3 milhões de votos em conjunto, já tinham dito o mesmo.
Na campanha que se segue, Lula deverá tentar capitalizar a popularidade das suas políticas sociais e os numerosos problemas judiciais do adversário.
Embora o outrora muito popular Lula tenha visto a sua aprovação cair em queda livre durante o terceiro mandato, o confronto com os Estados Unidos deu-lhe novo impulso. Continua a contar com uma sólida base de apoiantes que atribuem às suas políticas sociais a melhoria das vidas de milhões de brasileiros.
Mas o atual presidente enfrenta uma batalha difícil devido à crise de custo de vida e a um escândalo de corrupção que envolveu o mesmo juiz do Supremo Tribunal que liderou a investigação ao seu rival Jair Bolsonaro e o colocou em prisão domiciliária depois de este ter sido condenado por planear um golpe para subverter a democracia após as últimas eleições presidenciais.
O juiz Alexandre de Moraes é acusado de ter mantido contactos com o banqueiro desacreditado e presidente da instituição financeira Banco Master, Daniel Vorcaro, que lhe terá enviado várias mensagens a pedir aconselhamento jurídico.
Ambos os candidatos enfrentam problemas de imagem; segundo várias sondagens, cerca de metade da população brasileira desaprova a família Bolsonaro e a outra metade desaprova o Partido dos Trabalhadores de Lula.
Há quatro anos, Lula venceu o então presidente Jair Bolsonaro por cerca de 2,1 milhões de votos.
Embora domingo tenha sido uma noite favorável para Bolsonaro, nada está ainda decidido. Ambos terão de conquistar parte da base dos outros candidatos para uma candidatura presidencial bem-sucedida, o que poderá obrigá-los a ceder em alguns objetivos políticos para obter apoios.
Os outros três principais candidatos – Cury, Santos e Caiado – somam entre si cerca de 8,73 milhões de votos, ou 7,5% dos eleitores inscritos.
O antigo Presidente da Guiné-Bissau Umaro Sissoco Embaló apelou hoje os cidadãos à calma, à estabilidade e à serenidade face às decisões do Alto Comando Militar que condicionam o seu regresso ao país que estava previsto para domingo.
Num comunicado divulgado, na quinta-feira à noite, nas suas páginas nas redes sociais, o Alto Comando diz ter tomado a decisão numa reunião realizada em Bissau em que foi analisada a situação política, social e de segurança do país.Nessa reunião, acrescenta, foi determinado que Umaro Sissoco Embaló não poderá regressar ao país "exclusivamente por razões de segurança nacional, da preservação da ordem pública e na prevenção de situações que possam comprometer a estabilidade e a tranquilidade social".
Através de uma mensagem publicada na sua página oficial nas redes sociais, Embaló reagiu ao anúncio do Alto Comando Militar, que o afastou num golpe de Estado, de que não estão reunidas, por enquanto, as condições do seu regresso ao país.
A partir da República do Congo, Umaro Sissoco Embaló anunciou a sua pretensão de retornar à Guiné-Bissau para se apresentar como candidato às eleições presidenciais marcadas para 06 de dezembro próximo.
Na comunicação divulgada, Sissoco Embaló sublinha um "profundo respeito pela ordem pública e pela tranquilidade" nacional, reiterando que "a vida humana está acima de qualquer ambição política".
O ex-governante exortou os seus apoiantes, simpatizantes e a população em geral a evitarem "quaisquer atos de confrontação ou comportamentos que possam gerar instabilidade" no país.
Para Umaro Sissoco Embaló, a resolução de controvérsias políticas "deve seguir estritamente" os parâmetros democráticos e o enquadramento jurídico vigente.
O ex-Presidente guineense, de 54 anos, adianta que aguarda que a sua candidatura seja apreciada pelas instâncias competentes "com total imparcialidade e isenção", com igualdade de direitos e oportunidades para todos os concorrentes, frisou.
Num comunicado divulgado, na quinta-feira à noite, nas suas páginas nas redes sociais, o Alto Comando diz ter tomado a decisão numa reunião realizada em Bissau em que foi analisada a situação política, social e de segurança do país.
Nessa reunião, acrescenta, foi determinado que Umaro Sissoco Embaló não poderá regressar ao país "exclusivamente por razões de segurança nacional, da preservação da ordem pública e na prevenção de situações que possam comprometer a estabilidade e a tranquilidade social".
O antigo chefe de Estado guineense, deposto pelos militares no dia 26 de novembro de 2025, anunciou, no início desta semana, o seu "regresso voluntário ao país" no próximo domingo e apelou a que a sua chegada decorra "num ambiente de harmonia, tolerância e respeito mútuo".
No comunicado, o Alto Comando Militar reitera ainda que continuam em vigor as medidas de segurança estabelecidas no âmbito da Transição Política, nomeadamente a proibição de manifestações, concentrações e aglomerações de cariz político até nova determinação das autoridades competentes.
No documento alerta-se que "qualquer ato de desacato ou incumprimento" destas normas "será da inteira responsabilidade dos respetivos autores", sem prejuízo das consequências legais.
O órgão que dirige a Guiné-Bissau desde o golpe, apelou-se igualmente a que todos os cidadãos "se abstenham de atos que possam provocar confrontação ou instabilidade", fazendo prevalecer a disciplina e o respeito pelas determinações oficiais.
Umaro Sissoco Embaló presidiu à Guiné-Bissau de 27 de fevereiro de 2020 a 26 de novembro de 2026 até ser derrubado por um golpe liderado pelo general Horta Inta-a, seu antigo chefe de segurança na Presidência da República.
A oposição considerou que se tratou de um "golpe cerimonial" por ocorrer em vésperas de divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais que o bloco defende terem sido ganhas "à primeira volta" por Fernando Dias da Costa.
Os militares marcaram para 06 de dezembro novas eleições legislativas e presidenciais.
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