Em Cabo Verde, a morosidade da Justiça e o aumento do custo de vida dominaram o debate entre os seis candidatos às eleições presidenciais realizado ontem à noite, 27. A menos de três semanas do sufrágio, os aspirantes a Chefe de Estado apresentaram propostas para acelerar os processos nos tribunais e aliviar o orçamento das famílias.
A campanha eleitoral arranca à meia-noite de quarta-feira 28 de Outubro.
Os seis candidatos às presidenciais de 15 de Novembro no país estiveram frente a frente, na noite de terça-feira 27 de Outubro, num debate transmitido pela rádio e televisão públicas de Cabo Verde.
A reforma do sistema judicial dividiu os concorrentes, conforme referiu a RFI Àfrica. De um lado, nomes como a ex-ministra da Justiça, Joana Rosa e o actual Presidente da República, José Maria Neves, que concorre à reeleição, defenderam a continuidade do diálogo institucional, a digitalização dos processos e o tempo necessário para que as reformas produzissem frutos. Do outro, candidatos como Casimiro de Pina e Gilson Alves apontaram falhas graves no sistema, defendendo uma mudança de mentalidade, o combate à corrupção e novos modelos de nomeação dos magistrados.
No plano económico, segundo a mesam fonte, o custo de vida e o impacto dos preços dos combustíveis voltaram a incendiar o confronto de ideias. Enquanto Loisito Tavares e Gilson Alves apelam ao reforço da produção nacional e a uma aposta firme nas energias renováveis, Casimiro de Pina aponta o dedo aos impostos estatais sobre os combustíveis. Já Antero Tavares e José Maria Neves sublinham que o futuro Presidente da República deve usar a magistratura de influência para unir o Governo, os parceiros sociais e as empresas na protecção do rendimento dos cidadãos.
O debate teve ainda momentos de forte tensão, centrados na polémica em torno do salário pago à primeira-dama pelo actual Chefe de Estado, considerado ilegal e que obrigou José Maria Neves a restituir a verba.
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