Funcionária de limpeza pública, instrutor de ginástica, presidente da “autarquia da paródia” são assim alguns dos exemplos de personagens que “invadiram” na manhã de hoje a rua principal do centro da cidade do Mindelo para levar um pouco desta arte cénica a quem quisesse ver, desde nacionais, residentes e emigrantes, e ainda vários turistas que pararam para ver o evento.
Tratou-se assim da quinta edição do “Teatro Largod”, organizado pela Escola de Teatro Xpressá e que, como a directora artística, Patrícia Silva, adiantou à Inforpress, já se tornou um momento.
“As pessoas já começaram a se familiarizar com este conceito e é isso que queremos, que quando anunciarmos o Teatro Largod, as pessoas venham das suas zonas para vir ver”, sublinhou a mesma fonte, que lamentou, entretanto, a falta de conhecimento de instituições ligadas à cultura.
Dificuldades à parte, Patrícia Silva ressaltou o crescimento da divulgação desta performance que, asseverou, gostariam de fazer duas vezes por ano, na quadra natalícia e no Verão, épocas nas quais há mais emigrantes na ilha, a quem querem dar a conhecer o que é feito nesta arte, em São Vicente.
Mais ainda, o evento apresenta-se como uma forma de tirar o espectáculo teatral de entre paredes e “democratizar” o acesso à arte.
“Sair do conforto das salas de aula e das salas de espectáculos. Como sou uma artista de rua, desafio, constantemente, os meus alunos a fazer o mesmo, porque a partir do momento que se faz teatro na rua, se pode fazer teatro em qualquer lugar”, asseverou.
Patrícia Silva considerou que esta prática de levar a cultura à rua deveria ser mais aplicada em Cabo Verde, que diz ser uma terra cultural.
Daí, o desejo de ver em futuras edições do “Teatro Largod” outras formas de arte, como dança e música.
Na performance participaram, segundo a mesma fonte, cerca de 40 alunos da escola Xpressá, incluindo da oficina de crianças e adolescentes, que aplicaram uma técnica de expressão corporal ministrada por Di Fortes.
Já os adultos levaram às ruas técnicas de construções de personagens, criadas no momento.
“Este foi o desafio que lhes propusemos, em vez de ensaiar as personagens nos três meses, ensaiamos técnicas e as personagens seriam criadas hoje”, explicou a directora artística, que quer que os seus alunos também se tornem criadores.
Por isso, Patrícia Silva almejou ver mais edições do “Teatro Largod” mesmo que sem a sua presença.
A Semana com Inforpress






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