Um indivíduo natural da Nigéria e com nacionalidade cabo-verdiana aguarda os ulteriores trâmites processuais em prisão preventiva na Cadeia do Sal, indiciado pela prática do crime de tráfico de droga de alto risco. Segundo informações da agência de notícias Inforpress, que cita um comunicado da Polícia Judiciária (PJ), a detenção ocorreu em flagrante delito no dia 5 de agosto, na cidade de Santa Maria.
De acordo com o relato da agencia de noticia ,Além das substâncias ilícitas, a PJ apreendeu na posse do detido 4.961 escudos cabo-verdianos e várias armas brancas, designadamente uma faca, dois machados e um martelo.
Em comunicado, a PJ explicou que a detenção do homem de 49 anos, em flagrante delito, ocorreu na quarta-feira, 05 de Agosto, na cidade de Santa Maria, durante uma operação levada a cabo pelo Departamento de Investigação Criminal do Sal (DICS), com a colaboração da Polícia Nacional.
A acção policial deu cumprimento a um mandado de busca, revista e apreensão emitido pelo Tribunal Judicial da Comarca do Sal, na sequência de investigações em curso sobre o circuito de tráfico de estupefacientes na ilha.
conforme os dados divulgdos pela inforpress ,durante as buscas à residência do suspeito, as autoridades apreenderam diversos elementos com relevância probatória.
Entre os produtos estupefacientes apreendidos figuram 21 doses de um produto cristalizado (2,09 gramas) e quatro bolsas de plástico contendo 6,06 gramas de substância que acusou positivo para cocaína nos testes rápidos de despistagem.
Foi também apreendida uma bolsa com 1,13 gramas de sementes de canábis, 94,15 gramas de uma substância de suspeita de produto de corte de cor branca, bem como material destinado ao acondicionamento de droga.
De acordo com o relato da agencia de noticia a inforpress ,Além das substâncias ilícitas, a PJ apreendeu na posse do detido 4.961 escudos cabo-verdianos e várias armas brancas, designadamente uma faca, dois machados e um martelo.
O detido foi presente a primeiro interrogatório judicial na sexta-feira, 07 de Agosto, tendo o Tribunal da Comarca do Sal aplicado a medida de coacção mais gravosa de prisão preventiva.
Na mesma nota, a Polícia Judiciária reforçou o apelo à população da ilha do Sal para que continue a colaborar com as forças de segurança no combate ao crime, denunciando actividades ilícitas através da linha telefónica gratuita de emergência, 134.
O presidente do Iprodial defendeu a adopção de medidas e políticas públicas sustentáveis na área da segurança social, apelando ao Governo e aos parceiros sociais para aprofundarem o debate sobre os desafios do sistema em Cabo Verde.
Entre os desafios identificados, destacou as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores no acesso aos cuidados de saúde, e pediu que o Governo adopte medidas para reduzir os encargos suportados pelos segurados, sobretudo nas consultas em clínicas privadas e na realização de exames complementares de diagnóstico, como a ressonância magnética, disponível apenas no sector privado.
O apelo foi feito na quinta-feira por Júlio Ascenção Silva durante a sessão pública de apresentação das conclusões e recomendações do III Fórum do Instituto para a Promoção do Diálogo Social e Liberdade Sindical (Iprodial), realizado a 19 de Dezembro de 2025, no Mindelo, sob o tema "Sustentabilidade da Segurança Social em Cabo Verde" e o lema "Por uma Segurança Social sustentável e que proteja os segurados e pensionistas".
Segundo Júlio Ascenção Silva, o objectivo do fórum e da sessão pública é proporcionar aos actores sociais, institucionais e técnicos um espaço de diálogo multissectorial para uma análise crítica e construtiva da sustentabilidade da segurança social, com especial enfoque no regime jurídico do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS).
Pretende-se ainda sensibilizar simultaneamente os decisores políticos e os parceiros sociais para a necessidade de adoptar políticas sustentáveis no sector.
“O tema da segurança social é de enorme importância para trabalhadores e empregadores e deve ser debatido e aprofundado no nosso país, algo que infelizmente ainda não tem acontecido da forma desejável”, afirmou.
Entre os desafios identificados, destacou as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores no acesso aos cuidados de saúde, e pediu que o Governo adopte medidas para reduzir os encargos suportados pelos segurados, sobretudo nas consultas em clínicas privadas e na realização de exames complementares de diagnóstico, como a ressonância magnética, disponível apenas no sector privado.
Outro aspecto apontado prende-se com o regime de pensões da Administração Pública e alertou para a existência de diferenças entre os trabalhadores admitidos até 2005, que beneficiam de uma pensão correspondente a 100 por cento (%) do vencimento, e os que ingressaram a partir de 2006, cuja pensão corresponde a 80% salário, desde que cumpram uma carreira contributiva completa de 40 anos.
Segundo explicou, muitos trabalhadores desconhecem esta realidade e acreditam que terão um regime de reforma idêntico ao dos funcionários abrangidos pelo antigo regime do Tesouro.
Durante a sessão realçou que o Sistema Nacional de Segurança Social, em particular o regime jurídico do INPS, desempenha um papel central na protecção dos trabalhadores, pensionistas e respectivas famílias, assegurando prestações sociais nas áreas das pensões, saúde, maternidade, invalidez e sobrevivência.
Contudo, o responsável advertiu que as transformações económicas, sociais, demográficas e laborais, o envelhecimento da população, a baixa densidade contributiva, a elevada informalidade laboral, a precarização do emprego, a imigração e os desafios actuariais do INPS colocam em causa a sustentabilidade futura do sistema, tornando indispensável um debate nacional, plural e tecnicamente fundamentado.
Júlio Ascenção Silva defendeu ainda uma relação mais transparente entre o Estado e o INPS e revelou que está praticamente concluído um protocolo de cooperação entre o Instituto Nacional de Previdência Social e o Iprodial, manifestando expectativa de que o documento venha a ser assinado em breve.
“Nós queremos que o Iprodial dê a sua contribuição para ajudar a superar o défice que existe no país em matéria de diálogo social”, afirmou.
Na ocasião, informou igualmente que se encontra numa fase avançada o processo de criação de um curso modular de especialização, denominado Curso Profissional em Relações Individuais e Colectivas de Trabalho e Diálogo Social, iniciativa que contará com a parceria de uma universidade, com a qual o Iprodial prevê assinar um protocolo de cooperação para a realização conjunta de estudos na área laboral.
Júlio Ascenção Silva recordou ainda que os fóruns promovidos pelo Iprodial têm carácter anual e são organizados em função da relevância dos temas escolhidos, anunciando que a quarta edição já tem data e tema definidos, os quais serão divulgados oportunamente.
O aleitamento materno exclusivo até ao primeiro ano de vida continua a ser “a decisão mais saudável” para o desenvolvimento infantil, reforçou esta segunda-feira o ministro da Saúde, que classificou o leite materno como primeira vacina de uma criança.
Lúcio Fernandes falava à imprensa no âmbito da inauguração de uma sala de apoio à amamentação na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), no quadro da abertura nacional das comemorações da Semana Mundial do Aleitamento Materno e do Agosto Dourado.
“Instituições como a ERIS já dispõem destes espaços, mas o objetivo é estendê-los a todos os centros com grande fluxo de pessoas”, disse o governante, acrescentando que a expansão física das salas exige “um forte investimento” na formação de pessoal especializado.
O sucesso do aleitamento materno, segundo o ministro da Saúde, depende de uma rede que inclui a família, mas também os bancos de leite que garantem reservas seguras nos hospitais do país.
“O leite doado que não é consumido de imediato passa por um processo rigoroso de pasteurização, o que permite aumentar a sua validade e criar reservas estratégicas. Este circuito garante o alimento não só para os filhos das dadoras, mas também para recém-nascidos cujas mães enfrentam dificuldades em amamentar”, explicou.
O representante da Unicef em Cabo Verde, David Marten, por sua vez, considerou a Semana Mundial do Aleitamento como uma campanha de respeito à amamentação, sublinhando que, desde os anos 90, a Unicef e a OMS vêm apoiando o Governo e a sociedade cabo-verdiana nesta caminhada que tem conhecido “muitos avanços e bons resultados”.
“Os últimos dados indicam que aproximadamente 71% das mães iniciam o aleitamento materno desde a primeira hora. Sabemos que o aleitamento materno tem impactos positivos para as crianças e para as mães, pois reforça o sistema imunitário, dá muito mais força e ajuda no contacto humano entre a mãe e o bebé”, afirmou.
David Marten, que reconhece os avanços conseguidos, apontou a existência de desafios que têm a ver com a necessidade de mais apoio para reforçar os ganhos existentes, no sentido de fortalecer o sistema de saúde através de agentes comunitários.
“Vamos apoiar o Governo através da iniciativa ‘Hospitais Amigos da Criança’, para termos mais hospitais que sigam as diretrizes para reforçarmos o sistema de saúde infantil, bem como para continuar a trabalhar no âmbito da vacinação, de modo a manter os ganhos e evitar retrocessos”, realçou, elogiando a cobertura vacinal no país.
Para a vice-reitora para a área académica da Uni-CV, Elga Carvalho, a sala inaugurada está integrada na política da universidade de ser promotora da saúde.
O espaço visa oferecer às estudantes mães um local onde podem amamentar os seus filhos, sempre com a supervisão do enfermeiro que estiver de serviço no gabinete de saúde.
“O trabalho é feito em colaboração com o Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto e, nesta parceria, vamos viabilizar a sala que tem capacidade para receber duas mães em simultâneo para a amamentação”, explicou.
A Semana Mundial do Aleitamento Materno decorre de 01 a 07 de Agosto, estando este ano subordinada ao lema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortaleça o que funciona”.
A Região Sanitária de Santo Antão manifestou esta segunda-feira a sua satisfação pelos resultados conseguidos com a realização no fim de semana da feira de saúde do Monte Trigo, com a presença de uma equipa multidisciplinar.
A direcção da região sanitária avançou, segundo a Inforpress, que iniciativas do tipo permitem levar os cuidados de saúde às localidades mais distantes, aproximando os serviços de saúde das populações e promovendo maior equidade e qualidade no acesso à saúde.
A feira de saúde, que teve o envolvimento de uma equipa multidisciplinar, consistiu na realização de diversas actividades, como consultas, rastreios, acções de educação para a saúde e sensibilização da população, com enfoque na prevenção de doenças, promoção de estilos de vida saudáveis.
A iniciativa contou com a presença das estruturas de saúde da ilha, nomeadamente a Delegacia de Saúde do Porto Novo e o Hospital Regional João Morais, além do Instituto Nacional de Saúde Pública, Câmara Municipal do Porto Novo e Instituto Nacional de Previdência Social, entre outros serviços.
O presidente da Câmara Municipal do Tarrafal, Neivo Araújo, disse este sábado que a requalificação da estrada de acesso à Palhal, irá contribuir para o desenvolvimento desta localidade e, consequentemente, para a melhoria de vida dos moradores.
Em declarações à Inforpress, à margem da inauguração da requalificação do troço da estrada de acesso a Palhal, Neivo Araújo afirmou que a obra responde a uma antiga reivindicação da população, tendo em conta as dificuldades enfrentadas, sobretudo durante a época das chuvas.
Segundo explicou, a intervenção abrangeu cerca de 400 metros de estrada, permitindo facilitar a circulação de pessoas e viaturas, melhorar o acesso às habitações e impulsionar o desenvolvimento social e económico da localidade.
O autarca sublinhou que a câmara municipal reafirma o compromisso de levar o desenvolvimento a todas as localidades do concelho, através da implementação do plano de melhoria das acessibilidades, com vista a criar melhores condições de vida para a população.
Também em declarações à Inforpress, a moradora Missina Cabral manifestou a sua satisfação com a conclusão da obra e destacou a sua importância para a localidade.
"É algo muito importante para a localidade, porque, na época das chuvas, enfrentávamos muitas dificuldades de circulação, principalmente no transporte de doentes, de crianças para a escola e de mercadorias", realçou conforme a fonte referida.
Segundo a moradora, além da melhoria das condições de vida, a obra permitiu igualmente a criação temporária de vários postos de trabalho para homens e mulheres da localidade.
A empreitada representou um investimento de cerca de três mil contos. O presidente da câmara assegurou ainda que o município continuará a apostar em diferentes projectos estruturantes que respondam às necessidades da população.
O bispo do Mindelo anunciou hoje as nomeações para o ano pastoral 2026/2027, com alterações nas paróquias de São Vicente, Santo Antão, Sal e Boa Vista, além de novas missões pastorais e académicas para membros do clero.
As nomeações constam de um decreto episcopal, assinado por Dom Ildo Fortes, no qual o prelado justifica as mudanças com as necessidades pastorais da diocese, visando “reforçar a acção evangelizadora” e “assegurar o acompanhamento das comunidades”, após auscultação do Conselho Presbiteral”.
Entre as principais alterações, o padre Ricardo Jorge Fortes Monteiro foi nomeado pároco da Paróquia de Santa Isabel e vigário paroquial da Paróquia de São João Baptista, na Boa Vista.
Em São Vicente, o padre Eliseu Teixeira Lopes assume as funções de vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Luz e director do Secretariado da Acção Pastoral.
Ainda na mesma ilha, o padre Evanildo Tavares dos Reis passa a exercer o cargo de capelão do Hospital Baptista de Sousa, deixando as funções de vigário paroquial, enquanto o padre José Mário Gonçalves Moreira foi designado colaborador da Paróquia de São Vicente, mantendo as anteriores funções.
Na ilha do Sal, o padre Patrik Mendes Afonso foi nomeado vigário paroquial das Paróquias de Nossa Senhora das Dores e Santo António, mantendo o cargo de membro do Secretariado Diocesano da Comunicação.
Para Santo Antão, o decreto nomeia o padre Paulino Inácio António, sacerdote Fidei Donum da Diocese de Benguela, em Angola, como vigário paroquial de cinco paróquias da ilha.
O padre Antonilton de Pina Gomes, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, assume, por sua vez, o cargo de vigário paroquial das Paróquias de São João Baptista e São João Paulo II.
O padre Filipe Justino Kaminguelengue foi nomeado director espiritual do Seminário Diocesano Cristo Bom Pastor, mantendo as restantes funções.
O decreto determina ainda que o padre Adriano dos Reis Cabral ficará ausente da Diocese de Mindelo durante três anos para frequentar a licenciatura em Direito Canónico na Pontifícia Universidade de Salamanca, em Espanha.
Durante esse período, avançou o mesmo documento, será acolhido na Arquidiocese de Braga, em Portugal, onde exercerá funções pastorais, ficando dispensado dos actuais cargos na Boa Vista, mas mantendo responsabilidades nos órgãos diocesanos para os assuntos económicos e gestão do património.
O padre Paulo Borges Vaz continuará ao serviço da Diocese de Santiago de Cabo Verde como sacerdote Fidei Donum.
No âmbito da formação, o diácono Erson Patrick Rosário da Cruz realizará estágio pastoral como colaborador das paróquias de Santa Isabel e São João Baptista, na Boa Vista.
Os seminaristas Adriano Winachaly Sanhá Ialá e Yekini Timothy Fortes Pereira cumprirão estágios pastorais, respectivamente, nas paróquias de Nossa Senhora das Dores e Santo António, no Sal, e de Nossa Senhora da Luz, em São Vicente.
O bispo da Igreja Nova Apostólica Marcelino Santos desafiou esta sexta-feira os jovens a serem diferentes, a viverem a fé com coragem e a permanecerem firmes nos valores cristãos.
Marcelino Santos, que presidiu a cerimónia da abertura do II Acampamento Nacional da Juventude, que decorre até 03 de Agosto na vila de Ponta Verde, sublinhou que os jovens vivem numa sociedade marcada por múltiplos desafios e distrações.
Sob o lema "Um só Cristo, um só irmão", o acampamento reúne jovens de várias ilhas do país com o propósito de fortalecer a comunhão, a fraternidade e o crescimento espiritual.
Na sua mensagem, Marcelino Santos afirmou que, apesar das diferenças de crenças, famílias, histórias de vida e talentos, todos estão unidos por Jesus Cristo, sublinhando que esse espírito deve orientar os dias de convivência, aprendizagem, serviço e celebração.
O bispo reconheceu que os jovens enfrentam hoje um contexto muito diferente daquele vivido pelas gerações anteriores, caracterizado pelo avanço da tecnologia, pelas redes sociais e por inúmeras ofertas que podem afastá-los dos valores cristãos.
"Seja diferente na maneira como enfrenta as dificuldades, na honestidade, na pureza, nas responsabilidades, na fé e na forma como serve os outros", apelou o bispo, que acrescentou que amor, amizade, fraternidade, respeito e fé são valores que nunca devem perder a sua importância.
O bispo considerou ainda que um dos maiores desafios da actual geração é encontrar jovens determinados e comprometidos com uma vida de santidade, defendendo que o acampamento constitui uma oportunidade para consolidar a fé e preparar os participantes para enfrentarem os desafios da sociedade.
Segundo Marcelino Santos, a escolha da ilha do Fogo para acolher a segunda edição do acampamento deve-se ao facto de concentrar o maior número de membros e de jovens da Igreja Nova Apostólica, facilitando uma maior participação.
Apesar de o número de participantes ter ficado abaixo das expectativas, devido às dificuldades financeiras enfrentadas pelos jovens para suportarem os custos da deslocação, o responsável mostrou-se satisfeito com a adesão alcançada e com o apoio de parceiros.
Algumas ilhas, como São Nicolau, não conseguiram participar devido a constrangimentos relacionados com os transportes e os elevados custos das viagens.
Marcelino Santos considerou que o principal benefício do encontro recai sobre os próprios jovens, que regressam às suas comunidades mais fortalecidos espiritual e moralmente, contribuindo também para uma sociedade mais solidária e para uma igreja mais preparada para o futuro.
"Vivemos numa sociedade com muitas ofertas mundanas e queremos preparar os jovens para serem mais dignos, sinceros e respeitados, para que todos saiam a ganhar", finalizou.
Um grupo de activistas e cidadãos cabo-verdianos na diáspora denunciou esta quinta-feira a exposição sistemática de crianças e famílias vulneráveis nas redes sociais por voluntários estrangeiros, anunciando a recolha de assinaturas para levar o assunto ao parlamento.
Entre as situações concretas citadas na denúncia sobressai o caso de uma cidadã de nacionalidade portuguesa, identificada no manifesto como Patrícia Sabrosa, que visita o arquipélago com frequência para acções sociais.
A posição consta de um manifesto enviado à comunicação social, no qual o grupo alerta que o aumento da afluência de visitantes, criadores de conteúdo e voluntários a Cabo Verde tem trazido novos desafios à salvaguarda da dignidade, da privacidade e dos direitos da população desfavorecida, com foco particular nas crianças.
De acordo com o documento, tornou-se "frequente e descontrolada" a publicação de imagens captadas em estabelecimentos de ensino, bairros e zonas rurais, transformando a fragilidade social em conteúdos digitais expostos globalmente.
Entre as situações concretas citadas na denúncia sobressai o caso de uma cidadã de nacionalidade portuguesa, identificada no manifesto como Patrícia Sabrosa, que visita o arquipélago com frequência para acções sociais.
"A pobreza e a vulnerabilidade social não podem ser utilizadas como elementos de narrativa para promover acções de voluntariado ou qualquer outro tipo de divulgação pública. A solidariedade deve promover direitos e nunca a exposição da fragilidade como forma de validação de terceiros", lê-se no manifesto.
Os activistas apontam a divulgação de uma fotografia em que a voluntária surge a encostar uma garrafa de cerveja à boca de uma bebé, bem como a difusão de vídeos gravados no interior de residências particulares, para angariação de fundos, nos quais figuram menores com as partes íntimas expostas.
A denúncia repudia ainda a utilização do termo "meu macaquinho" por parte da voluntária para se referir a uma criança cabo-verdiana ao colo num vídeo divulgado na rede social TikTok.
Para o grupo, a expressão atenta contra a dignidade humana, carrega "um peso histórico desrespeitoso" para a população africana e traduz atitudes que não podem ser "normalizadas ou romantizadas" sob a capa da solidariedade.
"A pobreza e a vulnerabilidade social não podem ser utilizadas como elementos de narrativa para promover acções de voluntariado ou qualquer outro tipo de divulgação pública. A solidariedade deve promover direitos e nunca a exposição da fragilidade como forma de validação de terceiros", lê-se no manifesto.
Os subscritores recordam que o Código Penal cabo-verdiano prevê sanções para a devassa da vida privada e a difusão não autorizada de imagens, advertindo que muitas famílias vulneráveis carecem de discernimento sobre o alcance da Internet e os riscos de apropriação indevida por redes ilícitas.
Perante esta situação, o grupo exige a definição de critérios rigorosos de selecção, formação e fiscalização de voluntários e organizações estrangeiras, bem como a protecção do anonimato de menores em acções sociais.
Para viabilizar a intervenção legislativa, está em curso um abaixo-assinado digital com o intuito de reunir pelo menos 500 assinaturas para remeter a iniciativa à Assembleia Nacional, visando suscitar o debate parlamentar e promover a criação de um quadro legal específico de protecção aos menores.
Três incêndios registados esta quinta-feira em Santa Catarina mobilizaram bombeiros de três municípios e reacenderam o alerta das autoridades para os perigos das queimadas durante a preparação dos terrenos destinados à agricultura de sequeiro.
Segundo o responsável, os três casos elevaram para 25 o número de incêndios registados no município durante este mês, situação que considera preocupante numa altura em que se intensificam os trabalhos de preparação dos terrenos agrícolas para a época das chuvas.
As ocorrências foram registadas em Engenhos, Achada Lém e Achada Fora, no caminho para Ribeira da Barca, obrigando à intervenção conjunta dos bombeiros municipais de Santa Catarina, Tarrafal, São Salvador do Mundo e da Protecção Civil.
Em declarações à Inforpress, o comandante dos Bombeiros Municipais de Santa Catarina, Norberto Monteiro, informou que o incêndio em Engenhos foi rapidamente dominado.
Os fogos em Achada Lém e Achada Fora, por seu lado, continuam a ser combatidos devido às dificuldades de acesso para viaturas, levando as equipas a concentrarem esforços na limpeza dos arredores para travar a propagação das chamas.
Segundo o responsável, os três casos elevaram para 25 o número de incêndios registados no município durante este mês, situação que considera preocupante numa altura em que se intensificam os trabalhos de preparação dos terrenos agrícolas para a época das chuvas.
Norberto Monteiro alertou que muitas queimadas continuam a ser realizadas sem controlo nem medidas de segurança, colocando em risco o ambiente, habitações, bens e vidas humanas.
Defendeu, por isso, que os resíduos agrícolas sejam aproveitados para fertilização dos solos e apelou para que qualquer queimada seja previamente comunicada aos bombeiros ou à câmara municipal.
O comandante recomendou ainda que os moradores mantenham limpas as áreas em redor das habitações e que a população participe no combate inicial aos incêndios, quando tal puder ser feito em segurança, por considerar que uma intervenção rápida pode evitar ocorrências de maiores proporções.
Também no terreno, o vereador da Protecção Civil, João Mascarenhas, acrescentou que a câmara municipal vai reforçar a aplicação das normas previstas no regime legal das queimadas e incêndios rurais, advertindo que os infractores poderão ser responsabilizados.
Em Cabo Verde, a realização de queimadas está sujeita a regras de segurança e fiscalização, visando prevenir incêndios, proteger pessoas, bens e o ambiente.
O presidente do conselho de administração da Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS), Eduardo Tavares, classificou esta quarta feira o lançamento do Sistema Integrado de Monitorização do Mercado Farmacêutico (SIMFAR) como “início de uma nova etapa” na saúde pública nacional.
A apresentação oficial da plataforma tecnológica da ERIS decorreu no auditório do BAI Center, na Praia, visando modernizar a regulação e fiscalização do sector em Cabo Verde através da recolha e análise sistemática de dados.
“Hoje damos mais um passo firme na construção de uma regulação moderna, inteligente, transparente e orientada por evidências. Uma regulação capaz de antecipar desafios, apoiar a tomada de decisões e criar valor para todo o ecossistema de saúde”, destacou Eduardo Tavares.
Com este ambiente mais transparente, o responsável garantiu que os operadores económicos ganham previsibilidade, os decisores públicos obtêm bases sólidas para o planeamento e a população beneficia de um mercado farmacêutico “muito mais estável”.
“Mais do que um sistema de informação, o SIMFAR constitui uma verdadeira infraestrutura nacional de inteligência regulatória, uma plataforma que permite tratar dados com conhecimentos estratégicos para apoiar decisões públicas mais eficazes”, afirmou, explicando que a sua principal função é monitorar a disponibilidade de medicamentos no mercado e apoiar a fixação de preços de forma justa e transparente.
O sucesso do SIMFAR, segundo o presidente da ERIS, depende em larga medida da colaboração das instituições económicas e de todos os que integram o circuito dos medicamentos.
Presente no acto de lançamento, o secretário de Estado da Saúde, Artur Veiga, enquadrou a iniciativa no processo de aceleração da transição digital e na governação assente em dados promovida pelo executivo.
“Para o Governo, esta iniciativa enquadra-se plenamente na visão da modernização do sistema nacional de saúde assente na inovação, na digitalização e na utilização inteligente da informação para melhorar a qualidade dos serviços, reforçar a transparência e garantir maior eficiência na gestão do sector”, sublinhou o governante.
Artur Veiga reiterou o compromisso do Governo em reforçar a interoperabilidade dos sistemas digitais de saúde, o fortalecimento institucional e a tomada de decisões públicas devidamente fundamentadas em evidências estatísticas.
O navio Djabraba chegou esta terça-feira, 28, à ilha do Sal, por volta das 09:30, concluindo com êxito a viagem iniciada na Noruega, preparando-se para reforçar a ligação marítima entre as ilhas Brava e do Fogo.
Um dos proprietários da embarcação, Robert Burnier, disse no local que a chegada da nova embarcação é acompanhada “de grande expectativa” por parte das populações, operadores económicos e autoridades locais, tendo em conta os benefícios esperados para o transporte inter-ilhas, o abastecimento de bens essenciais e o desenvolvimento das actividades comerciais entre as duas ilhas vizinhas.
A travessia até alcançar o arquipélago cabo-verdiano incluiu escalas técnicas em França, Espanha, Peniche e Madeira (Portugal) e Ilhas Canárias.
Com 26 metros de comprimento e capacidade para transportar 85 passageiros, além de carga, a embarcação é vista como “um importante reforço” para a rota Brava-Fogo, uma linha considerada fundamental para a mobilidade de pessoas e mercadorias na região sul do país.
Um dos proprietários da embarcação, Robert Burnier, disse no local que a chegada da nova embarcação é acompanhada “de grande expectativa” por parte das populações, operadores económicos e autoridades locais, tendo em conta os benefícios esperados para o transporte inter-ilhas, o abastecimento de bens essenciais e o desenvolvimento das actividades comerciais entre as duas ilhas vizinhas.
Antes de dar início às operações regulares, o navio será submetido a inspecções e vistorias técnicas, bem como ao processo de licenciamento por parte das autoridades marítimas cabo-verdianas, etapa indispensável para garantir o cumprimento de todos os requisitos de segurança e navegação exigidos pela legislação nacional.
Concluídos estes procedimentos burocráticos e de salvaguarda, segundo a mesma fonte, a embarcação entrará oficialmente em serviço, contribuindo para “uma maior regularidade” nas ligações marítimas, aumento da capacidade de transporte de passageiros e carga, e para a melhoria das condições de mobilidade dos residentes da Brava e do Fogo.
A entrada em operação do “Djabraba”, ainda segundo Robert Burnier, representa assim “mais um passo na consolidação e no reforço da conectividade marítima” em Cabo Verde, aproximando comunidades, facilitando o comércio regional e alavancando o desenvolvimento económico e social das duas ilhas.
O Governo do Uganda declarou hoje o país "livre de Ébola", após 42 dias sem novas infeções, requisito para declarar oficialmente o fim da epidemia que se espalhou para o território ugandense a partir da República Democrática do Congo.
"O Ministério da Saúde tem o prazer de anunciar que o Uganda declarou oficialmente o fim do surto [que evoluiu para epidemia] de Ébola de 2026 (...). A declaração segue-se à conclusão bem-sucedida do período obrigatório de monitorização de 42 dias, que começou após a alta do último cidadão ugandense, um paciente de transmissão local, a 16 de junho", disse o ministério em comunicado.
O Governo ugandense declarou, por isso, o fim da epidemia, calculando a partir da alta do último doente de transmissão local, embora o último doente com ébola, um cidadão congolês, só tenha saído do hospital na capital, Kampala, a 16 de julho.
"O Ministério reconhece que o critério tradicional de 42 dias tem servido bem a comunidade global de saúde pública e continua a ser uma salvaguarda essencial em surtos onde a transmissão é incerta e contínua", referiu o comunicado.
No entanto, sublinhou que, "ao contrário dos surtos anteriores de Ébola em que se baseava a atual política de declaração de 42 dias, o surto de Ébola de 2016 teve origem num caso importado totalmente documentado [da República Democrática do Congo]".
Além disso, "a origem da infeção foi identificada, a via de introdução foi determinada, foi estabelecido um vínculo epidemiológico entre todos os casos confirmados, as cadeias de transmissão foram totalmente caracterizadas e reconstruídas, e todos os contactos identificados foram colocados em quarentena (...) e completaram o período obrigatório de monitorização de 21 dias", acrescentou.
Por isso, as autoridades ugandesas consideraram que, neste caso, "um intervalo de tempo fixo por si só pode já não ser a única base para determinar que a transmissão terminou".
O Uganda registou 20 casos confirmados de Ébola desde que a epidemia se espalhou a partir da República Democrática do Congo (RDCongo), incluindo 15 casos considerados importados daquele país, resultando em duas mortes.
O surto foi declarado a 15 de maio no leste da RDCongo, país que já registou 1.437 mortes e 3.262 casos confirmados da doença em cinco províncias, segundo os últimos dados oficiais divulgados hoje.
A epidemia corresponde à estirpe Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade varia entre os 30% e os 50% e para a qual não existe vacina ou tratamento específico autorizado, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), que considera o risco de propagação do surto na África Subsariana como "elevado" e "baixo" à escala global.
Esta é a terceira pior epidemia de Ébola da história, apenas ultrapassada pela que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016, que fez cerca de 11.000 mortos e 28.000 infetados; e por outra que afetou o leste do Congo entre 2018 e 2020, provocando 2.299 mortes e 3.481 casos.
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragia interna.
O executivo cabo verdiano vai aumentar a pensão social para 15 mil escudos até 2031, o equivalente a metade do salário mínimo, que pretende fixar em 30 mil escudos. A medida integra o plano de reforço da protecção social para os próximos cinco anos.
Actualmente, a pensão social em Cabo Verde é de sete mil escudos mensais. No entanto, segundo a ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adélsia Almeida, o objectivo do Governo é elevar esse valor para 15 mil escudos por mês.
"Nós teremos, nos sucessivos orçamentos, de aumentar o montante destinado à pensão social. E, por outro lado, comprometemo-nos, no programa do Governo, a que, até 2031, a pensão social corresponda a 50 por cento do salário mínimo. Fizemos isso porque sabemos que temos uma população que está a envelhecer e que começa a ter novas necessidades relacionadas com a saúde, a alimentação e a mobilidade. Temos de trabalhar esta questão para cuidar daqueles que, durante toda a vida, se dedicaram a nós."
A responsável pela pasta da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho falava aos jornalistas à margem da cerimónia de encerramento do Ano Jubilar dos Idosos, realizada este domingo na Paróquia de São Filipe Apóstolo, na cidade da Praia, para assinalar o Dia dos Avós.
Na ocasião, Adélsia Almeida reafirmou ainda o compromisso do Governo no combate ao isolamento social e na valorização das pessoas idosas, reconhecendo o papel das comunidades paroquiais como parceiras fundamentais nas causas sociais do país.
Garantiu também que o executivo vai formar mais cuidadores de idosos e regulamentar a profissão, como resposta ao envelhecimento da população.
O Governo cabo-verdiano vai lançar um projeto-piloto para alargar o horário em escolas de três ilhas, mantendo os alunos em espaços supervisionados fora das aulas e aliviando famílias, sobretudo avós, dos cuidados diários.
Segundo a ministra, a medida permitirá aos pais e encarregados de educação conciliarem a atividade profissional com o acompanhamento dos filhos, beneficiando também o desenvolvimento das crianças.
"Vamos começar no próximo ano letivo" (2026/2027), nas ilhas do Sal, Boa Vista e Santiago, nomeadamente na cidade da Praia, "projetos pilotos com algumas escolas para alargar o horário escolar" e avaliar um eventual "alargamento" da medida em todo o país, anunciou no domingo, a ministra da Família Adélsia Almeida, citada pela Rádio de Cabo Verde (RCV).
Segundo a governante, a medida pretende garantir que as crianças permaneçam em espaços supervisionados quando não estão nas aulas, com apoio ao estudo e atividades lúdico-pedagógicas, além de aliviar os avós que asseguram frequentemente os seus cuidados quando os pais emigram.
"Vamos, no período contrário às aulas, ter espaços para as crianças. Há escolas que, devido à diminuição do número de alunos, podem manter os alunos nas próprias instalações, mas há outras que continuam a funcionar em turnos de manhã e de tarde", afirmou.
Nesses casos, o Governo prevê recorrer a Atividades de Tempos Livres (ATL) próximas das escolas para garantir que as crianças permaneçam sob supervisão de adultos até às 17:00 ou 18:00.
Segundo a ministra, a medida permitirá aos pais e encarregados de educação conciliarem a atividade profissional com o acompanhamento dos filhos, beneficiando também o desenvolvimento das crianças.
Em maio, dois sociólogos cabo-verdianos ouvidos pela Lusa alertaram que, além dos impactos económicos mais mediatizados, a emigração está a fragilizar as redes familiares de apoio em Cabo Verde, apontando a situação das crianças cujos pais emigraram como um dos exemplos.
"Os filhos continuam a ficar com as avós, com as madrinhas, com as mesmas pessoas, mas esta rede está mais fraca. A sociedade é maior, os perigos aumentaram e há transformações que podem prejudicar o bem-estar das crianças e dos adolescentes. Quando essa rede falha, cabe ao Estado assegurar o suporte", disse à Lusa o sociólogo Redy Lima.
Também o sociólogo Elísio Semedo alertou para a crescente fragilidade das redes familiares que acolhem as crianças quando os pais emigram.
"Antes havia um cuidado mútuo e uma forma mais homogénea de educar. Mesmo sem escolaridade, as avós tinham uma forte capacidade de acompanhamento. Hoje, o contexto é diferente, há mais exigências e quem fica nem sempre tem condições para acompanhar as crianças, sobretudo na adolescência", afirmou.
Segundo o especialista, esta fragilidade torna-se mais evidente num contexto social mais complexo, em que os cuidadores enfrentam maiores dificuldades para acompanhar o desenvolvimento e a educação das crianças.
O Banco de Cabo Verde (BCV) promove no sábado, 25, uma feira de saúde que inclui rastreios do cancro do colo de útero, medição da tensão arterial, glicémia e índice de massa corporal, no bairro do Brasil.
De acordo com um comunicado enviado à Inforpress, a feira de saúde, que acontece em Achada de Santo António, cidade da Praia, tem como lema “Saúde que nos une!”.
A programação tem início com uma sessão de exercícios físicos destinada à comunidade, dinamizada pela Associação Movidoso.
Ao longo da manhã, os participantes poderão beneficiar de diversos rastreios e serviços de saúde.
Ainda segundo a mesma fonte, a comunidade tem possibilidade de fazer testes rápidos para infeções sexualmente transmissíveis (VIH, clamídia, hepatites e sífilis), despiste de tuberculose, avaliação clínica e nutricional, bem como rastreios e aconselhamento em saúde oral.
Segundo a mesma fonte, inclui também rastreios do cancro da mama e da próstata, que serão realizados pelo médico Henrique Vera-Cruz.
A iniciativa é organizada pelo Banco de Cabo Verde em parceria com o Centro de Saúde de Achada de Santo António, Verdefam, K-DENT, Associação Movidoso, Tabanka Txada, Kapelona e o médico Henrique Vera-Cruz.
O reverendo da Igreja do Nazareno defendeu hoje o reforço da influência positiva da igreja na sociedade cabo-verdiana, com vista a contribuir para o desenvolvimento do país, apelando aos fiéis para renovarem o compromisso com os valores cristãos.
Gastão Correia, que é também superintendente do Distrito Sul de Cabo Verde da Igreja do Nazareno, fez estas afirmações à imprensa, à margem da sexta Assembleia da Igreja do Nazareno – Distrito Sul que decorre de hoje a domingo, 26, na cidade da Praia.
Segundo o responsável, o encontro anual reúne delegados e pastores das diversas ilhas para apresentação de relatórios, realização de eleições, reflexão sobre o trabalho desenvolvido e momentos de comunhão entre os membros.
"O balanço é positivo, porque Deus tem estado connosco e temos procurado dar a nossa contribuição para que a sociedade cabo-verdiana seja melhor", afirmou.
Sob o lema "Reacenda a chama em nós", a assembleia, conforme explicou, pretende incentivar os fiéis a fortalecerem a sua relação com Deus e renovarem o compromisso com a missão da Igreja.
"O tema foi escolhido para servir de despertar, para que tomemos consciência de que precisamos aproximar-nos mais de Deus, receber a Sua força e continuar a servir", explicou.
Defendeu, por outro lado, a necessidade, a capacitação dos membros, sobretudo dos jovens, para preparar uma nova geração de servidores capazes de enfrentar as exigências atuais da sociedade.
“A Igreja acredita nos jovens. Não são o futuro da nação, mas o presente. Estão aqui para servir”, afirmou.
O superintendente explicou que as formações promovidas durante a Assembleia procuram envolver tanto os mais novos como os líderes com maior experiência, através da partilha de conhecimentos e estratégias para melhorar o serviço da Igreja.
“Temos pessoas que são mais experientes, pastores e leigos, que estão aqui para passar experiências. Chamamos pessoas que têm alguma formação académica ou teológica em estratégias para capacitar não só os mais novos, mas todos nós”, explicou.
Segundo acrescentou, o objectivo é dotar os membros de ferramentas que permitam uma resposta mais eficaz às necessidades das comunidades.
Questionado sobre os desafios enfrentados pela Igreja, Gastão Correia disse que a instituição acompanha as dificuldades vividas pela população cabo-verdiana e procura responder não apenas no plano espiritual, mas também social, através da Liga Nazarena de Solidariedade.
Segundo indicou, a organização apoia famílias vulneráveis, desenvolve projectos com crianças e mantém acções de aconselhamento e assistência, contando com o apoio de parceiros nacionais e internacionais.
Instado ainda sobre o crescimento do número de igrejas evangélicas no país, o superintendente considerou importante haver uma convivência harmoniosa entre as diferentes confissões religiosas, considerando que existe espaço para todas contribuírem para o bem comum.
"Há lugar para todo o mundo e nós podemos, juntos, continuar a servir Cabo Verde", sustentou.
A sexta Assembleia Distrital da Igreja do Nazareno decorre até domingo, reunindo membros, líderes e delegados das ilhas do Sotavento para cultos, sessões de formação, workshops, deliberações e actividades de evangelização.
A mobilidade urbana choca todos os dias com a dura necessidade de sobrevivência nas calçadas da capital, onde a urgência do ganha-pão disputa cada metro quadrado com carros, esplanadas e o direito de caminhar em segurança.
É entendimento geral que é urgente passar da reacção pontual para um planeamento urbano inclusivo, exigindo-se das autoridades a criação de mercados de proximidade dignos que retirem as rabidantes da extrema vulnerabilidade do asfalto, acompanhada de uma fiscalização firme sobre o estacionamento ilegal e o bloqueio comercial dos passeios.
Por entre o cinzento do betão e o ritmo acelerado da Praia, o peão aprendeu a equilibrar-se num espaço cada vez mais espremido.
São oito da manhã. O sol começa a aquecer as paredes cinzentas dos edifícios, mas o trânsito já não espera por ninguém, e mal começa o dia, na calçada — já por si estreita e recortada por buracos e pedras soltas —, não há espaço para pôr um pé.
Nesta ronda, a Inforpress constata, de um lado, alguidares coloridos repletos de peixe, frutas e vegetais e, do outro, uma viatura estacionada com duas rodas em cima do passeio e as cadeiras de uma esplanada a fechar o corredor.
Para dona Cesaltina de 68 anos, que caminha devagar com a ajuda de uma bengala, a escolha não é uma questão de preferência, mas de necessidade, descer a guia e caminhar no asfalto, isto é, dar um passo para baixo, saindo da parte elevada do passeio para entrar na faixa de rodagem dos veículos.
“Caminhar no passeio é impossível. Se não tropeço numa bacia, bato no espelho de um carro. O problema é que na estrada os carros passam a rasar. A gente vive com o coração na mão”, desabafa a reformada enquanto se desvia de um ‘hiace’ que buzina nas suas costas.
Dona Cesaltina não está só. Grávidas com sacos de compras, mães com carrinhos de bebé e pessoas com mobilidade reduzida partilham diariamente a via de rodagem com táxis, autocarros e carrinhas de carga, num jogo perigoso de esquiva urbana.
A poucos metros dali, sentada num banco de plástico improvisado, está a ‘rabidante’ (vendedora) Luísa Mendes que, com quatro filhos para sustentar e sem qualquer alternativa no mercado formal, faz da calçada o seu posto de trabalho há mais de uma década.
“Ninguém gosta de estar aqui no meio da poeira e do perigo. Se eu tivesse um espaço coberto, com clientes a entrar, achas que ficava ao sol?” pergunta, enquanto arruma cuidadosamente as mangas na bacia.
“Nós sabemos que atrapalhamos quem passa, mas se sair daqui os meus filhos não comem à noite. É uma questão de prioridade”, exterioriza.
O cenário no Sucupira não é isolado, repete-se na Achada Santo António, no Plateau, e outras zonas, revelando a verdadeira anatomia deste conflito urbano.
No centro da questão está uma premente necessidade social, na medida em que, longe de ser um capricho, o comércio informal funciona como a principal rede de salvação económica perante a escassez de emprego formal, constituindo a verdadeira espinha dorsal do sustento de milhares de famílias na capital.
Esta realidade choca de frente com um evidente gargalo urbano, onde a infraestrutura da cidade simplesmente não acompanha o seu crescimento acelerado.
Trata-se de um espaço público sufocado, com passeios que muitas vezes não chegam a ter um metro de largura útil, desprovidos de rampas e constantemente bloqueados por esplanadas fixas ou pelo estacionamento selvagem de uma frota automóvel fora de controlo.
O impacto na segurança surge como a consequência mais grave deste estrangulamento, pelo que, sem espaço para circular, centenas de peões, entre os quais idosos, grávidas e crianças, são diariamente empurrados para a faixa de rodagem em zonas de tráfego intenso, elevando drasticamente o risco de atropelamentos e transformando a simples caminhada diária num acto de coragem.
Para a maioria das pessoas abordadas pela Inforpress, o grande desafio da Praia reside precisamente nesta balança delicada: de um lado, a urgência da subsistência diária, do outro, o direito básico à cidade, à acessibilidade universal e à segurança rodoviária.
No entender destas, a solução não passa por apagar a vitalidade do comércio de rua — que é parte integrante da identidade cabo-verdiana —, mas por desenhar soluções inclusivas como mercados de proximidade dignos, fiscalização efectiva do espaço público e um planeamento urbano que volte a colocar o peão no centro das atenções.
Até lá, as calçadas da Praia continuam a ser este palco vivo de negociação diária, onde cada metro quadrado disputado conta uma história de sobrevivência e resistência urbana.
As pessoas almejam ver e viver numa cidade capital bonita e aprazível, pelo que o apelo que emerge desta realidade dirige-se, em primeiro lugar, à Câmara Municipal e ao Governo.
É entendimento geral que é urgente passar da reacção pontual para um planeamento urbano inclusivo, exigindo-se das autoridades a criação de mercados de proximidade dignos que retirem as rabidantes da extrema vulnerabilidade do asfalto, acompanhada de uma fiscalização firme sobre o estacionamento ilegal e o bloqueio comercial dos passeios.
Em jogo não está apenas a estética da capital, mas a dignidade de quem trabalha e a segurança de quem nela caminha.
O apelo ganha hoje uma urgência renovada, já que, segundo o engenheiro José Monteiro, se antes a gestão do espaço público ficava refém de empurrões institucionais, a nova geografia política não deixa margem para esquivas: a Câmara e o Governo falam hoje a mesma língua e partilham a mesma visão.
Resta saber se este alinhamento perfeito se traduzirá em soluções concretas para as ‘rabidantes’ e para os peões, ou se a calçada continuará a ser o parente pobre das prioridades da capital.
O prazo de inscrição para o Verão Jovem – Desporto de Praia e a IV Edição do São Filipe “Coding Summer Boot Camp” 2026, integrados no programa Cidade Capital Cabo-verdiana da Juventude – São Filipe 2026, termina hoje.
As duas actividades são promovidas pela câmara de São Filipe e as pessoas interessadas podem ainda inscrever-se já que a data limite termina hoje.
O Verão Jovem – Desporto de Praia visa incentivar a prática desportiva, promover o convívio saudável, fortalecer o espírito de equipa e proporcionar uma ocupação positiva dos tempos livres durante o período de férias.
O programa contempla competições nas modalidades de futebol de praia, andebol de praia, voleibol de praia e teqball, oferecendo aos participantes uma oportunidade para aliarem desporto, lazer e convivência.
O “Coding Summer Boot Camp 2026”, que vai na sua quarta edição, é um programa de formação direccionado para crianças e jovens, com foco nas áreas da tecnologia, programação, criatividade digital e inovação.
A principal novidade desta edição é a introdução do “Scratch Jr”, uma plataforma concebida para iniciar as crianças mais novas no universo da programação de forma lúdica e educativa.
Através desta ferramenta, os participantes poderão criar histórias, jogos e animações, desenvolvendo competências como o raciocínio lógico, a criatividade e a resolução de problemas.
A edilidade incentiva os pais e encarregados de educação a aproveitarem esta oportunidade de aprendizagem, sublinhando que as competências digitais constituem uma ferramenta essencial para o futuro das novas gerações.
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SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...