O Governo cabo-verdiano vai lançar um projeto-piloto para alargar o horário em escolas de três ilhas, mantendo os alunos em espaços supervisionados fora das aulas e aliviando famílias, sobretudo avós, dos cuidados diários.
Segundo a ministra, a medida permitirá aos pais e encarregados de educação conciliarem a atividade profissional com o acompanhamento dos filhos, beneficiando também o desenvolvimento das crianças.
"Vamos começar no próximo ano letivo" (2026/2027), nas ilhas do Sal, Boa Vista e Santiago, nomeadamente na cidade da Praia, "projetos pilotos com algumas escolas para alargar o horário escolar" e avaliar um eventual "alargamento" da medida em todo o país, anunciou no domingo, a ministra da Família Adélsia Almeida, citada pela Rádio de Cabo Verde (RCV).
Segundo a governante, a medida pretende garantir que as crianças permaneçam em espaços supervisionados quando não estão nas aulas, com apoio ao estudo e atividades lúdico-pedagógicas, além de aliviar os avós que asseguram frequentemente os seus cuidados quando os pais emigram.
"Vamos, no período contrário às aulas, ter espaços para as crianças. Há escolas que, devido à diminuição do número de alunos, podem manter os alunos nas próprias instalações, mas há outras que continuam a funcionar em turnos de manhã e de tarde", afirmou.
Nesses casos, o Governo prevê recorrer a Atividades de Tempos Livres (ATL) próximas das escolas para garantir que as crianças permaneçam sob supervisão de adultos até às 17:00 ou 18:00.
Segundo a ministra, a medida permitirá aos pais e encarregados de educação conciliarem a atividade profissional com o acompanhamento dos filhos, beneficiando também o desenvolvimento das crianças.
Em maio, dois sociólogos cabo-verdianos ouvidos pela Lusa alertaram que, além dos impactos económicos mais mediatizados, a emigração está a fragilizar as redes familiares de apoio em Cabo Verde, apontando a situação das crianças cujos pais emigraram como um dos exemplos.
"Os filhos continuam a ficar com as avós, com as madrinhas, com as mesmas pessoas, mas esta rede está mais fraca. A sociedade é maior, os perigos aumentaram e há transformações que podem prejudicar o bem-estar das crianças e dos adolescentes. Quando essa rede falha, cabe ao Estado assegurar o suporte", disse à Lusa o sociólogo Redy Lima.
Também o sociólogo Elísio Semedo alertou para a crescente fragilidade das redes familiares que acolhem as crianças quando os pais emigram.
"Antes havia um cuidado mútuo e uma forma mais homogénea de educar. Mesmo sem escolaridade, as avós tinham uma forte capacidade de acompanhamento. Hoje, o contexto é diferente, há mais exigências e quem fica nem sempre tem condições para acompanhar as crianças, sobretudo na adolescência", afirmou.
Segundo o especialista, esta fragilidade torna-se mais evidente num contexto social mais complexo, em que os cuidadores enfrentam maiores dificuldades para acompanhar o desenvolvimento e a educação das crianças.
A Semana com NM/Lusa

Reportar
Os meus comentários