sexta-feira, 16 outubro 2026

Língua materna: Escritor denuncia “simulacro” e “fraude” no processo de introdução no ensino da língua cabo-verdiana

“O processo de introdução no ensino é um simulacro e uma fraude à Constituição. Como é que é possível dignificar a língua cabo-verdiana colocando o seu ensino nos últimos anos do secundário, como matéria opcional, sem professores formados para tal?”, questionou o poeta e tradutor de Camões, Fernando Pessoa e da Declaração Universal dos Direito Humanos para a língua cabo-verdiana.

Para José Luiz Tavares, ao proceder-se dessa forma, dá-se a ideia que há um intuito de fazer com que os resultados alcançados não sejam satisfatórios e, desse modo, com base nisso, encontrar-se um “alibi para postergar para um futuro incerto a sua introdução plena no ensino”.

Em declarações hoje à Inforpress, Dia Internacional da Língua Materna, o mais premiado poeta cabo-verdiano considerou que em termos institucionais Cabo Verde não deu um único passo em frente.

“Pudera! se um dos conselheiros do primeiro-ministro é um dos maiores reacionários linguísticos em matéria da língua materna cabo-verdiana”, ironizou.

E prosseguiu: “Não se pode perguntar a um ser humano se ele quer aprender a sua língua, ou se ele quer ser livre: é uma pergunta ilegítima, porque o homem nasce livre, e a primeira manifestação dessa liberdade é capacidade de ele exprimir a sua mundividência por escrito ou oralmente na sua língua natural”.

O processo do ensino massivo da língua materna, acrescentou, tem que começar com a formação de professores e investigadores, e com a introdução em todos os cursos das universidades públicas cabo-verdianas uma disciplina de introdução aos estudos da língua cabo-verdiana ou cabo-verdiano elementar, e negociar com as universidades privadas também a sua introdução.

Defendeu que nos concursos para lecionação nas universidades devia haver o quesito do domínio formal escrito da língua cabo-verdiana, “que é uma forma de incentivar os professores” a aprender formalmente a língua cabo-verdiana.

“Aliás, a Universidade de Cabo Verde devia ter cursos de língua cabo-verdiana em horário pós-laboral para os seus docentes, cuja esmagadora maioria não domina formalmente a sua língua natural”, observou.

 

A Semana com Inforpress

21 fevereiro 2024

 

 

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
10 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
13 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport