A estreia, carregada de simbolismo, vai ser também um manifesto de identidade. Bubista quer uma equipa destemida desde o primeiro minuto: “Temos de ter valentia para jogar sem medo. Conhecemos o poder da Espanha, mas dentro de campo é sempre 11 contra 11.” Organização, união e ambição vão ser, garante, os pilares da abordagem cabo-verdiana: “Vamos lutar pelos pontos nos três jogos, sem excepção.”
Quanto a eventuais surpresas tácticas, o seleccionador é prudente. Cabo Verde tem já uma estrutura consolidada, sublinha: “Temos uma matriz bem definida.” Mas diante de adversários tão distintos, a preparação vai exigir estudo meticuloso. “Temos meses para analisar profundamente cada equipa e procurar deixar a nossa marca.” A disparidade de experiência não o inibe: “O nosso caminho faz-se com confiança, com a nossa união e com a força do nosso povo espalhado pelo mundo.”
Se muitos viram no sorteio um fardo, Bubista encontrou nele uma oportunidade: “Para mim, correu bastante bem. Numa estreia, jogar contra equipas de alto calibre é a melhor forma de sabermos quem somos e de mostrar que estamos aqui para competir.” A frase condensa o espírito de um grupo que prefere transformar a adversidade em combustível competitivo.
A logística do torneio, distribuído pelos Estados Unidos, México e Canadá, acrescenta complexidade. Cabo Verde vai jogar em Atlanta, Miami e Houston, cidades separadas entre si. “Será muito difícil por causa dos voos e da constante mudança de ambiente”, admite. Mas confia na capacidade de organização: “Hoje em dia as equipas estão preparadas para minimizar o impacto dessas deslocações.”
A diáspora surge como trunfo emocional determinante: “Temos mais gente nos Estados Unidos do que em Cabo Verde”, recorda Bubista, convicto de que a selecção estará sempre bem acompanhada. “Tenho a certeza de que, em todos os jogos, haverá uma grande onda de apoio cabo-verdiano.” E sublinha o alcance histórico do momento: “A nossa bandeira estará à vista do mundo inteiro; queremos fazer coisas positivas para que o nosso povo sinta orgulho.”
Por fim, Bubista reflecte sobre o novo formato do Mundial, agora com 48 selecções. Para o técnico, trata-se de um passo na direcção certa: “É uma oportunidade para selecções pequenas poderem discutir a qualificação dentro do campo.” A presença de Cabo Verde é, para si, prova disso mesmo: “Mostra que selecções que não são ricas também têm condições para lutar.” E conclui com a ambição que quer imprimir ao grupo: "Cabo Verde entrou no mapa mundial e não veio para ser figurante".
A Semana com RFI

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