sábado, 17 outubro 2026

Tentativa de golpe no Benim: "Situação está sob controlo"

O Presidente do Benim, Patrice Talon, quebrou o silêncio num discurso televisivo à Nação depois da tentativa de golpe de Estado no país.

"Gostaria de vos garantir que a situação está totalmente sob controlo e, por isso, convido-vos a prosseguirem serenamente com as vossas atividades a partir desta noite. A segurança e a ordem pública serão mantidas em todo o território nacional", garantiu Talon.

Na manhã deste domingo (07.12), um grupo de militares - que se autointitulou Comité Militar para a Refundação - anunciou através da televisão pública a dissolução do Governo e a destituição do Presidente, num aparente golpe de Estado.

No entanto, pouco depois, o Governo do Benim – através do ministro do Interior -, deu o golpe como abortado.

Nos seus primeiros comentários públicos, o Presidente do Benim agradeceu as forças armadas por terem frustrado a tentativa de golpe e prometeu justiça.

"Gostaria de elogiar o sentido de dever do nosso Exército e dos seus líderes, que permaneceram republicanos e leais à Nação. Com eles, mantivemo-nos firmes, recuperámos as nossas posições e eliminámos os últimos focos de resistência dos amotinados. Este empenho e mobilização permitiram-nos frustrar estes aventureiros e salvar o nosso país. Esta traição não ficará impune", prometeu.

Tentativa de golpe "não é compreensível”

Segundo fontes do Exército, pelo menos 13 militares foram detidos – entre eles responsáveis pela operação.

A União Africana (UA) e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) condenaram a tentativa de golpe de Estado no Benim, classificando-a como uma "subversão da vontade do povo”. A CEDEAO anunciou ainda o "desdobramento imediato” de elementos da sua chamada "força de reserva” no Benim para garantir a segurança da população.

À DW, o especialista em comunicação estratégica e governação, Regis Hounkpè, disse que a tentativa de golpe "não é compreensível nem justificável”:

"O Benim segue o seu caminho, com os seus pontos fortes e fracos. Estamos a assistir no Benim a um processo de democratização que se consolida apesar das suas dificuldades. Tal como em todos os países do mundo, mesmo nas grandes democracias (…), que também por vezes passam por turbulências. E, por isso, os acontecimentos de hoje (..) são para mim incompreensíveis e absurdos”, classifica.

Quando acabam os golpes em África?

Maître Mamadou Ismaïla Konaté, jurista e ex-ministro da Justiça do Mali, lamenta que "alguns militares ainda acreditem que podem derrubar um regime democraticamente eleito pela força das armas”

"Esses tempos deveriam ter acabado no nosso continente africano, independentemente do contexto local!", condena.

Para o ex-governante, "mesmo que o Governo [do Presidente Patrice] Talon não seja irrepreensível do ponto de vista da estrutura democrática, das instituições criadas e do contexto eleitoral, ninguém deve hoje sentir-se levado a incitar, exigir ou regozijar-se com um golpe de Estado".

Após a independência da França em 1960, o Benim sofreu vários golpes de Estado, mas desde 1991, o país tem estado politicamente estável depois de 20 anos de governo do marxista-leninista Mathieu Kérékou.

Patrice Talon está no poder desde 2016 e deverá deixar o cargo em abril do próximo ano, após as eleições presidenciais. No mês passado, o poder legislativo prolongou o mandato presidencial de cinco para sete anos, mantendo o limite de dois mandatos.

 

A Semana com DW África

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Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

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jcf
11 dias atrás

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