domingo, 18 outubro 2026

Primeiro-ministro israelita nega ter aceitado Estado palestiniano nas conversações com Trump

Benjamin Netanyahu publicou um vídeo a responder a várias questões em hebraico sobre o plano de 20 pontos de Trump e negou categoricamente que tenha aceitado o reconhecimento da futura existência do Estado da Palestina.

“De maneira nenhuma e não está escrito no acordo”, disse Netanyahu, referindo-se à possível criação de um Estado palestiniano, sublinhando ainda que “uma coisa ficou clara [durante as conversações com Trump]: vamos nos opor firmemente a um Estado palestiniano”.

 

Netanyahu afirmou que aceitar a possibilidade de um Estado palestiniano “seria claramente uma enorme recompensa para o terrorismo e um perigo para o Estado de Israel”.

“Trump compreende isso (…) e, claro, é algo que não aceitaremos”, enfatizou o primeiro-ministro israelita.

O acordo de paz para a Faixa de Gaza apresentado por Trump estipulou que, em última análise, “as condições poderão finalmente ser cumpridas para abrir um caminho fiável em direção à autodeterminação e ao estabelecimento de um Estado palestiniano”.

O primeiro-ministro israelita aproveitou ainda a oportunidade para descrever a sua recente visita aos Estados Unidos como “histórica”, referindo que Israel “virou o jogo”.

 

“Em vez de o Hamas nos isolar, nós isolamos o Hamas”, afirmou.

“Quem imaginaria?”, disse o primeiro-ministro israelita, lembrando que Trump deixou claro que, se o Hamas não aceitar a proposta ou não se pronunciar sobre a mesma, apoiará a continuação da ofensiva israelita, algo que, segundo Netanyahu, significaria “concluir as operações militares” no enclave palestiniano.

“Agora, o mundo inteiro, incluindo o mundo árabe e islâmico, está a pressionar o Hamas para aceitar os termos que criámos com Trump para garantir o regresso de todos os reféns, vivos e mortos, enquanto as Forças de Defesa de Israel (FDI) permanecem na maior parte da Faixa de Gaza”, afirmou, depois de apoiar publicamente um plano de paz do Presidente dos Estados Unidos na segunda-feira, na Casa Branca.

“Disseram-nos que devíamos aceitar as condições do Hamas (…) e as FDI deveriam se retirar. Entretanto, o Hamas pode se fortalecer e controlar a Faixa (…). Não, não, isso não vai acontecer”, acrescentou o primeiro-ministro israelita.

 

O texto do acordo proposto, divulgado pela Casa Branca, refere que “Israel não ocupará nem anexará Gaza”, acrescentando que as tropas israelitas retirarão gradualmente, enquanto uma Força Internacional de Estabilização (FIS, na sigla em inglês) assume temporariamente o controlo do território para garantir a sua segurança.

“Na prática, as FDI entregarão progressivamente o território de Gaza que ocupam às FSI, em conformidade com um acordo a ser assinado com a autoridade de transição até retirarem totalmente de Gaza, exceto por uma presença de segurança num perímetro que existirá até que Gaza esteja completamente segura de qualquer ressurgimento de uma ameaça terrorista”, segundo o acordo.

A ofensiva israelita contra a Faixa de Gaza, lançada após os ataques do grupo islamita Hamas ao território israelita em 7 de outubro de 2023, provocou mais de 66.000 mortos e mais de 168.300 feridos no enclave, de acordo com as autoridades de Gaza controladas pelo Hamas, dados considerados fiáveis pela ONU.

 

A Semana com Observador/Lusa

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Comentários

joão do rosário
11 dias atrás

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jcf
13 dias atrás

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