O Presidente russo anunciou esta segunda-feira, durante a cimeira Rússia-África, que está interessado em transferir algumas das suas fábricas para o continente africano, para contornar as sanções internacionais, e garantiu que os negócios serão feitos "em condições de igualdade".
A III Cimeira Rússia-África arrancou na quarta-feira, 28, com o programa a integrar intervenções de responsáveis moçambicanos em painéis dedicados à cooperação nos transportes, à memória histórica e ao combate ao neocolonialismo.
"Não vou dizer nada de extraordinário, uma vez que isto está em consonância com os interesses da Rússia, sobretudo nas condições atuais, em que a economia e as empresas russas sofrem inúmeras sanções; simplesmente, as nossas empresas estão interessadas em transferir certas infraestruturas de produção para os países africanos, trata-se de um interesse mútuo", afirmou Vladimir Putin.
No discurso, o líder russo criticou as "práticas coloniais ocidentais" e salientou que o setor empresarial russo faz negócios em África em condições de igualdade.
"A nossa comunidade empresarial aborda sempre a cooperação com os parceiros africanos com honestidade, respeito e integridade, e realiza negócios em condições de igualdade, não procura obter lucros ao estilo das práticas coloniais das antigas metrópoles, mas sim investir e utilizar as receitas que recebe para o desenvolvimento das economias dos seus países", afirmou.
As empresas russas, continuou, defendem sempre o bem-estar dos funcionários e das suas famílias, participam em programas humanitários e tratam com cuidado as questões da ecologia e do ambiente, respeitando, ao mesmo tempo, os processos da política interna.
O chefe de Estado sublinhou ainda que 85% das operações comerciais são realizadas em rublos e lembrou que, entre outros produtos, a Rússia aumentou as suas exportações de fertilizantes para os países africanos e está disponível para partilhar a sua tecnologia no setor agrícola.
"As exportações de fertilizantes minerais russos no ano passado foram estimadas em 1,5 milhões de toneladas e, no ano em curso, já ultrapassaram os 2,2 milhões de toneladas", apontou, considerando que o continente africano deve tornar-se "um verdadeiro mercado de produção e venda, e não continuar a ser um mercado de consumo".
De acordo com fontes oficiais russas, o intercâmbio comercial entre a Rússia e cerca de 50 países africanos ultrapassou os 27 mil milhões de dólares (24 mil milhões de euros) em 2025, enquanto que as trocas comerciais de Moscovo com os cinco Estados da Ásia Central no mesmo período ronda os 50 mil milhões de dólares (mais de 44 mil milhões de euros), conclui a Efe.
A III Cimeira Rússia-África arrancou na quarta-feira, com o programa a integrar intervenções de responsáveis moçambicanos em painéis dedicados à cooperação nos transportes, à memória histórica e ao combate ao neocolonialismo.
A cimeira terá duas sessões plenárias, após as quais se prevê a adoção de uma declaração final que "delineará as abordagens acordadas para o desenvolvimento da cooperação russo-africana e o aprofundamento da colaboração no âmbito internacional" e outra sobre a cooperação no campo da inteligência artificial e um plano de ação para o Fórum de Cooperação Rússia-África para os anos 2027-2029.
Delegados de 48 países, incluindo 22 representados por chefes de Estado, segundo os media estatais russos, participam na cimeira que decorre quarta a quinta-feira, incluindo, dos países lusófonos de língua portuguesa, Moçambique e Guiné-Equatorial representados pelos chefes de Estado, e Angola, Cabo Verde e Guiné Bissau a nível ministerial.
A Semana com NM/Lusa

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