sexta-feira, 16 outubro 2026

Irão executa campeão de karaté de 21 anos com a ONU a alertar para aumento do uso da pena de morte

O poder judicial iraniano confirmou a execução de mais um detido durante os recentes protestos, numa altura em que a ONU e outras organizações internacionais de defesa dos direitos humanos assinalaram um aumento acentuado do número de execuções e detenções desde o início da guerra no Irão, no final de fevereiro.

 

Sassan Azadvar Joonqani, um atleta de karaté de 21 anos de idade, detido durante os protestos do início de janeiro, foi executado na madrugada de quinta-feira na prisão de Dastgerd, em Isfahan, segundo a imprensa iraniana.

Uma fonte próxima da família deste prisioneiro político disse ao jornal Hrana que o seu funeral decorreu sob forte segurança e que "apenas 10 dos seus familiares foram autorizados a assistir".

A ONU registou pelo menos 21 execuções e mais de 4.000 detenções desde o início da guerra, alertando para a escalada do recurso à pena capital no atual contexto de segurança.

De acordo com a agência noticiosa iraniana Mizan, dirigida pelo poder judicial, Azadvar foi condenado por moharebeh, ou "inimizade contra Deus", e por "cooperação efetiva com o inimigo".

Foi acusado de ter atacado com pedras e paus um veículo que transportava forças de segurança, de ter partido as janelas do veículo e de ter atirado pedras e tijolos aos agentes durante os protestos. A informação veiculada não refere quaisquer baixas entre as forças de segurança.

A agência noticiosa Mizan referiu também que o jovem terá tentado preparar gasolina para incendiar um veículo, mas não conseguiu. O poder judicial declarou que o julgamento foi realizado com representação legal, mas não forneceu mais pormenores sobre os procedimentos.

No entanto, a plataforma de advogados Dadban afirmou que as acusações não correspondiam à definição legal de "inimizade contra Deus" ao abrigo da legislação iraniana.

O grupo de defesa dos direitos humanos Hengaw afirmou que o processo estava marcado por "graves ambiguidades jurídicas" e que o advogado do arguido sustentava não existirem provas credíveis contra ele.

 

O grupo de defesa Hengaw descreveu ainda Azadvar como um campeão de karaté da província de Isfahan e alegou que este foi sujeito a graves atos de tortura física e psicológica durante a detenção para forçar uma confissão.

Azadvar foi detido no dia 8 de janeiro durante os protestos nacionais em Isfahan, tendo sido inicialmente colocado em regime de isolamento.

A sua sentença de morte foi pronunciada durante a escalada da guerra no Irão e foi posteriormente confirmada pelo Supremo Tribunal.

A execução ocorre no momento em que Teerão avança com uma série de penas capitais relacionadas com casos de protesto e de siruações de segurança. A ONU declarou que o Irão executou 21 pessoas e deteve mais de 4.000 desde o início da guerra.

A Amnistia Internacional afirmou, numa declaração na quarta-feira, que registou pelo menos 19 execuções nas últimas semanas e alertou para os desaparecimentos forçados e casos de tortura.

 

O chefe do poder judicial iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, afirmou recentemente que os tribunais devem processar os casos de detidos "fora dos procedimentos normais" e a um ritmo mais rápido. Também declarou que Teerão não atenderia aos apelos internacionais para suspender as execuções.

A Semana com Euronews

 

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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