domingo, 18 outubro 2026

Presidente da República quer Campo de Concentração do Tarrafal conservado como espaço de memória

"O Campo de Morte Lenta do Tarrafal é definitivamente um património muito importante para Cabo Verde, Portugal, Angola, Guiné-Bissau e para todo o mundo lusófono”, afirmou o chefe de Estado.

José Maria Neves fez estas considerações à imprensa à margem do encontro que manteve com o ministro da Cultura e Indústrias Criativas, Augusto Veiga, que lhe apresentou oficialmente a documentação da candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal a Património Mundial da Unesco.

Na ocasião, o governante convidou o Presidente Neves para integrar a Comissão de Honra desta “importante iniciativa”.

Para José Maria Neves, o Campo de Concentração do Tarrafal deve ser preservado para que os cabo-verdianos possam conhecer melhor a sua história e também para que sirva de referência às gerações vindouras.

A liberdade, acrescentou o chefe de Estado,  é um “bem inestimável”, pelo que há que continuar a trabalhar permanentemente para a sua afirmação.

“E tudo o que ofende a liberdade, tudo o que ofende a dignidade da pessoa humana é um mal que deve ser expurgado”, frisou Neves.

A mesma fonte acrescentou que é importante que as novas gerações tenham a verdadeira perspectiva do passado, para poderem preservar os ganhos em termos de liberdade, democracia e de todos os ganhos na luta pela dignidade da pessoa humana.

Instado sobre como a Presidência da República se vai envolver no processo da candidatura do antigo Campo de Concentração, explicou que vai acompanhar todo o trabalho técnico que o Governo está a desenvolver.

A nível do continente africano, enquanto Champion para a preservação do património natural e cultural de África, continuou, promoverá esta candidatura junto da Unesco e de outros parceiros internacionais em “estreita cooperação com o Governo”.

Anunciou que nos próximos dias a Presidência da República vai lançar um livro sobre a comemoração dos 50 anos da libertação dos presos políticos do campo de concentração do Tarrafal.

Situado na localidade de Chão Bom, o Campo de Concentração do Tarrafal foi construído no ano de 1936. 

Recebeu os seus primeiros presos a 29 de Outubro do mesmo ano, tendo funcionado até 1956. 

Em 1962 foi reaberto com o nome de Campo de Trabalho de Chão Bom, destinado a encarcerar os anticolonialistas de Angola, Guiné Bissau e Cabo Verde. No total foram presas mais de 500 pessoas, sendo 340 antifascistas e 230 anticolonialistas.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
12 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
14 dias atrás

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