quarta-feira, 14 outubro 2026

E Economia

Angola/Eleições: Ida às urnas marcada por um novo ciclo de crescimento económico

A economia de Angola saiu da recessão no ano passado, o desemprego desceu no segundo trimestre para 30,2%, a inflação está a descer e a valorização do kwanza fez a dívida pública cair significativamente.

"Em contraste com a maioria dos outros países, a inflação em Angola está numa trajetória descendente, principalmente devido ao fortalecimento da moeda local durante o último ano, o que aliviou o custo dos bens importados", dizem os analistas da Oxford Economics Africa num comentário à evolução dos preços neste país lusófono que realiza eleições presidenciais na próxima semana.

"Alicerçado na subida das receitas do petróleo, o kwanza fortaleceu-se para cerca de 430 kwanzas por dólar, o que é quase 50% melhor do que o valor registado há 12 meses", acrescentam os analistas na nota enviada à Lusa, na qual salientam que a decisão de cortar o IVA de alguns produtos dá um ânimo adicional aos consumidores e aos cerca de 14 milhões de eleitores que na próxima semana escolherão o futuro Presidente de Angola nos próximos cinco anos.

A descida da inflação, para uma média de 22,4% este ano prevista por esta consultora, alinha com uma série de indicadores económicos positivos para Angola, que conseguiu sobreviver à queda dos preços do petróleo, ainda antes da pandemia de covid-19, e ao impacto da guerra na Ucrânia que, para este país produtor de crude, teve um efeito muito positivo nas contas públicas devido à forte subida dos preços do petróleo a nível mundial.

O crescimento previsto, que acontece depois de cinco anos de recessão, não deverá ser suficiente para anular as perdas dos últimos anos, e é tambem insuficiente para criar riqueza no país, já que o crescimento da população suplanta o crescimento da economia.

Vários relatórios dos analistas apontam, aliás, Angola como o principal beneficiado da subida dos preços, fazendo com que a produção, apesar de ser a maior da África subsaariana e mesmo abaixo da média de meados da década passada, tenha tido um efeito enorme nos cofres do Estado.

A produção, no primeiro semestre, subiu apenas 3,3%, mas as receitas nos primeiros seis meses do ano dispararam mais de 70%, para chegarem quase aos 100 mil milhões de euros, de acordo com as contas da consultora Oxford Economics Africa.

A valorização do kwanza, que esteve em queda livre no seguimento da liberalização parcial do final da década passada, sustentou a significativa mudança de posição na dívida pública, cujo rácio face ao Produto Interno Bruto caiu para cerca de metade, rondando agora os 60%, muito abaixo dos mais de 100% que registava no ano passado, quando o Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha em curso um dos mais avultados programas de ajuda financeira em África, no valor de 4,5 mil milhões de dólares (entre 2019 e 2021) que Angola cumpriu de forma considerada exemplar pela maioria dos analistas.

A mudança de perspetiva por parte dos investidores internacionais refletiu-se também no regresso aos mercados financeiros este ano, pela primeira vez desde a pandemia, e na preparação de emissões de ’dívida verde’ no final do ano.

"As melhorias no ’rating’ atribuído pela Fitch e da Standard & Poor’s (S&P), bem como a emissão de 1,75 mil milhões de dólares [1,67 mil milhões de euros] em abril, cuja procura foi o dobro da oferta, é um testemunho da melhoria da confiança dos investidores na evolução da dívida angolana", comentaram os analistas da Oxford Economics em junho, simbolizando a opinião generalizada sobre a economia, que deverá crescer mais de 2% este ano.

Mais de 14 milhões de angolanos, incluindo residentes no estrangeiro, estão habilitados a votar em 24 de agosto, na que será a quinta eleição da história de Angola.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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jcf
8 dias atrás

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joão do rosário
11 dias atrás

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