Projeto de cinco faixas valoriza as raízes cabo-verdianas, com destaque para a identidade cultural da ilha do Fogo e marca o regresso do artista após cinco anos de pausa.
Ao explicar o significado do projecto, o artista afirma que «Di Raiz Pa Raiz» “é mas di ki um simples prujeto muzikal, sin, muto, mas di ki retorno de um cantor ki dja dura kalado...Na sua declaração em crioulo cabo-verdiano, o músico destaca que o EP representa o regresso de um cantor que esteve muito tempo em silêncio e pretende transmitir histórias, simplicidade e identidade cultural, através de situações que fazem parte do quotidiano das comunidades.
O artista cabo-verdiano Manuel Monteiro Fernandes Miranda, conhecido no meio musical como Nilton Fernandes -NF, prepara o lançamento do EP “Di Raiz Pa Raiz”, um projecto composto por cinco faixas que pretende valorizar as raízes culturais cabo-verdianas, com particular destaque para a ilha do Fogo, de onde é natural. O trabalho marca o regresso do cantor a música, após cinco anos de pausa, e representa uma nova etapa do seu percurso artístico.
Segundo o artista, o projeto nasceu da vontade de apresentar ao público um trabalho mais organizado e consistente, reunindo mensagens que anteriormente divulgava através de singles. Nas suas composições, procura retratar histórias do quotidiano, situações vividas pela sociedade e aspetos da identidade do povo cabo-verdiano, recorrendo, por vezes, ao humor para abordar diferentes realidades sociais.
Natural do concelho de Santa Catarina, na ilha do Fogo, e residente na cidade da Praia há cerca de 12 anos, Niltom Fernandes descreve -se como “um filho de Fogo, uma raíz de vulcão”. Conta que cresceu nas proximidades do mar, ao lado da avó, num ambiente humilde e simples, mas sempre com a ambição de construir um futuro melhor.
Paixão pela música e referências
Ao explicar o significado do projecto, o artista afirma que «Di Raiz Pa Raiz» “é mas di ki um simples prujeto muzikal, sin, muto, mas di ki retorno de um cantor ki dja dura kalado...Na sua declaração em crioulo cabo-verdiano, o músico destaca que o EP representa o regresso de um cantor que esteve muito tempo em silêncio e pretende transmitir histórias, simplicidade e identidade cultural, através de situações que fazem parte do quotidiano das comunidades.
O trabalho reúne cinco faixas, cada uma pensada, escrita, tocada e interpretada com sentimento. Niltom reconhece que o projeto está longe de ser perfeito, mas considera que cada música transmite uma mensagem e reflecte a alma de alguém que nunca se esquece das suas origens.
A paixão pela música, segundo conta, não surgiu de forma imediata. Desde cedo, sentia curiosidade em imitar os cantores que ouvia, embora o contacto mais profissional com a música tenha acontecido em 2014, quando regressou à cidade da Praia e teve a oportunidade de trabalhar num estúdio. Antes disso, já tinha tido algum contacto com a música na sua região, mas sem o mesmo nível de profissionalização.
Depois de lançar alguns singles, o artista decidiu interromper temporariamente a atividade musical para se dedicar a outros projetos pessoais e académicos. Explica que não queria lançar um EP apenas por lançar, mas preparar um trabalho com maior exigência e qualidade, conciliar a produção musical com os estudos revelou-se um desafio, levando-o a adiar o projecto até encontrar condições para dar continuidade a sua visão artística.
Entre as suas referências musicais estão artistas ligados a ilha do fogo, como Minó de Mama, homem de Talaia Baxu, José laço e Augusto Cego, além de nomes de gerações mais recentes, como Michel Montrond, Assol Garcia e outros. O músico destaca ainda a influencia familiar, referindo que alguns dos seus tios e irmãos tocam instrumentos como cavaquinho e viola.
Apesar de considerar que a sua família não está particularmente ligada a música, Nilton recorda que sempre recebeu incentivo dos familiares, sobretudo depois da sua primeira apresentação musical, quando começaram a reconhecer as suas capacidades vocais e a encorajá-lo a continuar.
Sobre as condições para desenvolver a carreira em Cabo Verde, o artista considera que existem oportunidades para divulgar os trabalhos musicais, mais defende que ainda há espaço para melhorar, sobretudo no que diz respeito a valorização da produção nacional e dos talentos locais.
Na sua perspetiva, é importante acompanhar as mudanças tecnológicas, incluindo a inteligência artificial, sem perder de vista a identidade cultural. Defende, por isso, um maior envolvimento das entidades na criação de projetos que promovam os artistas nacionais, através de iniciativas de apoio, oportunidades de atuação e mecanismos que facilitem a entrada de novos talentos no mercado.
Viviane Rodrigues

14 dias atrás
SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...