sexta-feira, 30 outubro 2026

PAICV denuncia “colapso” no sistema de saúde e acusa Governo de falhar promessas

Segundo a dirigente, a situação nos serviços de saúde é marcada por carências básicas, desde medicamentos e consumíveis até equipamentos essenciais, afectando directamente a qualidade do atendimento.

 

A acusação foi feita pela membro da Comissão Política Nacional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Paula Moeda, que afirmou que o sistema nacional de saúde (SNS) enfrenta uma situação “crítica”, marcada por falhas estruturais, falta de recursos e incumprimento de promessas governamentais.

De acordo com a responsável, o executivo tem recorrido a “números e inaugurações de fachada” para mascarar problemas profundos no sector, frisando que “a verdade é que o Governo tenta esconder atrás de números e desculpas que não convencem a ninguém”, afirmou.

Destacou episódios recentes, como inaugurações de estruturas de saúde inacabadas e sem mínimas condições adequadas, bem como a contestação pública de profissionais, como sinais de descontentamento generalizado no sector.

Segundo a dirigente, a situação nos serviços de saúde é marcada por carências básicas, desde medicamentos e consumíveis até equipamentos essenciais, afectando directamente a qualidade do atendimento.

“Alguma vez você sentiu falta de gesso em Cabo Verde? Em 50 anos, falta de gesso, o mínimo para imobilizar”, questionou, sublinhando a gravidade da situação.

Paula Moeda denunciou ainda o que considera ser um “pesadelo” no sistema de evacuações médicas, com atrasos prolongados tanto a nível inter-ilhas como para o exterior, prejudicando doentes em estado crítico.

“Enquanto o Governo analisa processos, vidas definham e perdem-se”, afirmou.

Apontou também a falta de seguimento de casos clínicos e apoio às famílias, referindo que situações como a do “menino Dário” evidenciam fragilidades estruturais do sistema, desde os cuidados primários até à continuidade dos tratamentos.

“O caso do Dário não é um caso, são vários casos”, disse, defendendo maior responsabilidade do Estado no acompanhamento dos pacientes.

A dirigente criticou ainda o incumprimento de compromissos assumidos pelo Governo, incluindo a construção de infra-estruturas de saúde, implementação de médicos e enfermeiros de família e redução do tempo de evacuações para 72 horas.

Perante este cenário, referiu, o PAICV apresentou um conjunto de medidas que pretende implementar caso vença as eleições legislativas de 2026, com foco numa mudança estrutural e humanizada do sistema de saúde. 

Entre as principais propostas, a dirigente destacou a melhoria da gestão e planeamento dos recursos, com combate ao desperdício, que estimou entre 30 por cento (%) e 40% no sector, apontando a valorização dos profissionais de saúde como outra prioridade, com a resolução de pendências laborais, melhores condições de trabalho e maior diálogo com a classe.

O partido propõe ainda a implementação de uma abordagem de proximidade, com reforço dos cuidados primários, maior presença nas comunidades e adaptação às realidades locais e a progressiva gratuitidade dos serviços de saúde, sustentada por uma gestão mais eficiente dos recursos existentes.

A humanização dos cuidados e o acompanhamento contínuo dos pacientes e suas famílias também integram a proposta, bem como a melhoria do sistema de evacuações médicas, com redução dos prazos e maior eficiência, concluiu Paula Moeda.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
22 dias atrás

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jcf
24 dias atrás

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