quarta-feira, 28 outubro 2026

FMI propõe reforma do IVA para financiar investimento e diminuir pobreza em Cabo Verde

 
Esse ajuste, provocado pelo fim de isenções, poderia ser compensado a médio e longo prazo com subsídios diretos à população (transferências de dinheiro) sustentados na receita acrescida com os “ganhos de produtividade”.
 
 
“A simplificação das isenções de IVA gera espaço fiscal de cerca de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo as taxas de IVA inalteradas”, considerando um cenário “realista”, segundo o estudo do FMI, consultado esta quarta-feira pela Lusa.

“O espaço fiscal gerado pela eliminação de isenções seria suficiente para financiar o alargamento do investimento público”, em “infraestrutura e educação”, aumentar o “potencial de produção” e “apoiar a criação gradual de empregos no setor formal, apesar do modesto ajuste de consumo de curto prazo”, lê-se no documento.

Esse ajuste, provocado pelo fim de isenções, poderia ser compensado a médio e longo prazo com subsídios diretos à população (transferências de dinheiro) sustentados na receita acrescida com os “ganhos de produtividade”.

“A desigualdade e pobreza diminuir-se-iam significativamente, com o coeficiente de Gini caindo para 0,378 e o número de habitantes em situação de pobreza [a cair de 14,6% em 2015] para abaixo de 2%“, antevê-se no documento do FMI.

As transferências monetárias direcionadas “são essenciais para proteger o rendimento durante períodos de ajuste”, acrescenta-se no estudo.

De uma forma geral, “a análise de três cenários estudados indica que os benefícios distributivos de longo prazo superam as preocupações de curto e médio prazo associadas ao alargamento da base tributária”.

“No longo prazo, os ganhos nas receitas são generalizados”, conclui-se.

O mais recente documento do FMI insere-se na assistência técnica prestada a Cabo Verde, país com o qual o fundo tem também programas de apoio financeiro em curso, cuja execução tem merecido avaliações globalmente positivas.

Estima-se que Cabo Verde tenha cerca de 500 mil habitantes.

Segundo os últimos dados oficiais, a taxa de pobreza absoluta em Cabo Verde caiu de 35,5% em 2015 para 24,75% em 2023.

Noutro indicador, a pobreza extrema foi reduzida para metade, passando de 4,56% em 2015 para 2,28% em 2023, utilizando o limiar internacional de 2,15 dólares por dia e por pessoa.

O conceito de pobreza absoluta diz respeito a quem não tem recursos para satisfazer necessidades básicas (alimentação, vestuário, abrigo e saúde), usando critérios universais, enquanto a pobreza em sentido mais genérico e relativo aplica-se a quem tem menos recursos em comparação com outros, na mesma sociedade, de acordo com critérios locais.

A pobreza extrema é uma forma mais severa de pobreza absoluta.

O Governo cabo-verdiano assumiu o compromisso de “erradicar a pobreza extrema, até 2026, no âmbito da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) de não deixar ninguém para trás”.

A Semana com Observador/Lusa

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Comentários

joão do rosário
21 dias atrás

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jcf
22 dias atrás

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