Cabo Verde vai participar na 3.ª Cimeira Rússia-África e está aberto a um novo programa de cooperação, anunciou o Governo, após o arquipélago ter estado ausente em 2023 por condenar a invasão da Ucrânia.
Cabo Verde participa na cimeira com o representante permanente junto da União Africana (UA), o embaixador Domingos Mascarenhas.
"Cabo Verde está aberto a encontrar a melhor via para a implementação de um novo programa de cooperação com a Federação Russa", lê-se num comunicado do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Comunidades, divulgado na terça-feira, 27, acerca da cimeira agendada para hoje (28) e quinta-feira (29), em Moscovo.
O país é governado desde junho pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que venceu as eleições de maio, após 10 anos de governação do Movimento para a Democracia (MpD).
Sem fazer referência à Ucrânia, no comunicado indica-se que Cabo Verde apoia "a resolução dos conflitos por via do diálogo e pela defesa da integridade territorial dos Estados".
Ao mesmo tempo, a política externa assenta "no pragmatismo e na neutralidade ativa" e encara a cimeira como "espaço estratégico para o reforço do diálogo multilateral e a concertação".
A cooperação com a Rússia "foi iniciada com o apoio prestado pela antiga União Soviética ao processo de independência nacional, bem como no consolidado domínio da formação de recursos humanos".
Cabo Verde participa na cimeira com o representante permanente junto da União Africana (UA), o embaixador Domingos Mascarenhas.
No comunicado indica-se que a presença cabo-verdiana "insere-se na natural dinâmica comunitária e regional" e "em coerência com os pilares tradicionais da política externa do país: a defesa intransigente da Carta das Nações Unidas, o respeito absoluto pela integridade territorial dos Estados soberanos e a salvaguarda primordial dos interesses nacionais".
Em julho de 2023, o primeiro-ministro cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva justificou a ausência do país da cimeira Rússia/África para não haver nenhuma ação que possa ser interpretada como apoio a invasão da Ucrânia.
"Nós somos e fomos coerentes desde o primeiro momento, nós condenamos a invasão da Rússia à Ucrânia e continuamos com a mesma opção de até esta guerra terminar não termos nenhuma ação que possa ser interpretada como apoio a esta invasão", explicou.
O Presidente da República, José Maria Neves, disse também que o arquipélago não participou "em sinal de protesto por esta situação difícil por que passa a humanidade, sobretudo por causa desta guerra na Ucrânia".
A posição foi assumida noutras ocasiões.
Em fevereiro de 2025, na Assembleia-Geral das Nações Unidas, Cabo Verde foi um dos 93 países que votaram a favor de uma resolução a exigir o fim das hostilidades na Ucrânia e reafirmando a soberania, independência, unidade e integridade territorial do país.
No ano anterior, o primeiro-ministro participou na Conferência para a Paz na Ucrânia, realizada na Suíça, para procurar "propostas de paz que respeitem a Carta das Nações Unidas e os princípios da lei internacional".
A Semana com NM/Lusa

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