O presidente da plataforma da comunidade africana residente em Cabo Verde afirmou hoje que a situação de documentação de crianças nascidas no país, especialmente as apátridas, continua a enfrentar obstáculos administrativos para obter nacionalidade em Cabo Verde. José Viana que manifestou esta inquietação em entrevista à Inforpress no âmbito da comemoração do Dia da Criança Africana, assinalado no dia 16 de Junho, sublinhou que apesar de a lei garantir o acesso à educação e à inclusão social, entraves legais dificultam acesso pleno de crianças apátridas a direitos em Cabo Verde. Destacou que a legislação cabo-verdiana assegura o direito de todas as crianças frequentarem a escola, independentemente da sua condição documental, visando evitar o analfabetismo e promover a integração no sistema educativo. Contudo, segundo a mesma fonte, persistem constrangimentos na aplicação prática da lei, nomeadamente, nos procedimentos administrativos para a obtenção da nacionalidade para que uma criança apátrida adquira a nacionalidade cabo-verdiana. É muitas vezes necessário regressar ao país de origem dos pais para obter documentação comprovativa de filiação, processo que, segundo Viana é considerado “complexo e de difícil” execução para muitas famílias. “Aquilo que está previsto na lei nem sempre se verifica na prática”, afirmou, sublinhando que a burocracia acaba por prolongar a situação de irregularidade até à maioridade. O impacto desta realidade, avançou, torna-se mais evidente no final do ensino secundário, em que muitos jovens, apesar de concluírem o 12.º ano, enfrentam dificuldades em dar continuidade aos estudos superiores, uma vez que a ausência de nacionalidade lhes impede, por exemplo, o acesso a bolsas de estudo no país. “Sem documentos perdem direitos importantes e muitas famílias não têm condições para suportar estudos no exterior”, explicou, acrescentando que esta situação compromete a integração social plena destes jovens. Perante este quadro, o presidente da Plataforma das Comunidades Africanas em Cabo Verde realçou que tem vindo a desenvolver acções de advocacia junto das autoridades cabo-verdianas, no sentido de promover uma revisão ou flexibilização dos procedimentos legais, de forma a garantir que estes estudantes possam prosseguir a formação académica no país. Para além desta preocupação apontou também a morosidade nos processos de atribuição de nacionalidade, mesmo em casos em que os pais já possuem nacionalidade cabo-verdiana. “Segundo relatos recolhidos, alguns pedidos permanecem pendentes há mais de um ano, criando incerteza para famílias cujos filhos se aproximam do final do ensino secundário”, afirmou. Apesar desses desafios, reconheceu que, em Cabo Verde, os direitos das crianças, como o acesso à educação, ao nome e à família, são, de modo geral, respeitados e acompanhados pelas autoridades. Ainda assim, apelou a uma actuação mais célere e eficaz sempre que esses direitos não são plenamente garantidos. A Semana com Inforpress
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A coordenadora da NOSiAkademia, Luísa Chantre, afirmou hoje, na cidade da Praia, que a 17.ª edição do programa privilegiou projectos ligados à inteligência artificial, numa iniciativa que já capacitou mais de 600 jovens. Luísa Chantre explicou à imprensa, durante a apresentação dos trabalhos finais dos estagiários da NOSiAkademia, programa de formação criado pelo Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSi), que a inteligência artificial marcou os projectos desenvolvidos nesta edição, acompanhando as exigências actuais do sector tecnológico. De acordo com a coordenadora, a preparação dos participantes visa facilitar a sua integração num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente. “Os estagiários focaram muito na Inteligência Artificial, porque nós sabemos que neste momento está em alta e terão sim que se capacitar para enfrentar um mercado de trabalho cada vez mais exigente”, afirmou. A responsável indicou que o programa, criado em 2016, constitui uma ferramenta de capacitação para jovens recém-licenciados e referiu que a iniciativa apresenta uma taxa de empregabilidade próxima dos 80 por cento. Segundo a mesma fonte, a NOSiAkademia contabiliza mais de três mil candidaturas desde o seu arranque e já beneficiou mais de 600 jovens. Nesta 17.ª edição concluíram o estágio 43 participantes, provenientes de várias ilhas de Cabo Verde, além de seis da Guiné-Bissau, num grupo que, segundo Luísa Chantre, apresenta equilíbrio entre homens e mulheres. A coordenadora considerou positiva a parceria com a Guiné-Bissau, apontando vantagens para a partilha de experiências e para o desenvolvimento de competências tecnológicas entre os participantes dos dois países. Luísa Chantre adiantou ainda que a NOSi pretende dar continuidade ao programa, por considerar que a iniciativa tem impacto directo na vida dos jovens e contribui para a sua preparação para o mercado de trabalho. A Semana com Inforpress
O guarda-redes Vozinha e o defesa-central Diney Borges foram incluídos na equipa ideal da primeira jornada Mundial2026, depois do empate sem golos frente à Espanha, em jogo do Grupo H. A prestação da dupla cabo-verdiana mereceu reconhecimento da imprensa internacional, com Vozinha a ser apontado como uma das figuras da ronda inaugural, graças a várias intervenções decisivas que impediram o golo da formação espanhola. Aos 40 anos, o guardião dos Tubarões Azuis esteve em evidência ao manter a baliza inviolada diante de um dos ataques mais fortes da competição, sendo considerado um dos principais responsáveis pelo resultado histórico alcançado pela selecção nacional na sua estreia em fases finais de campeonatos do mundo. Por sua vez, Diney Borges destacou-se pela solidez defensiva e pela capacidade de liderança no eixo da defesa, contribuindo para travar as investidas espanholas e assegurar um ponto considerado precioso para as aspirações cabo-verdianas no torneio. A inclusão dos dois internacionais cabo-verdianos na equipa da jornada surge como mais um reconhecimento do desempenho colectivo da selecção nacional, que deixou boa impressão no arranque da competição disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Cabo Verde volta a entrar em campo no domingo, 21, frente ao Uruguai, em partida referente à segunda jornada do Grupo H. A Semana com Inforpress
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A ilha do Sal deu o pontapé de saída, na noite de quarta-feira, à 14.ª edição do SalEnCena, um festival de teatro este ano marcado pela descentralização, gratuitidade das peças e por uma homenagem à Associação Mindelact. Em declarações à imprensa na abertura do certame, o director artístico do SalEnCena, Victor Silva, justificou a escolha da associação sediada em São Vicente, considerada o grande símbolo e "mãe" do teatro nacional em Cabo Verde, pelo seu papel estruturante na cultura do arquipélago. "O Mindelact é um símbolo do teatro nacional, é um diagnóstico para a diáspora. O SalEnCena foi buscar inspiração no Mindelact. Por isso, resolvemos homenageá-los", afirmou o responsável, agradecendo a presença do representante daquela instituição. Nesta 14.ª edição, o festival apresenta-se com dois palcos principais na ilha do Sal, divididos entre a cidade de Espargos (com exibições no Centro Paroquial) e a vila turística de Santa Maria (na nova sala de conferências do hotel Odju d'Água). Ao todo, serão apresentados quatro espectáculos de companhias vindas de cinco ilhas - Sal, Boa Vista, Santiago, Maio e São Vicente -, além da habitual presença da diáspora. O cabeça de cartaz exterior deste ano é o bailarino Nuno Barreto, residente em Portugal, que se estreia nos palcos do Sal. Outra grande aposta da organização prende-se com a formação, aberta a toda a comunidade na Casa da Cultura, e as mesas de conferência com programadores nacionais e da diáspora. Uma das principais novidades desta edição é o facto de o festival ser totalmente gratuito e de "porta aberta". "Queremos dar a oportunidade a toda a gente para assistir. Os artistas querem sala cheia e o público terá a oportunidade de ver grandes peças de forma gratuita", reforçou Victor Silva. O representante da Associação Mindelact, Yanick Fortes, agradeceu o reconhecimento e recordou o percurso da instituição, nascida há cerca de 30 anos no Mindelo num contexto de escassez de recursos. "Poucos imaginavam que aquele sonho, construído com muita persistência, ia se tornar um dos mais importantes festivais de teatro de Cabo Verde e do continente africano. Ao longo deste percurso, o Mindelact não foi apenas um festival; foi uma escola, um ponto de encontro, espaço de formação e de criação de oportunidades", sublinhou. Como principal parceira do evento, a Câmara Municipal do Sal, representada pela vereadora da Cultura, Viviana Mendes, enalteceu a "resiliência" da organização em manter o festival vivo há 14 anos, consolidando as artes cénicas na ilha. Confrontada com o histórico desafio da falta de salas e espaços adequados para o teatro na ilha, a autarca garantiu que existem soluções em andamento, fruto de uma parceria com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas. "A câmara do Sal tem três projectos que devem ir avante nos próximos tempos. Um deles é o Centro Cultural [em Santa Maria], onde pensamos ter um anfiteatro no âmbito do Fórum da Cultura. Temos também dois projectos em Espargos, na Escola Tutu, que está a ser transformada num centro de cultura com espaços adequados para todo o tipo de arte", avançou a vereadora. Viviana Mendes assegurou que a autarquia pretende optimizar e requalificar estes espaços ainda no decorrer deste ano, assumindo o compromisso de dotar o festival das infra-estruturas necessárias para o seu crescimento. A Semana com Inforpress
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A quarta edição do evento cultural Master Corda 2026, prevista para o dia 27, reúne artistas de Cabo Verde, Portugal e Brasil, anunciou hoje a direção do projecto, que espera receber “muitas pessoas” no concerto. Em declarações à Inforpress, um dos mentores do projecto, Admiro Inocêncio, disse que este tipo de concerto é pouco realizado no país, pelo que pretendem continuar a motivar o interesse das pessoas para apreciarem espetáculos do género. “No exterior há muitos concertos de instrumentistas que as pessoas apreciam e no país não temos essa cultura. Claro que vai ser implementado pouco a pouco e as pessoas vão se familiarizando com este tipo de concerto”, disse Admiro Inocêncio. Para este ano, os mentores do projecto apostaram na diversidade cultural e trazem artistas de Portugal e do Brasil, com o propósito, segundo a mesma fonte, de ter uma “fusão musical de tradição e inovação” e com isso esperar ter um aumento do público em relação às edições anteriores. A seu ver trata-se de um concerto que atravessa oceanos, une gerações e fortalece laços que ligam Cabo Verde, Portugal e Brasil. Admiro Inocêncio avançou ainda que essa quarta edição de Master Cordas acontece no âmbito das celebrações dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos 50 anos do Município da Praia e 51 anos da Independência de Cabo Verde. Desta feita, destacou que são esperados os artistas Luís Firmino, Manuel de Candinho, Kim Alves, Kaku Alves e Palinh Vieira, de Cabo Verde, Mariana Junqueira e Lucas de Campos, do Brasil, e Luís Roquette e Diogo Chang Faria, de Portugal. Além de prestar homenagem ao artista Luís Rendall, traduzindo numa “figura incontornável da cultura cabo-verdiana”, reafirmado, segundo o mesmo, no papel da cultura como motor do turismo, da união dos povos e do desenvolvimento social. “Uma união de cordas, uma ponte de afetos, uma homenagem de gratidão”, finalizou. O evento vai ser realizado no Auditório da Nacional Jorge Barbosa, no dia 27 de Junho, pelas 21:00. A Semana com Inforpress
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Os estagiários Ensa Indjai, da Guiné-Bissau, e Josiene Andrade, de São Vicente, afirmaram hoje, na Praia, que a participação na 17.ª edição da NOSiAkademia contribuiu para o reforço das suas competências e dos seus percursos profissionais. Licenciado em Redes Informáticas e Telecomunicações, Ensa Indjai integrou o estágio através do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS) da Guiné-Bissau e classificou a experiência como extremamente enriquecedora. “Com esse estágio eu tenho a ambição ainda mais de transformar não só o Instituto Nacional de Segurança Social, mas todas as instituições da Guiné-Bissau”, declarou. Segundo o estagiário, os conhecimentos adquiridos durante o estágio na NOSiAkademia, programa de formação criado pelo Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSi), aliados ao trabalho em equipa e ao contacto com o desenvolvimento tecnológico em Cabo Verde, reforçaram as suas ambições profissionais. Ensa Indjai anunciou ainda a intenção de desenvolver um projecto de interligação entre a sede do INSS da Guiné-Bissau e as delegações regionais através de um túnel Rede Privada Virtual (VPN), com o propósito de assegurar uma comunicação mais segura e a transmissão de informações de forma encriptada. Por seu lado, Josiene Andrade, natural de São Vicente e formada em Marketing, descreveu os seis meses de estágio como uma experiência desafiante, marcada pela saída da sua zona de conforto para integrar o programa na cidade da Praia. A estagiária avançou que as formações recebidas lhe proporcionaram mais conhecimentos sobre o mundo digital e a transformação digital, além de uma maior capacidade de adaptação a diferentes contextos profissionais. “Sair da zona de conforto dá mais capacidade de crescer tanto no profissional como no pessoal”, precisou. Integrada na empresa parceira Stem Center, Josiene Andrade referiu que trabalhou directamente com profissionais de diferentes áreas, experiência que considerou importante para a sua evolução pessoal e profissional. A jovem revelou ainda que a participação no estágio resultou num convite para integrar a equipa da Stem, empresa de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Os dois participantes consideraram que a experiência na NOSiAkademia constituiu uma oportunidade de aprendizagem e capacitação com impacto nos seus percursos profissionais. A Semana com Inforpress
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A seleção nacional de voleibol perdeu hoje por 0-3 no jogo inaugural da Zonal da África Ocidental, disputado na Gâmbia, num jogo em que o primeiro set foi equilibrado, mas a equipa perdeu consistência nos parciais seguintes. O primeiro set foi o mais equilibrado, com o Senegal a vencer por 26-24, após disputa intensa até ao empate 24-24. Nos dois parciais seguintes, a formação senegalesa manteve maior consistência e fechou o encontro com 25-17 e 25-16. O jogo decorreu em campo aberto, fator que condicionou a adaptação da equipa cabo-verdiana, sobretudo por se tratar de uma realidade menos habitual, incluindo o formato de jogo de “9 e meio”, que exigiu maior leitura tática e resposta técnica. O início do encontro revelou equilíbrio, mas a formação cabo-verdiana perdeu consistência a partir do segundo set, com quebra de ritmo e dificuldades na receção e no bloco adversário. A preparação recente, marcada por viagem longa, também influenciou o rendimento, com impacto na adaptação ao clima e às condições de jogo. A presidente da Associação Santiago Sul de Voleibol (ASSV) e “team manager” da selecção, Vera Pinto, referiu à Inforpress que a equipa entrou sem vantagem competitiva inicial, sublinhando que o primeiro set foi disputado, mas o desgaste e a adaptação acabaram por influenciar o desfecho. Apesar da derrota, a responsável mostrou confiança numa resposta diferente já no segundo jogo da competição. O torneio decorre em formato de todos contra todos, seguido de fase de meias-finais. No calendário competitivo, a seleção cabo-verdiana volta a jogar na quinta-feira, às 17:00 locais, frente à Gâmbia, e no dia 20 de junho, às 09:30, diante da Guiné-Bissau. A equipa nacional integra os atletas Admilson Melo, Hirivan Gomes, Paulo Fernandes, Edmilson Correia, Isaías Sanches, Ivan Mota, William Fortes, Danilo Évora, Hélder Spencer, Luís Silva, Nivaldo Alves e Ricardo Baptista. O campeonato prossegue até o dia 22 de Junho. A Semana com Inforpress
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Os gerentes dos Snack Bares e Lanchonetes na Achada de Santo António, apelaram hoje à Câmara Municipal da Praia (CMP) para criar condições que impeçam a deposição de lixo no chão em frente aos seus estabelecimentos. Em declarações à Inforpress, o proprietário do Snack Bar, Walter Gomes, manifestou preocupação com a acumulação de resíduos no local, referindo que a situação se agravou após a retirada de um contentor que existia na área antes do início de uma obra actualmente vedada. Segundo explicou, mesmo sem a presença de um contentor, muitas pessoas continuam a deixar lixo no chão, situação que, na sua opinião, prejudica o ambiente, a saúde pública e a imagem dos estabelecimentos comerciais e instituições da zona. Walter Gomes afirmou que os serviços de saneamento da CMP recolhem regularmente os resíduos depositados no local, mas considera que essa prática acaba por incentivar algumas pessoas a continuarem a descartar lixo de forma inadequada, por saberem que os resíduos serão posteriormente removidos. O comerciante defendeu a reposição de um contentor, a vedação adequada do espaço e a criação de condições que desencorajam a deposição de lixo no local. “Estamos aflitos com esta situação há muito tempo. O lixo traz doenças, maus odores e bichos que incomodam os clientes que procuram este espaço para relaxar e conviver”, afirmou. Acrescentou ainda que, com a chegada da época de calor, muitas pessoas preferem permanecer sentadas no exterior dos estabelecimentos, tornando a situação ainda mais desagradável devido ao cheiro e à presença de insectos. Por sua vez, Ronilde Vaz, gerente da Lanchonete situada em frente do espaço que as pessoas têm deitado o lixo, considerou que a CMP tem enfrentado dificuldades em identificar os autores das infracções, apesar da presença de fiscais na zona. Segundo disse, tanto pessoas com problemas mentais como cidadãos sem qualquer limitação têm contribuído para o problema, sendo a maioria dos infractores são os homens. “As pessoas têm de se consciencializar. Se não deitam o lixo dentro das suas próprias casas, também não devem fazê-lo na rua”, afirmou. A comerciante relatou que a presença constante de lixo provoca maus odores, atrai moscas e afecta a imagem dos estabelecimentos e das instituições existentes nas proximidades. O espaço em causa localiza-se em frente de restaurantes, bares, mini-mercado e várias instituições do Estado, como a Agência Cabo-verdiana de Notícias – Inforpress, Conselho Superior da Magistura Judicial, Segundo Cartório Nacional, Procuradoria Geral da República, entre outras instituições, sendo, segundo os entrevistados, um ponto de grande circulação de pessoas. Um cliente habitual dos estabelecimentos, ouvido pela Inforpress, defendeu que todos os cidadãos devem assumir a sua responsabilidade na preservação do ambiente urbano. “A Câmara Municipal tem feito o seu trabalho, mas os munícipes também têm de fazer a sua parte, colocando o lixo no lugar certo”, afirmou. Os entrevistados que não quiserem ser identificados apelaram ainda ao reforço da fiscalização, à aplicação de multas aos infractores e à adopção de medidas preventivas para evitar a continuação da deposição irregular de resíduos no local. A Semana com Inforpress
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As culturas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Portugal serão celebradas numa nova edição de o Jardim de Verão, que decorre na Gulbenkian, em Lisboa, entre 27 de Junho e 12 de Julho, anunciou hoje a fundação. Com uma curadoria partilhada entre Dino d’Santiago (música), e Alexandra Matos e Luís Almeida (filmes/conversas), o Jardim de Verão da Gulbenkian decorre durante os três fins de semana, entre 27 de Junho e 12 de Julho. As atividades ião decorrer entre o Grande Auditório, o Anfiteatro ao Ar Livre, o Jardim e o Centro de Arte Moderna – Estúdio e Engawa, da Fundação Calouste Gulbenkian. Pelo Grande Auditório vão passar o pop com influências jazz, bossa nova, soul e R&B de Bokor, a eletrónica, o fado e a poesia urbana de Rita Vian e a união da música experimental ao universo pop de Alex D’Alva. Nancy Vieira, uma das vozes mais expressivas e representativas de Cabo Verde, Toty Sa’Med, artista de culto da nova música angolana, e Os Tubarões, criados em 1969 na cidade da Praia, marcarão igualmente presença no Grande Auditório. Subirão ao palco no Anfiteatro ao Ar Livre o duo musical Bandua, com a sua reinterpretação eletrónica da música tradicional portuguesa, a cantora, compositora e instrumentista Zubikilla, que mistura a sonoridade de Cabo Verde ao jazz, o hip hop consciente, o R&B alternativo e o soul experimental de Libra e a combinação da morna tradicional cabo-verdiana, do kizomba e do R&B contemporâneo de Soraia Ramos, primeira artista lusófona a figurar na capa da Apple Music em África. Nesse palco atuará Melly, uma das vozes mais potentes da nova música brasileira, e Fogo Fogo que promete, com a sua mistura entre funaná, dub e afrobeat, percorrer as mais variadas sonoridades africanas de festa, no encerramento do Jardim de Verão 2026. Sob o Engawa atuarão os DJ sets de Indi Mateta, Umafricana e Berlok e ocorrerá a estreia de Adison Fernando. Do programa consta ainda a apresentação dos sete episódios da antologia Novas Narrativas de Caça, no Estúdio. Cada episódio será seguido de conversa com atores, realizadores e outros convidados, sobre a temática do episódio apresentado nesse dia. Este Jardim de Verão terá ainda, no último dia, um encontro entre Os Tubarões e Dino d’Santiago. A Semana com Inforpress/Lusa
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O procurador-geral da República, José Landim, e o representante do Unicef em Cabo Verde, David Matern, defenderam hoje o reforço da capacitação dos profissionais da justiça para melhorar a investigação de crimes tributários e abusos sexuais contra crianças. Os responsáveis sublinharam que ambos os fenómenos criminais têm vindo a deslocar-se progressivamente para o meio digital, assumindo-se como desafios cada vez mais complexos e crescentes no contexto nacional. José Landim falava à imprensa à margem da abertura da acção de formação subordinada aos temas “Investigação de crimes sexuais praticados em ambientes digitais” e “Investigação de crimes tributários e ilícitos conexos”, que decorre até sexta-feira na cidade da Praia. Segundo o procurador-geral, existe uma percepção de que muitas pessoas e empresas continuam a fugir às suas obrigações fiscais, uma situação que reduz a capacidade do Estado de arrecadar as receitas necessárias para investimentos em áreas essenciais como a saúde, a educação e a segurança. “O Ministério Público é o titular da acção penal, mas se não tiver pessoas capacitadas, sejam magistrados, polícias ou peritos, não consegue atingir esse objectivo. E todo o país perde”, afirmou. José Landim indicou que os crimes fiscais exigem uma resposta célere devido ao curto espaço de tempo para a prescrição dos processos, admitindo existirem “largos milhares de contos” em dívidas ao Estado que poderão ser recuperados através de investigações eficazes. Relativamente aos crimes sexuais contra crianças em ambientes digitais, o magistrado sublinhou a crescente complexidade deste tipo de criminalidade, devido à volatilidade das provas e às especificidades das plataformas digitais. O procurador-geral considerou positiva a discussão internacional sobre a limitação do acesso de menores às redes sociais, referindo que vários países já adoptaram medidas nesse sentido e defendendo que Cabo Verde deve acompanhar o debate como forma de reforçar a prevenção. Apesar de reconhecer uma redução nas denúncias, Landim atribuiu a tendência a uma possível diminuição efectiva dos casos e ao aumento da sensibilização da sociedade, vincando a existência de canais de denúncia anónima junto do Ministério Público e das forças policiai e de outras instituições. Por sua vez, o representante residente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Cabo Verde, David Matern, realçou os resultados alcançados através da cooperação com a Procuradoria-Geral da República. Segundo aquele responsável, a parceria permitiu, nos últimos cinco anos, a regularização de mais de seis mil casos de perfilhação oficiosa, garantindo a identificação da paternidade e maternidade de milhares de crianças, além do acompanhamento de mais de 600 casos de crimes sexuais contra menores. “São resultados enormes que Cabo Verde precisa de conhecer, porque demonstra que, quando há um crime contra uma criança, o Estado age e responde de forma firme”, afirmou. O primeiro dia da acção formativa é dedicado às matérias de Família e Menores, com enfoque na prevenção e investigação de abusos digitais, enquanto o segundo dia será focado na repressão de crimes tributários para fortalecer a integridade do sistema económico-financeiro nacional. A Semana com Inforpress
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Os alunos do 12.º ano da Escola Secundária Baltazar Lopes da Silva, na Ribeira Brava, manifestaram hoje a sua insatisfação face à continuidade das aulas após a conclusão das avaliações e dos programas pedagógicos. Num comunicado enviado à Inforpress, os finalistas do estabelecimento de ensino de São Nicolau defendem que já não existem actividades académicas relevantes que justifiquem a permanência prolongada dos estudantes nas salas de aula. O documento sublinha que a manutenção do calendário lectivo nos moldes actuais carece de fundamentação pedagógica. “Os alunos do 12.º ano da ESBLS vêm, por este meio, manifestar a sua indignação relativamente ao funcionamento das aulas nesta fase final do ano lectivo”, refere o documento. O comunicado acrescenta ainda que, concluídos os programas e os processos de avaliação, “já não existem actividades académicas relevantes que justifiquem a permanência prolongada dos alunos na escola”. Os alunos asseguram que até os professores admitem publicamente que não há matéria ou trabalhos que sustentem a retenção dos jovens no recinto escolar, uma vez que todos os conteúdos curriculares previstos para o ano terminal já foram integralmente ministrados. Os finalistas apelam agora à sensibilidade da direcção da Escola Secundária Baltazar Lopes da Silva para que analise a situação e encontre uma resposta equilibrada. Pedem também uma solução que atenda ao bem-estar, às expectativas e às necessidades dos estudantes que se preparam para concluir o ensino secundário. A Semana com Inforpress
O artesão Alexandre Rodrigues, da localidade de Relvas, é o vencedor da edição 2026 do Prémio Municipal do Artesanato Tony di Kilda, promovido pela Câmara Municipal dos Mosteiros. O quadro de pintura apresentado por Alexandre Rodrigues foi o mais votado pelo público e também o preferido do júri do concurso, garantindo-lhe a distinção máxima desta edição do prémio, anunciou quarta-feira a câmara dos Mosteiros, entidade promotora do concurso na sua página nas redes sociais. Com esta conquista, Alexandre Rodrigues sucede a Adailson Vicente, vencedor da edição de 2025 do Prémio Municipal do Artesanato (PMA) Tony di Kilda. Além do reconhecimento municipal, Alexandre Rodrigues assegurou o direito de representar o município dos Mosteiros na Feira Nacional de Artesanato e Design (Urdi) 2026, um dos mais importantes eventos de promoção do artesanato cabo-verdiano. Tendo em conta que o vencedor foi simultaneamente a escolha do júri e do público, a câmara dos Mosteiros deliberou, na sua 11.ª reunião ordinária, atribuir a segunda vaga de representação do município na Urdi2026 a Poliana Santos, segunda classificada do concurso. O Prémio Municipal do Artesanato Tony di Kilda tem como principal objectivo valorizar o talento dos artesãos locais, incentivar a produção artística e artesanal e promover a divulgação das obras e dos criadores do município, contribuindo para a preservação e dinamização do património cultural dos Mosteiros. A Semana com Inforpress
O Conselho de Ministros da CPLP previsto para dia 17 de Julho em Díli, Timor-Leste, foi adiada para 19 de Agosto, anunciou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros português. Segundo a Lusa, a XXXI Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) estava prevista para o dia em que a organização assinala 30 anos, no entanto, segundo Paulo Rangel, foi adiada para o mês seguinte. O chefe da diplomacia portuguesa, que fez o anúncio durante uma audição regimental na Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas, no parlamento, não referiu o que motivou o adiamento. A CPLP é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, sendo que este país detém a presidência rotativa da organização desde a suspensão da Guiné-Bissau, devido ao golpe militar de 26 de novembro de 2025.
A Câmara Municipal de São Filipe reforçou as acções de fiscalização às obras de construção em todo o território municipal de modo a prevenir riscos para pessoas e bens com a aproximação da época das chuvas. De acordo com a autarquia, a medida enquadra-se nas disposições do Código de Posturas Municipais e tem como objectivo garantir o cumprimento das normas urbanísticas, promover a segurança das construções e assegurar o adequado ordenamento urbano. No âmbito desta acção, todas as obras de construção, ampliação, reparação ou demolição sujeitas a licenciamento municipal deverão possuir autorização válida e cumprir “rigorosamente” as normas técnicas e legais em vigor, segundo uma nota publicada na sua página nas redes sociais. A fiscalização incidirá particularmente sobre construções realizadas sem licença municipal, obras clandestinas ou iniciadas sem a aprovação dos respectivos projectos. A edilidade alerta ainda que serão alvo de intervenção imediata as obras que não ofereçam condições mínimas de segurança, bem como situações de ocupação indevida da via pública com materiais de construção, equipamentos ou entulhos e sublinha que a falta de protecção adequada das obras junto às vias públicas também será objecto de fiscalização. Cabe aos proprietários, empreiteiros e responsáveis técnicos, avançou a mesma fonte, assegurar condições adequadas de segurança, protecção e sinalização das obras, assim como garantir a correcta gestão dos materiais e resíduos, a protecção dos trabalhadores, transeuntes e imóveis vizinhos, e a existência de mecanismos eficazes para a drenagem e o escoamento das águas pluviais. O incumprimento das disposições legais resulta na aplicação de coimas, embargo ou suspensão imediata dos trabalhos, reposição da situação anterior e, em casos mais graves, na demolição das obras, sem prejuízo de outras responsabilidades previstas na lei. A câmara sublinha ainda que as situações consideradas de maior risco durante o período das chuvas poderão ser notificadas para a adoção imediata de medidas correctivas. A autarquia apela à colaboração de todos os munícipes para o cumprimento das normas urbanísticas e para a adoção de práticas construtivas responsáveis, contribuindo para uma cidade mais segura, organizada e preparada para enfrentar os desafios da época das chuvas. A Semana com Inforpress
Prestes a afastar-se da linha da frente da vida pública e diplomática, Eurico Monteiro, veterano da política cabo-verdiana, abre o livro das suas memórias, afectos e desassossegos, revelando o miúdo traquinas que a história teimou em politizar. Através desta viagem intimista onde Eurico Monteiro recorda os afectos, os silêncios, as paixões fora da vida pública e a forma como o tempo transformou a sua intimidade, as pessoas vão poder entender o homem por trás do cargo e que o seu maior legado foi, precisamente, nunca ter deixado que o peso da gravata sufocasse o rapaz humilde de Achada Santo António. Jurista de renome, uma das figuras centrais da história política de Cabo Verde, com papel crucial na transição para a democracia nos anos 90, Eurico Monteiro revive a sua trajectória, mostrando que o ministro que ajudou a construir a democracia, é o mesmo homem comum que, ao fim-de-semana, aceita ser “comandado” em casa para ir para o fogão fazer o almoço da família. Da infância pobre em Achada Santo António ao topo do poder, conhecido pela firmeza na política e na diplomacia, Eurico Correia Monteiro, guarda longe dos holofotes uma vida de extrema simplicidade. O homem por trás do fato e da gravata guarda um universo de simplicidade, marcado por origens humildes, paixões viscerais pela cultura e uma devoção inabalável à família. Para os cabo-verdianos, ele é o político e o jurista, para os mais próximos, é simplesmente Dico, o seu nominho de infância. A história de Eurico Monteiro começa longe de Cabo Verde, em São Tomé, no ano de 1955, onde nasceu a 05 de Janeiro, sob o signo de Aquário, o signo dos idealistas e dos que valorizam a liberdade. Ele é filho de Carlos Monteiro e Maria da Luz Pires Correia, que tinham emigrado para a terra do cacau numa vida de puro sacrifício e trabalho, como tantos outros cabo-verdianos em busca de sustento. Contudo, as memórias de São Tomé são vestígios vagos na mente de Eurico, porque com os seus cinco anos apenas, a família regressou a Cabo Verde, tendo como destino final o bairro de Achada Santo António, na Praia. Foi ali que a sua identidade se moldou. A infância, embora feliz e rodeada de amigos como Felisberto Vieira, foi vivida num cenário de profunda pobreza, uma pobreza que o tempo não apaga da memória. “Era um ambiente de muita pobreza”, recorda o ministro. Foi nesse contexto que se destacou a figura do pai, um homem “maravilhoso e muito trabalhador”, conforme conta, que emigrou para o Senegal, fez-se barbeiro e começou a enviar produtos não comestíveis para a Praia, que, por sua vez, a mãe vendia-os, carregando um grande cesto à cabeça. Mais tarde, o pai estabeleceu-se com uma pequena bancada no Mercado da Praia, e passo a passo, construindo e arrendando casas, a família ascendeu à classe dos “remediados”. Foi o rigor da mãe que garantiu que o pequeno Dico, conhecido por ser traquinas na escola primária, nunca perdesse o foco nos estudos. Do bairro até ao liceu, Eurico Monteiro fazia todos os dias cerca de seis a sete quilómetros a pé, num trajecto de ida e volta, partilhado em animados grupos de jovens, que hoje recorda com nostalgia. Se a infância foi de passos firmes no chão de terra, a juventude foi consumida pela política. Para Eurico Monteiro, a faísca da contestação ao regime colonial português não nasceu dos manuais ideológicos, mas sim do olhar. “A primeira motivação para a revolta é visual. Você convive com a polícia, com chefes brancos vindos de sítios diferentes. Eles comandavam. Você ia para o quartel militar e via os oficiais... era gente branca. Vinham cá e impunham-se como uma casta superior. Isto visualmente chocava. A minha primeira revolta foi visual”, exteriorizou. Dessa indignação visual nasceu o compromisso intelectual, e ao lado de companheiros de geração, alguns já desaparecidos, Eurico mergulhou nas leituras de consciencialização tomando como referência o marxismo, o pan-africanismo, a revolução global. Um consumidor voraz de literatura, os livros e o cinema tornaram-se, desde cedo, as suas grandes paixões. Conta que a obsessão pelas páginas impressas era tamanha que, anos mais tarde, em Portugal, chegou a chumbar por faltas no primeiro ano de um curso, porque passava as noites em claro a devorar livros e, de manhã, o sono vencia-o. Antes de se consagrar na advocacia de topo e na política, trabalhou activamente no movimento cooperativo no pós-independência, ajudando a montar sistemas de abastecimento para as populações mais frágeis, numa altura em que a especulação e o açambarcamento de mercadorias assolavam o país. Esse contacto directo com a vulnerabilidade humana marcou-o profundamente. Quando o assunto entra no campo dos afectos, Eurico Monteiro abre o jogo sobre o seu historial amoroso, misturando uma ponta de timidez com humor. Instigado a confessar se foi um homem de muitas paixões ou namoradas, ele nega prontamente. “Não, nunca tive muitas namoradas. Olhando para trás, ao longo da minha vida até à idade adulta, fui um homem relativamente comedido”, garantiu, observando que a explicação para a falta de “grandes aventuras” está no facto de ter começado a assumir responsabilidades conjugais muito cedo. “Desde os 21 anos de idade que estou casado. Foi sempre casamento em cima de casamento. Não tive muito tempo para andar com grandes aventuras. Nessa parte sou mediano… nem tanto, nem tão pouco”, referiu, assumindo com um sorriso humilde, que o seu percurso matrimonial é invulgar. “Eu já casei várias vezes. Até me dá vergonha de dizer... Casei três vezes”, disse. Mas se as duas primeiras experiências foram precoces, o terceiro casamento revelou-se o porto de abrigo definitivo, pois o coração do ministro sossegou ao lado de Leninha, com quem começou a partilhar a vida em 1989, oficializando o matrimónio em 1992. Dessa história de vida e das anteriores uniões nasceu um verdadeiro clã, tendo ao todo, sete filhos, uma contabilidade fortemente inclinada para a ala masculina, isto é, seis rapazes e apenas uma rapariga, sendo que com a esposa Leninha, teve três desses filhos, dois rapazes e a rapariga. Com os filhos crescidos e já com seis netos, essa imensa teia familiar afasta qualquer receio da solidão na velhice. Para Eurico Monteiro, com tanta vida e tantos afectos a orbitarem à sua volta, o silêncio que tanto procura no campo nunca será sinónimo de isolamento. Fora dos holofotes públicos, o seu domingo perfeito não tem banquetes, mas tem cinema, subscrevendo plataformas como a Netflix ou a Amazon para ver um filme todos os dias, tem livros e tem tertúlias restritas com o seu grupo de amigos de sempre, onde debatem futebol e partilham refeições. Na gastronomia, os seus pratos eleitos são puramente “comida de campo”, feijoada ou cachupa, e engane-se quem pensa que ele apenas se senta à mesa. Eurico sabe cozinhar razoavelmente bem, domina guisados, faz um arroz “de olhos fechados”, como gaba-se, e orgulha-se de uma especialidade muito particular. “Faço muito bem doce de leite. Aliás, para mim, o melhor doce é o doce de leite, e sei fazê-lo bem”, confessa. Aos 71 anos, Eurico Monteiro encara a passagem do tempo com lucidez e uma ponta de vaidade saudável, confessando, entretanto, que tem um único medo físico, o de perder a autonomia. Por isso, mantém um ritual diário rigoroso todas as manhãs, durante o banho, onde faz entre 20 a 30 agachamentos. “O que me preocupa é o dia em que não puder andar ou circular. Assusta-me pensar num dia em que as pessoas tenham de me dar a mão para me ajudar a levantar”, desabafa com tocante vulnerabilidade. Prestes a abraçar um novo rumo, com a retirada das lides governamentais e da vida diplomática activa, o ministro esclarece, entretanto, que não vai abandonar a política, mas vai mudar radicalmente o seu perfil. O seu próximo grande projecto é de curto prazo, focado na escrita de uma obra jurídica de referência, mas depois disso, quer o silêncio dos bastidores. “Quero apenas estar numa situação de poder ajudar, de poder apoiar. Não quero estar à frente de nada. Quero um sítio onde possa ser útil, mas com discrição, sem intensidade nem visibilidade”, manifestou. Perguntado se a sua vida fosse um livro, qual seria o título do capítulo que daria neste momento, respondeu: “Vivi as minhas épocas”. E a imagem que deseja deixar ao país é a de um homem que nunca se resignou a ser um mero espectador do seu tempo, de alguém que, com erros e acertos, casamentos e agachamentos, escolheu sempre tomar parte na história. A Semana com Inforpress
O Sindicato dos Professores de Cabo Verde (Sindprof) considerou positiva a prorrogação dos contratos de 615 docentes para 2026/2027, mas defendeu a abertura de concursos públicos para a sua integração nos quadros do Ministério da Educação. Em comunicado, o Sindprof reagiu à autorização do Ministério da Educação para a prorrogação, com dispensa de concurso, dos contratos de trabalho a termo resolutivo certo de 615 professores do Ensino Básico e Secundário, Nível I, para o ano lectivo 2026/2027. Segundo o sindicato, a medida constitui uma solução positiva por garantir a continuidade laboral dos docentes abrangidos e assegurar a estabilidade do funcionamento das escolas no próximo ano lectivo. No entanto, a organização sindical considera que a resposta mais adequada para estes profissionais passa pela realização de concursos públicos de ingresso, permitindo a sua integração nos quadros do Ministério da Educação. O Sindprof argumenta que a manutenção de sucessivas renovações de contratos a termo certo, ao longo de vários anos, não satisfaz plenamente as legítimas expectativas de estabilidade profissional dos docentes nem responde às necessidades permanentes do sistema educativo. Por isso, o sindicato afirma que continuará a defender a vinculação dos professores que ocupam postos de trabalho permanentes, considerando que essa medida lhes proporcionará maior segurança laboral, valorização profissional e melhores condições para o exercício da actividade docente. “O lugar de um professor que responde a necessidades permanentes da escola deve ser no quadro, e não numa sucessão indefinida de contratos a termo”, sustenta o Sindprof no comunicado. A organização sindical entende que a integração destes docentes nos quadros contribuirá também para reforçar a qualidade e a estabilidade do sistema educativo cabo-verdiano. A Semana com Inforpress
A Câmara Municipal da Praia (CMP), através da Direcção de Topografia, Cadastro e SIG, iniciou a primeira fase de sinalização urbana que prevê a colocação de 100 novas placas de toponímia em diversos bairros da capital. A informação foi avançada na página oficial da autarquia onde explica que nesta fase serão contempladas zonas como Achada São Filipe, Palmarejo, Palmarejo Grande, Prainha, Várzea da Companhia, Achada Santo António e Platô. Conforme a mesma fonte, a iniciativa visa melhorar a orientação, facilitar a localização de habitações e comércios, bem como optimizar a prestação de serviços públicos e de emergência na cidade. O director de Topografia, Cadastro e Sistema de Informação Geográfica (SIG), Jailson Varela, lembrou que a sinalização das vias públicas é um património de todos e para todos e lançou um apelo aos munícipes para que zelem pela conservação e protecção destas novas placas, evitando actos de vandalismo. “Cuidar deste material é garantir o civismo e o desenvolvimento do nosso município”, alertou aquele responsável, que aproveitou o momento para lembrar aos munícipes que a Plataforma Municipal de Toponímia está disponível para consulta de nomes de ruas, avenidas e números da polícia do município da Praia através do site da autarquia. A Câmara Municipal da Praia explicou ainda que a iniciativa surgiu após a criação, em Julho do ano passado, da Comissão Municipal de Toponímia da Praia (CMTP), cuja presidência ficou a cargo do autarca, Francisco Carvalho. Esta comissão, que integra representantes de várias entidades municipais, estatais, académicas e cívicas locais, tem a missão de reunir periodicamente para analisar e aprovar os nomes e números das vias, em conformidade com o estabelecido no Regulamento da Comissão Municipal de Toponímia. A Semana com Inforpress
O avançado Dailon Livramento, titular na estreia histórica de Cabo Verde em Mundiais, frente à Espanha, não continuará no Casa Pia, após empréstimo de uma época, confirmou esta terça-feira, 16, o clube da I Liga de futebol, conforme citado pela Lusa. Cedido pelos italianos do Hellas Verona, Dailon Livramento teve uma temporada muito pouco produtiva no clube lisboeta, uma vez que, em 28 duelos disputados, 12 dos quais como titular, não apontou qualquer golo e totalizou uma assistência. No entanto, o cabo-verdiano, que nasceu nos Países Baixos, manteve a presença assídua na seleção africana e contribuiu durante 61 minutos no 'nulo' diante dos atuais campeões europeus, no primeiro jogo de sempre de Cabo Verde na prova. No conjunto italiano de Verona, Livramento, de 25 anos, realizou 31 jogos, apenas com um golo e uma assistência no total, na sequência de uma carreira iniciada de maneira mais frutífera nos Países Baixos, ao serviço de MVV e Roda, a nível sénior. É a sétima saída oficial do plantel casapiano, após João Marques e Tiago Morais terem também terminado os respetivos períodos de empréstimo, além do final de contrato de Gaizka Larrazabal, Rafael Brito e Kiki Silva e da 'reforma' de José Fonte. O Casa Pia concluiu a I Liga no 16.º e antepenúltimo lugar, mas conseguiu garantir a permanência após disputa do play-off contra o Torreense, terceiro colocado na II Liga e que fez história, ao conquistar a Taça de Portugal, em final face ao Sporting.
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