A corrida de cavalo puro-sangue, que deveria realizar-se na edição 2026 das festas de São João no município do Porto Novo, em Santo Antão, ficou adiada para Setembro, informou a edilidade. O vereador do Desporto, Juari Nobre, esclareceu que o adiamento desta prova do hipismo para 02 de Setembro, Dia do Município do Porto Novo, se deveu ao cancelamento do transporte dos cavalos inscritos provenientes de outras ilhas. Segundo o autarca, a câmara municipal criou “todas as condições”, tanto logísticas, como a nível de patrocínios, para a realização da competição, mas dificuldades de transporte dos cavalos de outras ilhas ditaram o seu adiamento. Com isso, a autarquia conseguiu realizar apenas a corrida de cavalos meio-sangue, que contou com a participação de 23 cavalos cruzados nacionais, cuja final aconteceu esta quarta-feira, 24. A égua Ucrânia, do clube juvenil do Porto Novo, conquistou a edição 2026 da corrida de cavalos. Em segundo e terceiro lugares, ficaram a égua Nancy e o cavalo Fiser, respectivamente, sendo que Tranca, Varsóvia, Madrigal, Xerife e Marízia ocuparam os respectivos quarto, quinto, sexto, sétimo e o oitavo lugares. A Semana com Inforpress
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O estudante Derickson Gomes foi eleito, na quarta-feira, presidente da Associação Académica da Universidade de Cabo Verde (ACAD-UniCV) ao arrecadar 645 votos, o correspondente a 60,28% do total dos votos expressos. O mandato 2026-2028, contou com a participação de 1.070 estudantes da maior universidade pública do país. Derickson Gomes, aluno do quarto ano do curso de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses, desempenhou no último mandato as funções de coordenador do Gabinete de Desporto da ACAD-UniCV.De acordo com os resultados divulgados, dos 4.533 estudantes inscritos para votar, exerceram o seu direito 1.070 eleitores, o que representa uma taxa de participação de 23,60%. A abstenção situou-se nos 76,40%, o equivalente a 3.463 alunos. Na corrida eleitoral, o candidato Flávio Furtado ficou na segunda posição com 226 votos (21,12%), seguido de Alexssandro Rocha, que obteve 182 votos (17,01%). Registaram-se ainda 17 votos em branco (1,59%). Em declarações após a divulgação dos resultados, o presidente eleito afirmou que o desfecho era expectável, justificando o triunfo com a boa aceitação do seu nome e com o trabalho de proximidade que já vinha desenvolvendo. “Era um resultado que já estava à espera devido à aceitação que tenho perante os alunos, principalmente os do quarto ano dos três polos, por no mandato anterior conseguir ajudá-los, e também por causa da mobilização que fiz durante a campanha”, declarou. Derickson Gomes avaliou positivamente a forma como todo o processo decorreu e deixou uma garantia de compromisso à comunidade académica. “A mensagem é que tudo aquilo que foi prometido durante a campanha será cumprido quando tomarmos posse”, assegurou. A Semana com Inforpress
O Campeonato Regional de Ciclismo de Santiago Sul realiza-se este domingo, 28, na cidade da Praia, com dez atletas em competição, numa corrida que decidirá o campeão regional e os apurados para os campeonatos nacionais. A prova, organizada pela Associação Regional de Ciclismo de Santiago Sul (ARCSS), será disputada numa etapa, em conformidade com o modelo adoptado nos campeonatos da modalidade. Segundo o vice-presidente da ARCSS, Paulo Canuto, a corrida arranca no Estádio Nacional, segue em direcção a Praia Baixo e São Domingos, regressa à cidade da Praia, passa pela Rotunda da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), volta ao Estádio Nacional, desce até à Rotunda do aeroporto e termina novamente no Estádio Nacional, num total de 71 quilómetros (km) e 1052 metros de altimetria acumulada. Aquele responsável espera uma competição equilibrada e competitiva, à semelhança do que tem acontecido nas provas realizadas em Santiago Sul, apesar da participação prevista de apenas dez atletas. A organização optou por manter o formato habitual da competição, por considerar que o modelo tem correspondido às expectativas. Além da disputa, considerou também que os novos talentos da modalidade já se encontram identificados e que esta competição poderá constituir mais uma oportunidade para demonstrarem o seu potencial em contexto competitivo. Quanto à preparação do evento, referiu que a experiência da equipa organizadora facilitou o processo, embora a definição da data tenha sido o principal desafio para compatibilizar a realização da prova com o calendário competitivo. Em relação à segurança, avançou que a organização conta com o apoio da Polícia Nacional e do Instituto de Estradas, além das reuniões preparatórias e recomendações dirigidas aos atletas. A Semana com Inforpress
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A imagem de São João Baptista está de regresso à “casa”, a capela da Ribeira das Patas, no interior do Porto Novo, em Santo Antão, numa peregrinação de cerca de quatro horas, com algumas dezenas de pessoas. A procissão de regresso da imagem do padroeiro, também acompanhada por um grupo de tamboreiros, iniciou às 06:00 a partir da capela da Ribeira da Igreja, na cidade do Porto Novo. É levada também sobre os ombros dos fiéis, mas a passo mais acelerado, para poder chegar a tempo da celebração eucarística na capela da Ribeira das Patas, às 11:00, que encerra assim o programa religioso das festividades de São João Baptista. Ao contrário da peregrinação Ribeira das Patas - cidade do Porto Novo, no dia 23 de Junho, que conta com milhares de pessoas, o regresso à “casa” da imagem de São João, que acontece a 25 de Junho, envolve apenas algumas dezenas de peregrinos devotos de São João. As festas de São João Baptista, cuja imagem terá chegado a Cabo Verde nos princípios do século 17, proveniente de Portugal, passaram a ser celebradas no concelho do Porto Novo em 1898, com a criação da paróquia local, com sede em Ribeira das Patas. A primeira capela foi construída, em 1905, precisamente na Ribeira da Igreja, para abrigar a imagem de São João Baptista, que antes “vivia” numa gruta, que ainda existe, sob a guarda de uma anciã chamada Mãe Maia (Mê Maia), figura lendária do século 19 ligadas a estas festas populares. Com a criação do município do Porto Novo, em 1962, a então vila do Porto Novo passou a sediar a paróquia de São João Baptista, mas “canonicamente” a transferência nunca foi efectivada, segundo a paróquia. I A Semana com Inforpress
A África do Sul qualificou-se na quarta-feira para os 16 avos de final do Mundial de futebol de 2026, ao vencer a Coreia do Sul por 1-0, na terceira jornada do Grupo A, em Guadalupe. Um golo de Thapelo Maseko, aos 63 minutos, selou o triunfo dos sul-africanos, que nunca tinham chegado à fase a eliminar, caindo na fase de grupos em 1998, 2002 e, como anfitriões, em 2010. Na fase a eliminar, a África do Sul juntou-se a México, Suíça, Canadá, Bósnia-Herzegovina, que já assegurou que será um dos oito melhores terceiros, Brasil, Marrocos, Estados Unidos, Alemanha, França, Noruega, Argentina e Colômbia. Os 'bafana bafana' terminaram o agrupamento no segundo lugar, com quatro pontos, atrás do coanfitrião México, que, com o apuramento e o primeiro lugar no agrupamento assegurados, venceu a República Checa por 3-0. Mateo Chávez, aos 55 minutos, Julián Quiñonez, aos 61, e Álvaro Fidalgo, aos 90+4, apontaram os tentos dos 'aztecas', que foram os primeiros a fechar um agrupamento com o pleno de três triunfos e nove pontos conquistados. A Coreia do Sul, que terminou em terceiro, com três pontos e 2-3 em golos, ainda pode qualificar-se, enquanto a República Checa, que regressava após 2006, fechou em quarto, com um, e está eliminada. Os checos juntam-se a Qatar, Haiti, Turquia, Tunísia, Jordânia e Panamá. A Semana com Notícias ao Minuto
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O pároco de São João Baptista, no concelho do Porto Novo, manifestou hoje confiança em que “com ajuda de Deus e intercepção de São João Baptista”, as obras da igreja paroquial fiquem concluídas “em breve”. O frei José Pires explicou que o projecto, que está temporariamente suspenso, está “numa fase importante” de execução, aguardando-se a conclusão do cálculo da estrutura metálica para a cobertura. Apesar da falta de-mão-obra, designadamente especializada, a Igreja Católica espera, dentro de pouco, retomar os trabalhos, contando, para isso, com a colaboração dos benfeitores, dos emigrantes e das instituições públicas. A Igreja Católica recebeu do Governo cessante um montante de três mil contos para a construção da igreja paroquial, que representou, segundo o pároco, “um gesto de confiança e de valorização” do projecto. “Uma palavra de esperança ao novo Governo, desejando-lhe um mandato fecundo e que continue a olhar com sensibilidade para os projectos que promovam o desenvolvimento das comunidades, incluindo a nossa igreja paroquial, que será um espaço de fé e de encontro”, notou José Pires. A paróquia de São João Baptista acredita que “com a colaboração das instituições e benfeitores”, a obra será concluída “em breve”, que será “um património para novas gerações”. Para a grandiosidade das festas de São João, Porto Novo precisa da sua igreja paroquial, rematou o padre. As obras da igreja foram lançadas em Junho de 2024. A Semana com Inforpress
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A 32.ª edição do Festival da Gamboa, sob o lema “Ambicionar e Concretizar - o futuro é nosso”, tem um orçamento superior a 30 mil contos e homenageia o músico Romeu di Lurdis, disse hoje o vereador da Cultura. A informação foi avançada em conferência de imprensa pelo vereador da Cultura da Câmara Municipal da Praia (CMP), Jorge Garcia, que afirmou que a escolha do tema desta 32.ª edição reflecte a esperança nacional no desempenho dos Tubarões Azuis Mundial 2026 e a ideia de que o esforço colectivo pode transformar objectivos em resultados. O evento decorrerá durante três dias, 26, 27 e 28 de Junho (sexta-feira, sábado e domingo) na cidade da Praia. Nos dois primeiros dias, as actividades vão decorrer das 22:00 às 08:00, enquanto no domingo, dedicado à Gamboa Jovem, o festival acontece das 16:00 às 22:00. Uma das novidades desta edição será a transformação da Praia da Gamboa numa “grande fan zone”, em parceria com a televisão pública Televisão de Cabo Verde, devido à coincidência do primeiro dia do festival com o jogo decisivo da selecção nacional. A organização pretende assim juntar música, cultura e futebol num mesmo espaço de celebração. O festival conta com o apoio de vários parceiros, entre os quais a CV Telecom, a Cavibel e a TCV, além da participação de forças de segurança, bombeiros, protecção civil e voluntários da Cruz Vermelha, garantindo a segurança e logística do evento. O investimento é considerado elevado pela organização, num contexto em que o festival continua fortemente dependente de patrocínios e apoios institucionais. Entre os principais financiadores estão a Cavibel, com cerca de 5.000 contos, e a CV Telecom, que contribui com aproximadamente 1.000 contos, além do apoio mediático da Televisão de Cabo Verde. A produção do festival foi dividida em lotes e atribuída a várias empresas, incluindo a JM Produções, responsável pelo agenciamento e produção, a Aliventos, encarregue do palco e iluminação, e a Cabo Som, responsável pelo sistema de som. No que diz respeito aos preços, os bilhetes terão o custo de 300 escudos por dia, 500 escudos para dois dias, sendo o último dia de entrada gratuita. Apesar da dimensão do evento, o vereador reconheceu preocupações com a sustentabilidade financeira dos festivais culturais, defendendo uma reflexão sobre patrocínios, custos operacionais e equilíbrio entre acesso popular e viabilidade económica. Quanto ao homenageado Romeu di Lurdis, foi um músico, compositor, intérprete, poeta e activista social cabo-verdiano e teve participação na política, nascido em 1989 e criado na Cidade da Praia, ilha de Santiago, faleceu aos 36 anos em Portugal, onde terá sido vítima de um "ataque cardíaco”. Entre as suas canções mais conhecidas estão “Paraízu Praia”, “Imigrason”, “Txitxaru Fresku”, “Ranja ku mi”, “Barku di Alentu” e “Fera na Sukupira”. O cartaz do Festival da Gamboa reúne mais de 30 artistas residentes no país e na diáspora, combinando nomes consagrados e talentos emergentes, além de performances de dança e animação contínua. Para o primeiro dia vão actuar Garry, Morena Santana, Nito Baza Lumi, Lavy, Lippe Monteiro, Sumaara, Léo Pereira, Nelito Freire e Loreta. No segundo dia sobem ao palco Kino Cabral, Tony Fica, Mucci, Jonathan, Gama, Djilu di Djinha e Neh Jah. Já no terceiro dia constam do cartaz Da Ferreira, Lil Mário/Deby, Projeto Kontornu, AfroKides, Bob Lux, FressTyle Cypher, Anderson 47 Lucas Fidalgo, Márcia Cruz, Kotxi pó netos Codé di Dona, vanessa Saneva e Vhabulla Cv. A Semana com Inforpress
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A Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) desafiou esta terça-feira os jovens estudantes a adoptarem comportamentos mais saudáveis através do projecto “Ativa.Mente”, uma iniciativa que promove a prevenção, o bem-estar e a mudança de atitudes na comunidade académica. O repto foi lançado pelo coordenador do curso de Relações Públicas e Secretariado Executivo da Uni-CV, Artur Correia, durante a feira de saúde realizada hoje no Campus da Praia, no âmbito do projecto desenvolvido pelos estudantes do terceiro ano daquele curso. Segundo o responsável, o projecto nasceu da necessidade de levar os jovens a reflectirem sobre os seus comportamentos e a assumirem um papel mais activo na promoção da própria saúde e da saúde colectiva. “O projecto ajuda as pessoas a activar a sua consciência, no sentido de terem comportamentos correctos em relação à sua saúde, à sociedade e a si próprias”, afirmou, salientando que a intenção não se limita à transmissão de informação, mas que passa sobretudo por incentivar mudanças de atitude e de comportamento. Sob o lema “Pensa, Age e Muda para uma Vida Mais Saudável” o projecto tem sido desenvolvido através de várias acções de sensibilização, incluindo sessões dedicadas à saúde mental, higiene pessoal, prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e empreendedorismo, procurando abordar temas que afectam directamente os jovens. “Nós sabemos que apenas sensibilizar pode não ter o impacto que todos desejamos, mas acreditamos que é o primeiro passo para mobilizar as pessoas a adoptarem comportamentos correctos e mais saudáveis”, sustentou. Entre os temas abordados esteve a saúde mental apontada pela enfermeira e académica da Uni-CV, Carmem Cristina como uma das principais preocupações de saúde registadas pelos estudantes observados no Gabinete de Saúde desta universidade pública. “É o atendimento que mais fazemos no Gabinete de Saúde”, afirmou, acrescentando que muitos casos estão relacionados com as dificuldades de adaptação ao ambiente universitário. Aconselhou, neste sentido, os estudantes a encontrarem um equilíbrio entre as exigências académicas e o cuidado com a saúde física e emocional. Por seu lado, a estudante Rute dos Reis considerou que a iniciativa desempenha um papel importante na desconstrução de tabus entre os jovens, facilitando o acesso a informações sobre saúde sexual e reprodutiva e contribuindo para a prevenção de doenças. “Existem muitos tabus em relação a certos assuntos. Muitas vezes queremos saber mais, mas temos vergonha de perguntar, então esta actividade ajuda-nos a obter informação e a prevenir doenças”, afirmou. A programação foi desenvolvida em torno de áreas como saúde mental e bem-estar, saúde sexual e reprodutiva, nutrição e estilo de vida saudável, prevenção do consumo de álcool e outras drogas, primeiros socorros e prevenção cardiovascular. A Semana com Inforpress
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Funcionários e passageiros no Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na Praia, apelaram esta terça-feira à reposição urgente do sistema de ar condicionado, alegando que as actuais condições de climatização afectam o bem-estar dos utentes e dos trabalhadores. À Inforpress, vários passageiros e funcionários denunciaram que o aeroporto continua a apresentar condições consideradas insuportáveis de temperatura, situação que, segundo afirmam, se arrasta há vários meses. A passageira Delfina Martins, chegada dos Estados Unidos da América e em trânsito para a ilha do Fogo, considerou que o calor no interior do terminal é excessivo e defendeu melhorias urgentes na climatização do espaço. Também Kevin Andrade, residente na Praia que se encontrava no aeroporto a acompanhar um familiar, afirmou que as temperaturas registadas no local são difíceis de suportar nesta época do ano, defendendo intervenções que garantam maior conforto aos utilizadores de uma infraestrutura situada na capital do país. O mesmo aproveitou ainda para apontar a necessidade de reforçar a formação dos funcionários no atendimento ao público, de modo a melhorar a qualidade do serviço prestado aos clientes. Uma funcionária do aeroporto, que solicitou anonimato, afirmou que trabalha há mais de nove anos no aeroporto da Praia e classificou a situação como uma “falta de respeito” para com trabalhadores e passageiros. Segundo explicou, o calor excessivo provoca desconcentração, desconforto, irritabilidade e outros problemas que afectam diariamente quem utiliza o espaço. Segundo a mesma fonte, a situação prolonga-se há quase dois anos, alegadamente devido a uma avaria no sistema de climatização, sem que até ao momento não exista informação concreta sobre a resolução do problema. A funcionária relatou ainda que sofre de problemas de saúde e que o calor intenso tem contribuído para episódios frequentes de mal-estar, agravados pela concentração de passageiros em determinados períodos do dia. “Não são apenas os funcionários que reclamam. Os passageiros também manifestam frequentemente o seu descontentamento devido ao calor”, afirmou, acrescentando que a entidade gestora pelos aeroportos, já têm conhecimento da situação. Outro trabalhador do aeroporto corroborou as preocupações, defendendo a adopção de medidas urgentes para melhorar as condições de trabalho e garantir maior conforto aos utilizadores. Por sua vez, um outro cidadão, Daniel Pina, considerou na sua página do facebook “inadmissível que uma infraestrutura internacional, que recebe diariamente passageiros nacionais e estrangeiros, não disponha de condições adequadas de climatização”. Segundo o mesmo, o contrato de gestão e manutenção da infraestrutura deve assegurar condições dignas de acolhimento para passageiros e acompanhantes, pelo que apelou ao cumprimento das responsabilidades assumidas pelas entidades competentes. O cidadão criticou ainda aquilo que considera ser “falta de respostas por parte das autoridades responsáveis” e defendeu que o Aeroporto Internacional Nelson Mandela deve reflectir uma imagem positiva de Cabo Verde junto dos visitantes. “É hora de exigir que o contrato seja cumprido e que sejam criadas condições reais de climatização, para que o aeroporto deixe de ser motivo de indignação e passe a ser motivo de orgulho”, concluiu. A Inforpress tentou contactar um responsável da Cabo Verde Airports, mas sem sucesso. A Semana com Inforpress
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Entre casas vazias, uma escola sem alunos e cada vez menos moradores, Achada Leite assiste ao despovoamento gradual da comunidade, enquanto os residentes que permanecem aguardam por investimentos capazes de devolver vida à localidade. Vista do alto, Achada Leite impressiona. A localidade estende-se sobre um vale recortado por uma ribeira que separa os dois lados da comunidade e conduz o olhar até ao mar. Ao longo do leito da ribeira ainda se encontram coqueiros, mangueiras e outras árvores, além de canaviais, que testemunham um tempo em que a água era mais abundante e a agricultura sustentava muitas famílias. Hoje, parte dessa vegetação parece ter perdido o brilho de outros tempos, algumas mangueiras produzem menos frutos, muitos coqueiros permanecem isolados e áreas que antes eram cultivadas deram lugar ao mato e às plantas invasoras. A própria ribeira, que durante décadas ajudou a alimentar a vida da comunidade, parece carregar consigo as marcas da mudança, onde o silêncio é interrompido apenas pelo som vento que percorre o vale. Das cerca de 50 a 60 casas existentes na localidade, apenas uma pequena parte continua habitada, e muitas permanecem fechadas, mas conservam sinais evidentes que dão impressão de que a partida aconteceu de forma repentina. Em algumas casas, os móveis continuam arrumados, as cortinas permanecem penduradas nas janelas e alguns objectos ficaram como que exactamente onde os proprietários os deixaram. As portas continuam fechadas à espera de um regresso que, para os moradores, dificilmente acontecerá. Segundo os residentes, a maioria das famílias que deixou Achada Leite mudou-se para Ribeira da Barca, Assomada, Praia ou para o estrangeiro à procura por melhores condições de vida, oportunidades de trabalho e acesso a serviços básicos que acelerou a saída da população ao longo dos últimos anos. Hoje, estima-se que apenas cerca de 30 a 40 pessoas vivam na localidade. Entre elas está o agricultor António Tavares, que reside em Achada Leite há mais de três décadas, e continua a dedicar-se às hortas e à criação de animais, actividades que garantem o sustento das famílias da comunidade. Segundo contou à Inforpress, a falta de água continua a ser um dos principais obstáculos ao desenvolvimento da localidade. Explicou que existe um sistema de abastecimento, mas a disponibilidade de água continua insuficiente para responder às necessidades da agricultura, reduzindo a produção e dificultando a permanência de mais pessoas na comunidade. Na sua opinião, se houvesse mais água e melhores condições de trabalho, menos famílias teriam abandonado Achada Leite. Os efeitos da redução da população são visíveis na escola da localidade que, sem alunos suficientes para manter o funcionamento regular, o estabelecimento encontra-se encerrado e apresenta sinais de degradação. As poucas crianças que ainda vivem na comunidade estudam em Charco ou Ribeira da Barca, enquanto os alunos do ensino secundário enfrentam deslocações ainda mais exigentes para frequentarem as aulas em Cruz Grande ou Assomada. Para chegar aos transportes em Ribeira da Barca, percorrem longas distâncias, cerca de duas horas a pé antes mesmo de iniciarem a viagem para a escola. O isolamento é agravado pela falta de sinal de televisão e rede telefónica, e os moradores afirmam ter dificuldades em acompanhar os acontecimentos do país e manter contacto regular com familiares que vivem noutras localidades ou no estrangeiro. Diante dessas dificuldades, os poucos que permanecem em Achada Leite pensam em partir, mesmo que contra suas vontades. António Tavares, afirma que pretende continuar na localidade, onde construiu a sua vida e onde continua a encontrar tranquilidade para trabalhar e viver, mas se as pessoas continuarem a sair, sente-se também obrigado a deixar a localidade. No entanto, a esperança dos moradores está agora depositada nos projectos em curso, nomeadamente, a construção de dois miradouros e o projecto de asfaltagem da estrada que são vistos como investimentos capazes de atrair visitantes, dinamizar a economia local e criar condições para fixar mais pessoas. A expectativa é reforçada pelo potencial turístico da zona, que acolhe o Pilon, uma das Sete Maravilhas de Cabo Verde, e a praia de Águas Belas, um dos locais muito procurados por visitantes que procuram contacto com a natureza. Os moradores acreditam que, com melhores acessos, água suficiente e mais oportunidades económicas, Achada Leite poderá voltar a atrair famílias e recuperar parte da vida que perdeu ao longo dos anos. Enquanto esse dia não chega, a comunidade continua suspensa entre a beleza do lugar e a incerteza do futuro, resistindo ao silêncio que se tornou presença constante nas ruas, nas casas vazias e na antiga escola que um dia foi o centro da vida da localidade. A Semana com Inforpress
A escritora cabo-verdiana Leinira Tavares lança a 30 de Junho, na Praia, o seu primeiro livro, “O Ser da Alma: Entre Vozes e Silêncio”, uma obra poética que reúne reflexões sobre emoções, perdas, afectos e identidade. Formada em Estudos Ingleses e apaixonada pelos livros desde a infância, Leinira Tavares concretiza, com esta publicação, um sonho antigo ligado à escrita e à literatura e um percurso marcado pela observação das experiências humanas, transformadas em versos que, segundo a autora, procuram acolher, inspirar e despertar reflexão. Com 82 páginas, em formato brochura 14x21, o livro nasceu da necessidade de dar voz a sentimentos que muitas vezes são difíceis de compreender ou expressar. “É um livro que vem para trazer acolhimento, ternura para as pessoas e, com certeza, faz reflectir sobre a essência do nosso ser”, afirmou a escritora em entrevista à Inforpress. A autora contou que o título surgiu a partir de um poema homónimo incluído na colectânea, escrito de forma espontânea e sem qualquer pesquisa prévia, servindo como ponto de partida para a construção da obra. Os textos reunidos no livro resultam tanto de experiências pessoais como da observação do quotidiano e das outras pessoas. Entre os temas abordados no livro, figuram a vida, a morte, a amizade, as relações familiares, a maternidade, o amor e Cabo Verde. Embora tenha apontado “O Ser da Alma” como uma reflexão sobre esses temas, destacou o “Zion” como um dos poemas mais marcantes da obra. Inspirado no nascimento do seu filho, o texto reflecte a sua transformação enquanto mulher e mãe, abordando a maternidade como uma experiência capaz de revelar novas dimensões da identidade humana e a inevitabilidade da morte. Tavares reconheceu que um dos principais desafios enfrentados foi o financiamento da obra, uma vez que assumiu integralmente os custos do projecto. Ainda assim, realçou o apoio recebido do editor Ailton Moreira, que acompanhou de perto a construção da obra, desde a selecção dos poemas até aos detalhes da capa. O livro conta ainda com prefácio e posfácio assinados por Wilma Vieira, audiologista, escritora e comunicadora, cuja colaboração ajudou a enriquecer o projecto literário. Ao longo da entrevista, Leinira Tavares defendeu, igualmente, a importância da leitura e da escrita no desenvolvimento individual e colectivo, considerando que ambas desempenham um papel fundamental na formação de cidadãos mais conscientes e participativos. Segundo a autora, a poesia continua a ser um espaço privilegiado de liberdade e expressão, capaz de despertar sensibilidades e promover novas formas de compreender a realidade. Questionada sobre os seus próximos projectos, revelou a intenção de continuar a escrever, admitindo a possibilidade de publicar obras de carácter didáctico, contos infantis ou romances destinados a diferentes públicos, especialmente crianças e jovens. Ao resumir a essência da publicação numa única frase, a autora definiu a obra como “um livro de descobrimento da essência do nosso próprio ser”. Inspirada por autores cabo-verdianos como Baltasar Lopes, Leinira Tavares afirmou que este primeiro livro representa apenas o início de um percurso literário que pretende prosseguir nos próximos anos, através de novas obras voltadas para a educação, a reflexão e o desenvolvimento humano. A apresentação pública de “O Ser da Alma: Entre Vozes e Silêncios” acontece no dia 30 de Junho, às 17:00, na biblioteca nacional, na cidade da Praia, estando a apresentação da obra a cargo de Paulo Veríssimo e Aleida Almeida. A Semana com Inforpress
O antigo treinador da Associação Desportiva do Bairro Jimmy Barros recordou esta quarta-feira os primeiros passos de Kevin Pina no futebol e manifestou orgulho pelo percurso do internacional cabo-verdiano, autor do primeiro golo de sempre do país no Mundial. Em declarações à Inforpress, Jimmy Barros, que também fazia parte da selecção nacional de futebol, recuou a 2015, altura em que integrava a equipa técnica da Associação Desportiva do Bairro (AD Bairro), histórico clube da cidade da Praia com mais de 50 anos de existência, para recordar a chegada de um jovem atleta que viria a alcançar o maior palco do futebol mundial. Segundo o treinador, o nome de Kevin surgiu através de observações realizadas durante jogos de formação, tendo despertado atenção dos responsáveis técnicos pela capacidade de aprendizagem e pela forma como assimilava rapidamente as orientações recebidas. Barros relatou que o então jovem jogador não tardou a demonstrar qualidades que o distinguiam dos restantes atletas, sobretudo pela dedicação, disciplina e vontade permanente de evoluir. O orgulho do antigo treinador ganhou uma dimensão ainda maior no passado dia 21 de Junho, quando Kevin Pina escreveu uma página inédita do futebol nacional ao tornar-se o autor do primeiro golo de Cabo Verde na Copa do Mundo. O médio apontou o primeiro de golo Cabo Verde aos 21 minutos do empate (2-2) frente ao Uruguai, resultado que permitiu aos Tubarões Azuis manterem-se na luta pelo apuramento à fase seguinte da competição. “Quando ele marcou o golo, sinceramente, as lágrimas vieram aos olhos. Lembro-me daquele rapaz de 2015 e ver onde chegou hoje é uma satisfação enorme para mim, para a minha família e para todos os que acreditaram nele”, declarou Jimmy. O técnico lembrou ainda que, logo na primeira época no campeonato nacional, Kevin conseguiu destacar-se numa posição pouco associada aos golos. Actuando no meio-campo, assinou vários golos, incluindo de bola parada, deixando desde cedo sinais do potencial que viria a confirmar anos mais tarde. Para Jimmy Barros, o percurso do internacional cabo-verdiano constitui um exemplo claro de que o talento necessita de ser acompanhado por trabalho, persistência e compromisso. Ao analisar a campanha dos Tubarões Azuis no Mundial2026, o treinador considerou que os resultados alcançados não constituem surpresa para quem acompanha a evolução do futebol cabo-verdiano, destacando igualmente o trabalho desenvolvido pela equipa técnica nacional e por todo o “staff” da selecção. “Para muita gente pode ser uma surpresa, mas para quem conhece o futebol cabo-verdiano não é. Sempre acreditámos, sempre sonhamos alto e sabíamos que os nossos jogadores tinham qualidade para competir com qualquer adversário”, sustentou. Na ocasião, Jimmy Barros aproveitou igualmente para enaltecer o contributo do clube desportivo Bola Pra Frente e de Silvéria Nédio, conhecida como Nita, para a formação de jovens futebolistas, reconhecendo o papel desempenhado por ambos no desenvolvimento de talentos que hoje representam Cabo Verde ao mais alto nível. Chamou ainda a atenção para as dificuldades enfrentadas pelos clubes de formação, nomeadamente a escassez de infra-estruturas adequadas, os constrangimentos nos espaços de treino e as limitações que afectam diariamente atletas e treinadores. A esse propósito, recordou situações vividas no futebol de formação, nas quais alguns jovens chegavam aos treinos sem terem feito uma refeição adequada, realidade que, segundo disse, exige uma resposta mais consistente das entidades responsáveis. Barros defendeu, por isso, uma maior valorização dos atletas, mais investimento na formação de treinadores e melhores condições para os clubes que trabalham diariamente na descoberta e desenvolvimento de novos talentos. Deixou ainda uma mensagem às novas gerações, apontando os internacionais cabo-verdianos Kevin Pina, Jovane Cabral e Ryan Mendes como referências de perseverança e superação para os jovens cabo-verdianos. “Não queremos apenas formar jogadores. Queremos formar bons homens, preparados para a vida, para a escola e para o futebol”, concluiu o antigo treinador de Kevin Pina. A Semana com Inforpress
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Uma comitiva internacional chegou esta quarta-feira à ilha do Fogo, no âmbito do Mestrado em Resposta Humanitária, programa financiado pelo Erasmus Mundus da União Europeia e coordenado por um consórcio de sete universidades africanas e europeias. A deslocação se enquadra nas actividades da Escola Internacional de Verão promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), em parceria com a Universidade de Santiago (US) e tem a duração de três dias. O coordenador nacional do mestrado, Odair Barros Varela, disse que o projecto integra instituições como a Universidade de Cabo Verde, a Universidade de Santiago e a Universidade de Ruvuma (Moçambique), além de universidades europeias como a Universidade de Atenas (Grécia) e instituições em Portugal e na Noruega. O programa, explicou, envolve estudantes de várias nacionalidades da Europa, África, Ásia e América Latina, com o objectivo de estudar e preparar respostas a eventos extremos como erupções vulcânicas, conflitos armados, pandemias e outros desafios humanitários. “Estamos a formar técnicos capazes de actuar num mundo cada vez mais afectado pelas mudanças climáticas e crises complexas”, destacou. A visita à ilha do Fogo insere-se numa componente prática do curso, permitindo aos cerca de 40 participantes, entre estudantes (17), professores (uma dezena), técnicos e voluntários, conhecer no terreno a realidade de gestão de riscos em Cabo Verde, com especial enfoque na erupção vulcânica e na resposta da protecção civil. “Isso é muito bom para Cabo Verde, porque Cabo Verde é um país insular, um arquipélago, um pequeno estado insular em desenvolvimento, embora temos que mudar um pouco essa categorização, para assumir que somos um grande estado oceânico, com muito mar, então temos que prestar atenção a questões como o aumento do nível do mar e o aquecimento global”, disse. A professora da Uni-CV, Vera Alfama, sublinhou que o projecto tem duas áreas diferentes, a parte dos desastres naturais e a parte das migrações, acrescentando que para o Fogo, as migrações não importam muito e que os estudantes já viram isso em outras partes do mundo, nomeadamente na Grécia, onde visitaram campos de refugiados. “Queríamos mostrar a parte dos desastres naturais e um dos desastres naturais, embora não esteja relacionado com as alterações climáticas, é a erupção vulcânica que afectou todo o país e não apenas a zona de Chã das Caldeiras”, disse Vera Alfama justificando a escolha da ilha do Fogo. Os participantes já estiveram na ilha de Santiago e, no Fogo, visitaram hoje o Centro Integrado de Recursos da Uni-CV e reuniram-se com a Câmara Municipal de São Filipe. O programa inclui ainda deslocações a Chã das Caldeiras, visitas a projectos locais e contacto directo com a população. Entre as actividades previstas estão a visita à cooperativa de produção de queijo de Cutelo Capado, uma subida ao vulcão (pico principal e pico pequeno), sessões técnicas com o Parque Natural do Fogo, a Reserva da Biosfera e o Projecto Vitó, bem como um workshop da Protecção Civil Regional sobre a resposta à erupção de 2014. O presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva, destacou a importância da articulação entre protecção civil e comunidade local num território marcado por riscos naturais e pelos impactos das alterações climáticas. O Mestrado em Resposta Humanitária resulta de um projecto iniciado entre 2019 e 2020 na área de acção humanitária, evoluindo agora para um programa académico avançado. Segundo o coordenador nacional, estão previstas mais duas edições até 2027, reforçando a aposta na formação de especialistas capazes de responder a crises humanitárias em contextos globais cada vez mais complexos. A Semana com Inforpress
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Em Cabo Verde, os partidos da oposição e a presidente da Rede das Mulheres Parlamentares criticam a fraca representação feminina no novo governo. A Rede de Mulheres Parlamentares Cabo-verdianas mostra que, enquanto na Assembleia Nacional, há avanços com o parlamento composto por 47 %, próxima de paridade 50 – 50 e presidido por uma mulher, no novo executivo há apenas três mulheres. A deputada, Lúcia Passos em declarações à televisão pública cabo-verdiana, mostrou-se defraudada com a fraca presença de mulheres no governo. "É claro que nós estamos de defraudados e nós gostaríamos tanto que o novo governo tivesse mais mulheres e que respeitasse o princípio da paridade", disse a deputada. Todos os partidos da oposição acusaram o novo primeiro-ministro, Francisco Carvalho, de manter jovens e mulheres afastados dos centros de decisão e o presidente da UCID, João Santos Luís, disse que o presidente do PAICV não cumpriu o compromisso assumido com os cabo-verdianos "De enxuto, o governo não tem absolutamente nada porque na verdade tinha sido prometido um governo enxuto, de 11 a 12 elementos, máximo 13 elementos, o que não se efectivou. Nós estamos perante um governo de 18 membros", disse o líder da UCID, lembrando que o PAICV criticou o anterior governo de 22 elementos, apelidando o executivo de Ulisses Correia e Silva de “governo gordo”. Em resposta às críticas o secretário geral do PAICV, Vladmir Silves Ferreira, salientou, em comunidade "a diversidade e a qualidade técnica, científica e humana dos membros escolhidos para integrar o governo", sublinhando "que se trata de personalidades de reconhecido mérito e com experiência em diversas áreas da vida pública, capazes de contribuir para uma governação orientada para o desenvolvimento nacional". A Semana com RFI
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Os candidatos à presidência da Associação Académica da Universidade de Cabo Verde (ACAD-UniCV) para o mandato 2026-2028 defenderam esta quarta-feira medidas para reforçar a representatividade estudantil, melhorar os serviços universitários e dinamizar a vida académica. As propostas foram apresentadas durante a campanha para as eleições dos novos órgãos sociais nacionais da maior universidade pública do país. Em declarações à Inforpress, o candidato Flávio Furtado, estudante do segundo ano de Direito, afirmou que a sua lista pretende servir de “ponte entre os estudantes e a Reitoria”, defendendo uma representação mais próxima e permanente. Como prioridades, apontou o prolongamento do horário do autocarro universitário, a criação de uma loja na residência estudantil, a realização de um fórum académico e o reforço da cooperação entre os polos através de intercâmbios e actividades desportivas. O candidato propõe ainda a criação de núcleos em cada faculdade, com o objectivo de facilitar o contacto directo com os estudantes e assegurar que as suas preocupações cheguem à direcção da associação académica. Por sua vez, o candidato Derickson Gomes, estudante do quarto ano de Estudos Cabo-verdianos e Portugueses e actual coordenador do Gabinete de Desporto da associação, defendeu uma “maior dinamização da vida académica” através de actividades culturais e desportivas e da concretização de projectos que, segundo disse, ficaram por executar no actual mandato. Entre as suas principais medidas, destacou a criação de um quiosque na residência estudantil, cujos lucros reverteriam a favor de estudantes com dificuldades no pagamento de propinas, além da implementação do cartão de estudante, digitalização dos serviços e melhorias no funcionamento e horários da cantina universitária. Já o candidato Alexssandro Rocha, estudante do quarto ano de Filosofia Política e Relações Internacionais, centrou a sua plataforma eleitoral na revitalização da comunidade e na defesa dos interesses dos discentes. Manifestou particular preocupação com a reduzida participação dos alunos nas actividades universitárias e associativas, advogando por uma estrutura mais inclusiva, descentralizada em núcleos e participativa, que coloque o estudante no centro de todas as decisões. A votação decorre ao longo do dia de hoje através da plataforma de voto eletrónico da Uni-CV, facilitando a participação dos estudantes distribuídos pelos diferentes polos da instituição de ensino superior. O processo eleitoral encerra-se às 17:00, hora prevista para o fecho das urnas electrónicas e início do apuramento dos resultados. A Semana com Inforpress
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O presidente da Câmara de São Filipe, Nuías Silva, defendeu hoje a criação de um Centro Regional de Proteção Civil e Bombeiros para a Região Fogo/Brava para fortalecer a capacidade de resposta a emergências e desafios humanitários. A proposta foi apresentada durante um encontro sobre “Protecção Civil e resposta humanitária em pequenos territórios insulares – a experiência do município de São Filipe”, realizado no âmbito da Escola Internacional de Verão, promovida pela Universidade de Cabo Verde (Uni-CV) e pela Universidade de Santiago (US) e que reúne estudantes e especialistas de várias nacionalidades. Na sua intervenção, Nuías Silva destacou que São Filipe enfrenta desafios específicos decorrentes da presença de um vulcão activo, das extensas áreas florestais, das zonas montanhosas de difícil acesso e da crescente vulnerabilidade às alterações climáticas, factores que tornam a gestão do risco uma necessidade permanente e não apenas uma resposta ocasional às emergências. O edil sublinhou que a visão para o futuro passa pela criação de um Centro Regional de Comando de Protecção Civil e Bombeiros “devidamente capacitado”. Passa também, continuou, pela elaboração de um plano municipal e regional de emergência, pela aquisição de equipamentos adequados aos riscos vulcânicos e florestais e pela implementação de sistemas modernos e eficazes de alerta e comunicação. Outro eixo prioritário apontado pelo edil é o reforço da resiliência das comunidades através da capacitação dos cidadãos, considerando que as populações são os primeiros agentes de resposta em situações de crise. Ao partilhar a experiência do município, Nuías Silva destacou várias lições aprendidas ao longo dos anos. Entre elas, salientou que a prevenção deve constituir uma prioridade permanente, que a preparação salva vidas, que as comunidades desempenham um papel fundamental na resposta inicial e que a cooperação entre instituições é indispensável para enfrentar os desafios humanitários. “O que a nossa experiência demonstra é que a resiliência se construi antes da crise”, afirmou, acrescentando que mesmo municípios com recursos limitados podem reforçar significativamente a sua capacidade de resposta através da preparação, da formação e da cooperação. O presidente da câmara de São Filipe reconheceu, contudo, que persistem desafios importantes, nomeadamente a escassez de recursos financeiros, insuficiência de equipamentos especializados, necessidade de formação contínua dos agentes de protecção civil, elevados custos associados à insularidade e limitações logísticas em situações de emergência. Neste contexto, defendeu o reforço das parcerias nacionais e internacionais para garantir formação especializada em gestão de emergências, busca e salvamento, capacitação técnica das corporações e aquisição de equipamentos adequados. Para Nuías Silva, nenhum município vulnerável consegue enfrentar sozinho os desafios humanitários do futuro, por isso considerou que a construção da resiliência deve ser encarada como um compromisso colectivo que envolve governos central e local, parceiros nacionais e internacionais, instituições académicas e as próprias comunidades. A Semana com Inforpress
O Simpósio Internacional “Museu da Resistência do Campo de Concentração do Tarrafal” marca o culminar da candidatura a Património Mundial da Unesco e um momento de reflexão sobre o valor universal excepcional do Tarrafal, afirmou a presidente do IPC. Em declarações à imprensa, Ana Samira Baessa, explicou que o encontro insere-se na fase final de consolidação técnica e científica do dossiê, no âmbito da candidatura do sítio a Património Mundial da Unesco, retomada a 1 de Maio de 2024. “Desde então temos estado a fazer um trabalho técnico-científico muito profundo, para além da reabilitação do espaço, incluindo a recolha de memórias no sentido de concretizar esta grande ambição do reconhecimento do Campo de Concentração do Tarrafal”, afirmou. Ana Samira Beassa recordou que o processo esteve condicionado por restrições da Unesco à inscrição de novos sítios de memória ligados a conflitos recentes, o que levou a uma reorganização metodológica da candidatura. Segundo aquela responsável, o dossiê, avançou entretanto para uma avaliação preliminar da Unesco, realizada em Outubro de 2025, cujo relatório “validou a metodologia e as estratégias” adoptadas, mas deixou recomendações importantes. “Recomenda maior envolvimento da comunidade e aprofundamento das pesquisas científicas e arqueológicas”, disse, acrescentando que já foram realizadas escavações para identificação de vestígios ligados ao antigo campo. A presidente do IPC sublinhou ainda que foi feita a delimitação do bem a classificar, que integra não apenas o antigo complexo prisional, mas também outros elementos históricos como a granja, o colonato e a pedreira. “O objectivo é explicar de forma transversal e abrangente o que o Campo de Concentração do Tarrafal representa não só para Cabo Verde, mas para a história da humanidade”, destacou. O simpósio reúne investigadores e especialistas de Angola, Guiné-Bissau, Portugal, Moçambique, Brasil, Burkina Faso e Açores, além de académicos e testemunhos de antigos presos políticos. Durante dois dias, serão debatidos temas como história, memória e direitos humanos, patrimonialização e musealização de sítios de resistência, interpretação e sustentabilidade do património. O programa inclui ainda um encontro restrito de especialistas no dia 26, dedicado à definição do valor universal excepcional do sítio, etapa decisiva para a submissão do dossiê à Unesco prevista para 15 de Setembro. A Semana com Inforpress
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O Centro Cultural do Mindelo recebe, no próximo dia 01 de Julho, a apresentação da obra “Saudade – Cartografia de um sentimento”, do jornalista sueco Henrik Jönsson, que explora as origens deste sentimento na lusofonia. A informação consta de uma nota da organização enviada à Inforpress, que explica que a primeira vez que o autor ouviu a palavra "saudade" foi na voz da cantora cabo-verdiana Cesária Évora. Apaixonado pela língua portuguesa e pela sua história, Henrik Jönsson empreendeu uma viagem por diferentes comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo, procurando compreender a génese de um sentimento frequentemente associado à identidade cultural destes povos. Segundo a sinopse da obra, a palavra “saudade”, durante muito tempo considerada exclusiva da língua portuguesa e intraduzível, descreve um estado de espírito ambíguo em que a dor e a alegria coexistem num presente marcado pelas recordações do passado. Com o aumento dos fluxos migratórios, a fonte refere que a saudade deixou de ser apenas uma característica das comunidades lusófonas para se afirmar como um sentimento universal, cada vez mais presente num mundo globalizado. Ao longo da investigação que deu origem ao livro, o autor percorreu os arquipélagos atlânticos de Cabo Verde, dos Açores e da Madeira, bem como várias regiões das Américas. Nesses locais, recolheu testemunhos de pessoas que emigraram em busca de melhores condições de vida, fugindo à pobreza, aos desastres naturais ou à falta de perspectivas, mas que mantiveram uma forte ligação às suas terras de origem. A narrativa acompanha duas viagens paralelas, sendo uma geográfica, que atravessa o Atlântico em diferentes direcções para encontrar histórias marcadas pela saudade. Na outra, mais íntima e introspectiva, o autor revisita memórias e afectos para compreender o que significa sonhar em português longe de casa e enfrentar a distância daqueles que ficaram. A apresentação da obra na cidade do Mindelo contará com a presença do autor e da embaixadora da Suécia em Cabo Verde, Elisabeth Eklund. A Semana com Inforpress
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