quarta-feira, 28 outubro 2026

Costa desalinhado de Von der Leyen sobre ataques ao Irão: “A UE deve defender a ordem internacional baseada em normas”

Este desencontro, esreve Epresso-pt, entre Von der Leyen e Costa surge um dia depois de ambos terem debatido com representantes de 13 países do Médio Oriente. Numa declaração conjunta após o encontro, os presidentes da Comissão e do Conselho revelaram sintonia ao demonstrarem a disponibilidade da UE para “facilitar o regresso à mesa das negociações”, reduzir as tensões e reforçar as suas missões navais no Médio Oriente.
 
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, demarcou-se, segundo Expresso-pt, publicamente da visão da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre o futuro da ordem global e a atual guerra contra o Irão, escreve o jornal espanhol “El País”. Enquanto Von der Leyen sugeriu que o sistema baseado em regras está ultrapassado, o antigo primeiro-ministro português insistiu que a União Europeia (UE) deve continuar a ser o baluarte dos princípios da Carta das Nações Unidas.

A falta de sintonia surge numa altura em que a ordem internacional é posta à prova com a guerra na Ucrânia, o conflito em Gaza e a recente ofensiva lançada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, contra o Irão. Num discurso perante embaixadores europeus, Costa foi categórico: “Os europeus devem defender a ordem internacional baseada em normas.”

Esta posição parece contrariar em toda a linha as declarações da véspera de Von der Leyen, quando a presidente da Comissão afirmou que a Europa já não pode ser a guardiã do ordenamento global atual e apelando a uma reforma.

Críticas internas a Von der Leyen

Conforme a mesma fonte, a chefe do Executivo comunitário tem enfrentado críticas pela sua proximidade aos Estados Unidos, a par com a ausência de uma condenação firme das violações de direitos humanos em Gaza e da agressão norte-americana e israelita contra o Irão. Teresa Ribera, primeira vice-presidente da Comissão (e socialista como Costa), também manifestou a sua discordância, classificando como “muito perigoso” o questionamento do direito internacional. Para Ribera, “não se enfrenta os abusadores quebrando as regras e aceitando o abuso”.

Costa criticou a guerra iniciada por Netanyahu e Trump contra o Irão, que arrancou a 28 de fevereiro sem qualquer resolução das Nações Unidas. O presidente do Conselho Europeu alertou para as consequências económicas e sociais na Europa, como o aumento dos preços da energia e a instabilidade regional. “A liberdade e os direitos humanos não se alcançam com bombas. Apenas o direito internacional os defende”, sublinhou.

Na véspera, Von der Leyen alertava para o “conflito regional com consequências não intencionais” no Médio Oriente, adiantando que “não deve haver lágrimas pelo regime iraniano”.

Costa contra lógica das esferas de influência

Para o antigo primeiro-ministro português, o mundo atual exige soluções multilaterais e não a criação de esferas de influência em que a “política de poder substitui o direito internacional”. Costa apontou que a nova realidade é marcada por uma Rússia que viola a paz, uma China que perturba o comércio e uns Estados Unidos que desafiam a ordem estabelecida.

Por isso, defendeu que a manutenção de um mundo cooperativo e baseado em regras é um caminho essencial para garantir a segurança e a prosperidade da Europa, sendo também a melhor forma de ajudar a Ucrânia a alcançar uma paz justa e duradoura.

Este desencontro, esreve Epresso-pt, entre Von der Leyen e Costa surge um dia depois de ambos terem debatido com representantes de 13 países do Médio Oriente. Numa declaração conjunta após o encontro, os presidentes da Comissão e do Conselho revelaram sintonia ao demonstrarem a disponibilidade da UE para “facilitar o regresso à mesa das negociações”, reduzir as tensões e reforçar as suas missões navais no Médio Oriente.

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Comentários

joão do rosário
20 dias atrás

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jcf
22 dias atrás

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