A instabilidade política, a falta de emprego e as fragilidades do sistema de ensino estão a levar cada vez mais jovens guineenses a procurar no estrangeiro as oportunidades que dizem não encontrar no seu país.
"Não vejo nenhuma razão mais forte do que a instabilidade política vivida desde a independência da Guiné-Bissau. Poderia citar várias outras razões que levam os jovens a abandonar o país, mas todas acabam por estar relacionadas com a instabilidade política", afirma.
A instabilidade política, a fragilidade económica e a escassez de oportunidades de formação e emprego continuam a impulsionar a saída de jovens da Guiné-Bissau. Num contexto político tenso, agravado pela crise institucional que o país tem vivido nos últimos anos, muitos procuram no estrangeiro melhores perspetivas de futuro.
Em Portugal, vários estudantes guineenses ouvidos pela DW apontam a instabilidade política como a principal causa da emigração juvenil.
Há quatro anos em Portugal, Eliseu Sambú frequenta o curso de Arquitetura e trabalha simultaneamente como segurança para suportar as despesas e ajudar familiares que permanecem na Guiné-Bissau. Para o jovem, a principal razão para abandonar o país está diretamente ligada à instabilidade política.
"Não vejo nenhuma razão mais forte do que a instabilidade política vivida desde a independência da Guiné-Bissau. Poderia citar várias outras razões que levam os jovens a abandonar o país, mas todas acabam por estar relacionadas com a instabilidade política", afirma.
Segundo Sambú, a falta de estabilidade afasta o investimento e limita o desenvolvimento de setores essenciais, como a educação, reduzindo também as oportunidades de emprego.
"Os jovens procuram sobretudo oportunidades de trabalho e de estudo. É isso que têm vindo a procurar em Portugal e noutros países. Se essas oportunidades existissem na Guiné-Bissau, muitos não teriam saído", defende.
Também a estudante de Direito Lenira Gomes, residente em Portugal há cerca de três anos, afirma que a decisão de emigrar esteve relacionada com a procura de melhores condições académicas.
"Sempre tive vontade de estudar fora do país, conhecer novas realidades, novas pessoas e ter mais oportunidades, que não existem na Guiné-Bissau."
A jovem considera que os problemas no sistema educativo estão intimamente ligados à instabilidade política e institucional. "A Guiné-Bissau enfrenta vários desafios no setor da educação e muitos deles estão associados à instabilidade política. Essa situação acaba por ter impacto nas escolas e universidades."
Apesar da distância, tanto Eliseu Sambú como Lenira Gomes mantêm o desejo de regressar ao país para contribuir para o seu desenvolvimento, desde que existam condições de estabilidade política e social.
Há seis anos em Portugal, Amadu Sabali, presidente da Associação dos Estudantes da Guiné-Bissau em Lisboa, partilha da mesma análise. Na sua opinião, a fragilidade económica, a falta de oportunidades profissionais e a instabilidade política continuam a alimentar a emigração juvenil.
"Neste contexto, muitos jovens guineenses optam pela emigração como estratégia de sobrevivência e de melhoria das suas condições de vida."
Contudo, Sabali alerta para o impacto desta saída de quadros qualificados no desenvolvimento do país e defende o regresso daqueles que adquirem formação no estrangeiro.
"Temos de voltar. Sou da opinião de que o país precisa de nós. Temos muito para contribuir para o desenvolvimento da Guiné-Bissau", conclui.
A Semana com DW África
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