O Presidente brasileiro, Lula da Silva, reagiu esta segunda-feira, 27, com ironia ao ser questionado sobre o que achou das declarações no fim de semana do seu homólogo argentino Javier Milei.
Milei, que proferiu várias expressões injuriosas contra aqueles que apelidou de "esquerdistas", acusou ainda Lula de não fazer o ajustamento orçamental de que, na sua opinião, o Brasil necessita.
"Quem é este cara?", respondeu rindo a jornalistas durante agenda no Palácio do Itamaraty, sede da diplomacia brasileira, para receber o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, em mais uma agenda em Brasília.
Javier Milei participou no sábado, em São Paulo, da cerimónia do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura às presidenciais brasileiras de Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na ocasião, o político argentino pediu que Flávio Bolsonaro consiga "travar o lixo socialista" nas eleições de outubro, além de atacar Lula da Silva.
Milei, que proferiu várias expressões injuriosas contra aqueles que apelidou de "esquerdistas", acusou ainda Lula de não fazer o ajustamento orçamental de que, na sua opinião, o Brasil necessita.
"O desperdício paga-se e esperamos que quem o causou pague nas urnas em outubro", declarou o político argentino.
Milei criticou também, de forma implícita, o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, relator do processo que levou Bolsonaro a ser condenado a 27 anos de prisão por orquestrar uma tentativa de golpe de Estado após a derrota nas eleições de 2022.
O juiz impediu que Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliária, recebesse a visita de Milei na sua residência, em Brasília, onde cumpre pena, e, por causa disso, o político argentino chamou Moraes de "lixo careca".
As declarações do líder argentino, de extradireita, geraram forte reação na diplomacia brasileira, o que fez o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, convocar o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, ao Palácio do Itamaraty para prestar explicações.
Por meio de nota, o Ministério de Relações Exteriores brasileiro classificou as declarações de Milei como lamentáveis e infames.
"Não há precedentes de um Presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro", informou.
"É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o Presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial", conclui o comunicado.
Mais cedo, durante uma entrevista a uma rádio brasileira, o ministro brasileiro da Fazenda, Dario Durigan, chamou palhaço a Javier Milei e disse que o Brasil está melhor em termos económicos e financeiros que a Argentina.
Durigan explicou que o risco-país do Brasil, um indicador que mede a capacidade de um Estado pagar ou não as suas dívidas externas, é melhor que o risco-país da Argentina.
O ministro da Fazenda citou ainda vários índices do país vizinho, como inflação, endividamento e, em comparação, apontou que o Brasil tem menos desemprego, inflação controlada e recordes na balança comercial.
"O palhaço do Presidente da Argentina veio ao Brasil e falou de Brasil, quando o risco-país da Argentina é muito mais alto, a dívida pública é muito mais alta, a inflação lá é muito [alta]", declarou Durigan em entrevista à Rádio Jornal.
A Semana com NM/Lusa
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