Guerra Rússia/Ucrânia: "Sem retirada russa não há paz", diz Zelenskyy a Guterres e Erdoğan
I Internacional
Os preços do petróleo caíram hoje mais de 4%, com o barril de Brent a negociar perto dos 80 dólares, após os Estados Unidos terem manifestado esperança num acordo rápido para reabrir o estreito de Ormuz.
Por volta das 13h35 GMT (14h35 em Lisboa), o preço do barril de Brent, referência na Europa, para entrega em outubro, registava uma queda de 4,25%, para 80,21 dólares.
O equivalente norte-americano, o barril de West Texas Intermediate (WTI), para entrega em setembro, recuava 4,75%, para 76,52 dólares.
A queda nos preços do petróleo ocorreu depois de os Estados Unidos terem manifestado a esperança de que se chegue rapidamente a um acordo para reabrir o estreito de Ormuz.
O secretário do Tesouro norte-americano admitiu hoje que um acordo para reabrir o estreito de Ormuz poderá ser alcançado até quarta-feira, embora Teerão negue estar em negociações diretas com Washington.
"Estamos em negociações com os iranianos e penso que há uma possibilidade de chegarmos hoje ou amanhã a um acordo com vista à reabertura do estreito e à normalização da situação", disse Scott Bessent numa entrevista à estação CNBC.
Quando questionado sobre eventuais taxas do Irão pelo estreito, Scott Bessent respondeu que julga que a passagem ocorrerá em condições de "liberdade de circulação".
A situação continua tensa no estreito de Ormuz, onde um navio foi novamente atingido durante a noite, apesar do otimismo demonstrado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que garante que as negociações com o Irão estão a avançar e que esta rota marítima estratégica poderá reabrir já hoje.
O Irão negou a existência de qualquer diálogo com os Estados Unidos, mas admitiu novas conversações com Omã.
"Não estamos a negociar com os Estados Unidos neste momento. Estamos a negociar com Omã para garantir a passagem pelo estreito de Ormuz", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghai, na segunda-feira, durante a conferência de imprensa semanal.
A actual epidemia de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) já matou mais de 1.700 pessoas no leste do país, segundo os dados governamentais hoje anunciados.
Até ao momento, foram registados 3.802 casos, com 1.707 mortes, segundo a actualização mais recente do Governo desta nação vizinha de Angola.
Ainda não é claro quando a epidemia atingirá o seu pico, afirmou também hoje o diretor-geral da agência de saúde pública da União Africa, o Africa CDC, Jean Kaseya, durante a sua segunda visita à cidade de Búnia, perto do epicentro da epidemia.
Kaseya alertou que quase 80% dos novos casos não resultam do rastreio de contactos, mas sim da transmissão comunitária.
Também o director-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegará hoje à capital congolesa, Kinshasa, e deverá visitar Búnia ainda esta semana.
A epidemia, declarada a 15 de Maio, foi associado ao vírus Bundibugyo, para o qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados.
Atrasos no rastreio de contactos, dificuldades de acesso às áreas afetadas, desconfiança das comunidades e violência por parte de grupos armados e de alguns residentes têm dificultado a resposta, segundo o Africa CDC.
Estão em curso dois ensaios clínicos de medicamentos de profilaxia pós-exposição na província de Ituri, bem como dois ensaios de vacinas distintos, no Reino Unido e no Canadá.
Este episódio epidémico está sobretudo concentrado na remota província de Ituri, no leste da RDCongo, que representa quase 90% dos casos, mas já foram confirmados casos noutras cinco províncias, incluindo numa das maiores cidades do país, Kisangani.
O vizinho Uganda declarou-se livre do Ébola após a alta do último paciente do país, em meados de junho.
Um dos principais desafios é o facto de o paciente zero ainda não ter sido identificado, enquanto os deslocamentos causados pelo conflito armado e pela exploração mineira ilegal na região dificultam o rastreio de milhares de pessoas que estiveram em contacto com infetados.
A OMS comunicou que está a acompanhar mais de 17.000 potenciais contactos, sendo quase 80% deles observados diariamente.
Na segunda-feira, profissionais de saúde na cidade fortemente afetada de Mongbwalu lançaram um ultimato sobre salários em atraso.
Anteriormente, profissionais de saúde em Búnia entraram em greve devido à falta de pagamento e a condições de trabalho perigosas. A OMS afirma que mais de 100 profissionais de saúde foram infetados desde o início desta epidemia, a 17.ª no país.
Israel e Líbano estão em Roma para uma sétima ronda de negociações entre os dois países desde o início da guerra na região, sob o patrocínio dos Estados Unidos, com o objectivo de uma retirada sucessiva das forças israelitas do sul do país.
Já se passou mais de um mês desde a assinatura do acordo-quadro por Israel e Líbano, em Washington DC, que prevê a retirada gradual das forças israelitas do sul do Líbano e o destacamento do exército libanês para a região, começando por áreas-teste conhecidas como “zonas-piloto”, bem como o desarmamento do Hezbollah.
As negociações desta semana, que deverão prolongar-se até quinta-feira, constituem a sétima ronda de conversações patrocinadas pelos EUA desde que o Hezbollah levou o Líbano para a guerra no Médio Oriente, em março, com disparos de foguetes contra Israel, em apoio ao seu aliado, o Irão.
Israel respondeu com intensos ataques aéreos e uma invasão terrestre que, segundo o Líbano, já causaram a morte de mais de 4 300 pessoas. Do lado israelita, o exercito registou a morte de 38 soldados e de um contratante civil.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou na terça-feira que as negociações diretas trariam “nada mais do que vergonha, humilhação e sucessivos compromissos” para o Líbano. Num discurso televisionado, criticou também o presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmando que este “não agiu como árbitro, nem como figura unificadora, mas tornou-se parcial e divisivo, o que é incompatível com o seu papel e com a força do Líbano”.
Já o ministério dos Negócios Estrangeiros italiano apelou aos dois países de prosseguirem o “trabalho num espírito construtivo” para definir “soluções comuns”.
“Zonas piloto” a Sul do Líbano
Após as negociações do mês passado, as forças armadas de Israel retiraram-se dos arredores da aldeia de Zawtar al-Gharbiya, uma das primeiras zonas-piloto. O exército libanês destacou-se para a zona e permitiu que os residentes voltassem para as suas casas e estabelecimentos comerciais.
O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, afirmou numa reunião do Conselho de Ministros, na segunda-feira, que o seu país estava a prosseguir “esforços no sentido de retiradas sucessivas de Israel do território libanês, conduzindo a uma retirada total”.
Um responsável do Departamento de Estado dos EUA tinha declarado à agencia de noticias AFP que as discussões desta semana iriam “incluir a expansão das zonas-piloto, a resolução de todas as questões fronteiriças pendentes e trabalhar no sentido de um acordo abrangente de paz e segurança”.
Já o embaixador dos Estados Unidos no Líbano, Michel Issa, apelou na segunda-feira a uma aplicação “responsável” do acordo-quadro: “avançar demasiado depressa corre o risco de pôr em perigo os próprios civis que este processo se destina a proteger”, afirmou num comunicado.
Embora a violência tenha diminuído desde junho, Beirute continua a registar ataques israelitas esporádicos e a denunciar explosões no sul do país.
Especialistas têm manifestado dúvidas sobre a implementação do acordo-quadro, duvidando da capacidade das autoridades libanesas de desarmar o Hezbollah, que se opõe ao acordo com Israel e se recusa a entregar as suas armas, mas também do comprisso de Israel de se retirar quando forem selecionadas “zonas-piloto” em áreas totalmente sob a sua ocupação.
A violência no Líbano diminuiu desde o acordo entre o Líbano e Israel e a assinatura, em junho, de um acordo preliminar entre os EUA e o Irão sobre o conflito no Médio Oriente.
No entanto, o Líbano continua a registar ataques e bombardeamentos israelitas intermitentes, bem como detonações e demolições em aldeias do sul. Na noite de 30 para 31 de julho, forças israelitas detonaram aproximadamente 700 toneladas de explosivos perto do castelo de Beaufort, classificado pela UNESCO, tendo Israel afirmado ter destruído túneis utilizados pelo grupo militante Hezbollah.
A Semana com RFI
Rating
( 0 Rating )
Visualizações: 474
Grupos, políticos e 'influencers' de extrema-direita sucedem-se nos últimos dias em visitas a Ceuta, onde grupos de habitantes têm saído à rua para lhes boicotar as iniciativas e gritar-lhes que não se vão deixar dividir.
O eurodeputado e líder do partido espanhol Acabou-se a Festa, Alvise Pérez, o grupo neonazi Núcleo Nacional ou o 'influencer' e "agitador político" Vito Quiles foram alguns dos nomes que passaram pelo enclave espanhol no norte de África desde sábado, para usar a entrada ilegal e em massa de dezenas de milhar de pessoas em Ceuta na semana passada nos discursos anti-imigração e islamófobos que defendem.
Os três foram recebidos com alguns aplausos, mas sobretudo com gritos de "fachas", "fora", "islamófobos", "perseguidores dos fracos", "Ceuta unida jamais será vencida" ou "Ceuta unida, não dividida".
Alvise Pérez e um grupo de cerca de 20 pessoas do Núcleo Nacional acabaram mesmo retirados no sábado dos locais das concentrações que queriam promover e foram escoltados pela polícia espanhola até ao porto de Ceuta, de onde saem os barcos com ligações para fora da cidade, para Algeciras, na Espanha continental.
Também Vito Quiles tentou participar numa concentração que decorreu no domingo à noite no centro da cidade, em frente da Delegação do Governo de Espanha em Ceuta, mas foi levado do local poucos minutos depois de ter tentado somar-se às cerca de 400 pessoas que ali estavam.
"O que estão a tentar fazer é dividir-nos", disse à Lusa no domingo à noite Nuhayla, 30 anos, muçulmana nascida em Ceuta, com avós originários de Marrocos.
Funcionária no porto da cidade, foi uma das promotoras da concentração em frente da delegação do Governo em Ceuta, que publicações na Internet ligadas à extrema-direita divulgaram com a frase “Espanha levanta-se contra a invasão”.
Na concentração, os gritos dividiram-se entre dois grupos claramente diferentes – o que pedia a demissão do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, e os que preferiam insistir em que "Ceuta unida jamais será vencida".
Nuhayla sublinhou à Lusa que em Ceuta convivem há séculos várias culturas e que há muitas opiniões políticas, de esquerda à direita, sobre a imigração e as fronteiras, como em todo o lado.
“Do que não precisamos é que venham de fora representar-nos", acrescentou, lamentado que Vito Quiles, por exemplo, tenha ido perturbar a concentração, "só para provocar e se exibir".
Ao fundo da praça, depois da saída de Vito Quiles, dois rapazes abriram uma faixa em que defendiam a "remigração" e, em pleno centro de uma cidade africana, diziam que "a Europa não é África" e alertavam para "a substituição étnica".
Uma das raparigas que os acompanhava disse à Lusa que pertencem uma plataforma transeuropeia que quer levar o tema da "remigração" às instituições comunitárias e que nunca nenhum deles tinha estado em Ceuta. Viajarem de outras cidades espanholas e europeias e os rapazes que seguram a faixa só falaram em inglês com os jornalistas.
A "remigração" é um termo usado atualmente pela extrema-direita europeia com o qual defende deportações forçadas e em massa de imigrantes, incluindo, em alguns casos, um alegado repatriamento de nacionais descendentes de estrangeiros, ou seja, cidadãos dos próprios países.
Nuhayla, com origens em Marrocos e vestida com uma 't-shirt' da seleção espanhola do jogador Lamine Yamal, filho de imigrantes de Marrocos e da Guiné Equatorial, diz que ela própria não rejeita a ideia da "remigração", convencida de que é um princípio a aplicar "só a delinquentes ou a quem não quer trabalhar" e que não há qualquer contradição entre o que diz à Lusa e a camisola que escolheu para levar à manifestação.
"Lamine tem os documentos todos em dia e os pais dele vieram para trabalhar", justificou.
Mais contundente é Bayan, 29 anos, que trabalha em limpeza e se diz "filha, neta e bisneta" de muçulmanos nascidos em Ceuta, com origens em Marrocos.
"Esta gente está a aproveitar-se da situação e querem pôr-nos uns contra os outros. Não queremos e não vamos deixar", disse à Lusa.
"Chamam-nos, aos muçulmanos de Ceuta, ‘quinta-colunistas’, como se não fôssemos espanhóis", revolta-se Bayan, numa referência ao grupo de Vito Quiles que acabava de ser expulso da praça da concentração.
Em Ceuta, quase metade da população é católica e a outra metade é quase toda muçulmana. Há também uma comunidade hindu e judia. E é assim há gerações, com os moradores a repetirem insistentemente aos jornalistas que é uma cidade onde "convivem em harmonia quatro culturas" e assim quer continuar a ser.
Com a imigração no centro do debate da política europeia, os acontecimentos da semana passada em Ceuta levaram também à cidade nos últimos dias dirigentes de partidos da direita radical como o britânico UK Reform ou o espanhol Vox, que é neste momento o terceiro maior partido no parlamento de Espanha e integra vários governos regionais no país, em coligação com o Partido Popular (PP, direita).
Nos dois casos, foram visitas mais discretas e menos polémicas, sem confrontos verbais com a população local. O alvo das críticas destes discursos têm sido as políticas de imigração do governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, em contracorrente com a da maioria dos parceiros europeus.
O delegado do Governo de Espanha em Ceuta, Miguel Ángel Pérez, lamentou no domingo, numa conferência de imprensa, a presença em Ceuta de "grupos de extrema-direita que só pretendem semear ódio, divisão e medo numa cidade que não precisa de lições de quem só quer aproveitar-se politicamente desta situação".
O Presidente norte-americano reiterou este sábado o reconhecimento da soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental e o apoio à proposta de “uma autonomia séria, credível e realista” como única base para uma solução “justa e duradoura”.
“Os Estados Unidos são claros: reconhecemos a soberania de Marrocos sobre o Saara Ocidental e apoiamos a proposta marroquina de uma autonomia séria, credível e realista como única base para uma solução justa e duradoura”, salientou Donald Trump, num comunicado, que enviou ao rei de Marrocos, Mohamed VI, por ocasião do 27.º aniversário da entronização, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
As palavras de Trump surgem depois de uma crise migratória sem precedentes entres Marrocos e Espanha, após a entrada de cerca de 50 mil migrantes no enclave espanhol de Ceuta, situação sobre a qual Marrocos mantém, até ao momento, um silêncio total e que, de acordo com fontes espanholas, causou pelo menos 67 mortos.
“Qualquer outra via prolonga o ‘statu quo’ e é inaceitável. Este conflito deve terminar agora e os Estados Unidos vão continuar a impulsionar progressos para este objetivo”, prosseguiu o chefe de Estado norte-americano.
Trump sublinhou a “parceria valiosa” dos EUA com Marrocos, na sequência do “papel crucial” nos Acordos de Abraão: “Para tal, trabalhamos também em conjunto para garantir a segurança da região do Sahel”.
“A tecnologia e a inovação norte-americanas, de confiança, vão continuar a ser parceiras [de Marrocos]”, garantiu Donald Trump, acrescentando que “em todos os setores estratégicos, nomeadamente a energia, a inteligência artificial, os minerais críticos e a defesa”.
Rabat e Washington vivem uma aproximação diplomática desde que, em 2020, Marrocos normalizou as relações com Israel em troca do reconhecimento, por parte dos Estados Unidos, da soberania sobre o Saara Ocidental.
Mohamed VI comemorou na quinta-feira o 27.º aniversário da entronização com uma cerimónia tradicional realizada a poucos quilómetros de Fnideq (Castillejos em castelhano), na fronteira com Ceuta, onde nesse mesmo dia se desencadeou uma crise sem precedentes com a passagem de 60 mil migrantes em situação irregular para o enclave espanhol.
Trump, que mantém uma relação tensa com Espanha, acusou na sexta-feira Madrid de “facilitar a imigração ilegal em massa para a Europa”, na sequência da crise em Ceuta.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, condenou o que considerou "um ataque" e “uma violação da integridade territorial de Espanha”, enquanto o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, salientou hoje que, em 24 horas, a crise migratória foi contida.
Pelo menos 19 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentarem entrar na cidade espanhola de Ceuta desde Marrocos, com a situação nesta fronteira a continuar a ser tensa ao início da manhã.
Pelo menos 19 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira, 30 de julho, ao tentarem entrar na cidade espanhola de Ceuta desde Marrocos, com a situação nesta fronteira a continuar a ser tensa ao início da manhã.
Segundo fontes policiais espanholas, aumentou para 19 o número de corpos retirados do mar em Ceuta desde quinta-feira, quando milhares de pessoas avançaram para a fronteira desde o lado de Marrocos para passar ou tentar passar para o enclave espanhol a nado, a pé ou saltando a vedação que existe entre os dois territórios.
Meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local relataram que o dispositivo policial nos dois lados da fronteira naqueles momentos não conseguiu travar a avalanche de pessoas.
Como aconteceu durante a madrugada, esta sexta-feira de manhã continuavam a cruzar a fronteira "numerosas pessoas", escreve a agência Europa Press, e as ruas da cidade de Ceuta "amanheceram com centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas enquanto continua a chegada irregular desde Marrocos", descreveu o jornal El Pais.
Segundo a agência de notícias EFE, o movimento na fronteira está, porém, a ser agora nos dois sentidos, com "centenas de migrantes" que entraram em Ceuta a começarem também, esta sexta-feira de manhã, "a regressar a Marrocos pelo mesmo ponto onde entraram", junto ao pontão fronteiriço na zona de El Tarajal.
"De forma paralela, continuam a entrar na cidade pequenos grupos de pessoas pelo mesmo local, cruzando-se no caminho com os que abandonam Ceuta em direção a Marrocos", segundo a EFE.
A mesma agência testemunhou, no lado de Marrocos, na cidade de Fnideq, "confrontos violentos" perto da fronteira com Ceuta envolvendo centenas de pessoas que tentavam cruzar para o lado espanhol.
"Grupos de pessoas tentaram forçar a vedação e lançavam pedras contra as forças de segurança mobilizadas para a zona", segundo a EFE.
Nem as autoridades de Espanha nem as de Marrocos avançaram números sobre a quantidade de pessoas que cruzou desde quinta-feira para Ceuta, embora vários meios de comunicação estejam a dar estimativas próprias de que referem pelo menos 20.000 e a considerarem que é a maior crise nesta fronteira desde 2021.
Em 2021, perto de 10.000 migrantes entraram em Ceuta em apenas dois dias, após uma alegada flexibilização dos controlos por Rabat, na sequência da hospitalização em Espanha do líder da Frente Polisário, o movimento que luta pela independência do território do Saara Ocidental, ocupado por Marrocos desde 1975.
No outro enclave espanhol no norte de África, a cidade de Melilla, centenas de pessoas tentaram também cruzar ilegalmente a fronteira desde Marrocos e as autoridades fecharam totalmente a passagem entre os dois territórios durante a madrugada.
Segundo a Rádio Nacional de Espanha (RNE), entre 300 e 400 pessoas conseguiram entrar em Melilla a nado na quinta-feira, mas a situação é agora calma.
Por outro lado, ficaram retidos em território espanhol cerca de 500 carros de imigrantes marroquinos na Europa, que estavam a regressar ao país para as férias de verão.
O Governo de Espanha anunciou na quinta-feira o envio de Forças Armadas para apoiar a Guarda Civil em Ceuta na "manutenção da segurança na cidade", assim como um reforço de meios das forças de segurança.
Segundo a agência Europa Press, o exército espanhol está já a colocar tanques no acesso à cidade, junto à fronteira com Marrocos, na zona de El Tarajal.
O primeiro‑ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande‑Marlaska, vão também à cidade esta sexta-feira.
Por seu lado, as autoridades marroquinas endureceram os controlos para diminuir a pressão sobre a fronteira.
Os dois governos asseguraram na quinta-feira estar a haver boa cooperação bilateral nesta crise, que ambos atribuem a uma operação de redes de tráfico humano.
Decorreu esta quinta-feira 30 de Julho um primeiro voto indicativo do Conselho de Segurança da ONU entre os actuais sete candidatos ao cargo de secretário geral da instituição. A antiga vice-presidente do Costa Rica Rebeca Grysnpan sai favorita, seguida pela antiga chefe da diplomacia da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett. As duas candidatas terão de garantir que não enfrentarão qualquer veto por parte dos cinco membros permanentes do Conselho.
A corrida ao cargo de secretário geral da ONU está ainda em aberto, permitindo que surjam outros candidatos. O processo de selecção pode durar ainda vários meses, até que um dos candidatos recolha os nove votos necessários do Conselho de Segurança, sem veto por parte dos cinco membros permanentes que são os Estados Unidos, a Rússia, a China, a França e o Reino-Unido. Em última instância, a Assembleia geral da ONU deve aprovar o candidato.
Está lançado o processo de selecção do próximo secretário geral da ONU. Na manhã de 30 de Julho, os 15 membros do Conselho de Segurança reuniram-se à porta fechada e, de forma anónima, atribuiram a cada candidato uma das seguintes menções: "favorável", "desfavorável" ou "sem opinião".
Rebeca Grynspan, 70 anos, antiga vice-presidente do Costa Rica e chefe da agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento, obteve o maior número de votos favoráveis, de acordo com fontes diplomáticas citadas pela agência France-Presse.
Logo a seguir situam-se a antiga ministra dos Negócios Estrangeiros da Guiana, Carolyn Rodrigues-Birkett, 52 anos, e o director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, 65 anos.
Concorrem ainda à sucessão de António Guterres, que termina o seu mandato a 31 de Dezembro, a chilena Michelle Bachelet, a equatoriana Maria Fernanda Espinosa, o ugandês Olara Otunnu e o senegalês Macky Sall.
A corrida ao cargo de secretário geral da ONU está ainda em aberto, permitindo que surjam outros candidatos. O processo de selecção pode durar ainda vários meses, até que um dos candidatos recolha os nove votos necessários do Conselho de Segurança, sem veto por parte dos cinco membros permanentes que são os Estados Unidos, a Rússia, a China, a França e o Reino-Unido. Em última instância, a Assembleia geral da ONU deve aprovar o candidato.
Este voto indicativo permite "revelar quais os candidatos que não são viáveis para o cargo", de acordo com o analista Richard Gowan do International Crisis Group, ouvido pela AFP.
De acordo com uma regra tácita segundo a qual cada continente assume rotativamente a liderança da ONU, embroa nem sempre seja aplicada, a América do Sul reivindica o cargo, o que explica que a maioria dos candidatos sejam provenientes do continente. Vários Estados consideram ainda que a organização ser chefiada, pela primeira vez, por uma mulher.
A data do próximo escrutínio ainda não foi fixada mas deverá ocorrer "nos próximos dias", de acordo com o presidente do Conselho, o representante da República Democrática do Congo, Zénon Ngay Mukongo.
O presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, enviou uma mensagem de apoio aos cidadãos de Ceuta após a crise migratória, garantindo que "toda a Espanha está com eles" e reconhecendo a "angústia" sentida pela população. "Estamos conscientes do estado emocional que os ceutenses estão a viver", afirmou.
Quanto à origem da crise, Sánchez afirmou que, de acordo com as conversas mantidas com as autoridades marroquinas, o aumento das entradas irregulares se deve a "uma leitura interessada das máfias" sobre a sentença judicial relativa à repatriação de pessoas que chegam a nado, partindo da ideia de que, nesses casos, não existe uma fronteira física.
Segundo a Euronews, Sánchez classificou o sucedido como uma "violação da integridade territorial de Espanha", uma atuação que, segundo disse, "merece a nossa reprovação e condenação ao nível mais enérgico possível".
O chefe do Executivo lembrou também que Melilha viveu uma situação semelhante, em referência à crise migratória de 2021, e sublinhou que ambas as cidades autónomas exigem a máxima atenção por parte do Estado.
Nesse sentido, garantiu que o Governo vai mobilizar todos os recursos necessários para preservar a segurança em Ceuta. "O Governo de Espanha vai utilizar todos os recursos do Estado para garantir a segurança em Ceuta", assegurou.
Quanto à origem da crise, prossegue a mesma fonte, Sánchez afirmou que, de acordo com as conversas mantidas com as autoridades marroquinas, o aumento das entradas irregulares se deve a "uma leitura interessada das máfias" sobre a sentença judicial relativa à repatriação de pessoas que chegam a nado, partindo da ideia de que, nesses casos, não existe uma fronteira física.
Por fim, o presidente do Governo espanhol defendeu a política migratória do Executivo e destacou que Espanha conseguiu reduzir de forma continuada os fluxos de migração irregular. "Temos observado uma redução sistemática das chegadas irregulares superior a 30%", concluiu.
O presidente brasileiro, Lula da Silva, criticou esta quarta-feira ações recentes dos Estados Unidos e da Argentina, sublinhando que “ninguém vai meter o bedelho nas eleições” gerais de outubro no Brasil.
As autoridades brasileiras negaram vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob a alegação de que a visita ao Brasil poderia ser utilizada para levantar suspeitas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
A declaração ocorreu durante um discurso na cerimónia em Brasília do partido PSB, que oficializou o nome do atual vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, como candidato a vice com Lula das eleições gerais de outubro.
Lula endereçou críticas diretas aos seus homólogos dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei.
“Enquanto eu for presidente, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras”, declarou.
Ao citar Trump, Lula disse que não quer fazer guerra armada com o político norte-americano, e que deseja vencê-lo na “guerra de narrativas”.
“[Trump] diz que tem o maior avião do mundo, a maior bomba atómica do mundo, o maior Exército do mundo. Eu quero brigar com ele?”, questionou.“Eu não quero briga. Eu quero paz e quero derrotá-los na narrativa. Eu quero fazer a guerra da narrativa: quem está falando a verdade ou quem está falando a mentira”, completou.
Ao mesmo tempo, Lula mencionou a decisão do Governo brasileiro de negar o visto de entrada a dois funcionários do Departamento de Estado norte-americano na semana passada, que alegadamente queriam vir ao Brasil para questionar o sistema eleitoral.
“Tivemos que negar o visto para dois jovens que eles mandaram para se intrometer as eleições brasileiras. Nós negamos o visto.”, realçou.
As autoridades brasileiras negaram vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sob a alegação de que a visita ao Brasil poderia ser utilizada para levantar suspeitas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
O Departamento de Estado norte-americano negou as acusações, considerando que se tratava de uma visita de rotina.
Segundo apurou a Lusa com membros da administração Lula, os dois funcionários norte-americanos pretendiam reunir-se com o candidato a presidente do Brasil Flávio Bolsonaro, apoiado por Trump.
A Casa Branca e o Palácio do Planalto vivem momentos de tensões diplomáticas desde o ano passado, quando Trump anunciou às primeiras tarifas ao Brasil, autorizando novas tarifas a produtos brasileiros este mês.
Já na quarta-feira, os EUA decidiram estender por mais um ano o estado de emergência contra o Brasil, classificando o país como uma ameaça “incomum e extraordinária”
O estado de emergência anunciado não implica sanções económicas ou o aumento de tarifas ao Brasil.
Na justificação da medida, os EUA acusaram o Supremo Tribunal brasileiro de censurar a liberdade de expressão, e membros do Governo do Brasil de perseguir politicamente” o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, incluindo familiares e seguidores.
No seu discurso, Lula também declarou que não lhe cabia a ele, enquanto chefe de Estado, responder às provocações do Presidente argentino, Javier Milei, referindo-se ao homólogo como “aquela coisa”.
No fim de semana, o político argentino proferiu insultos a Lula durante cerimónia que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato a presidente do Brasil.
“Eu não falei nada, porque a minha relação é uma relação de chefe de Estado para chefe de Estado do povo argentino. E não vou ficar trocando coisa com aquela coisa (…) não adianta falar bravo, porque eu não vou ficar bravo. O cara fez cara feia eu faço cara bonita. O cara demonstra ódio, eu demonstro amor”, completou.
Num gesto político de repúdio às falas do chefe de estado argentino, o Governo brasileiro chamou de volta a Brasília o embaixador brasileiro na Argentina, sem oferecer uma previsão de quando Júlio Bitelli voltará a Buenos Aires.
Juiz reverte anulação da prisão preventiva de Daba Na Walna, ex-presidente do Tribunal Militar da Guiné-Bissau. Advogado contesta e avança com processo-crime contra Mamadú Embaló, acusando-o de usurpação de competência.
Em entrevista à DW, Augusto Nassambe, advogado de Daba Na Walna, que se encontra em prisão preventiva, começa por sublinhar que "um despacho nunca pode anular um acórdão". O jurista considera haver outras motivações envolvidas no caso e diz que já deu entrada a um processo-crime contra o juiz Mamadú Embaló.
Um despacho da Promotoria de Justiça Militar da Guiné-Bissau declarou nulo o acórdão do Supremo Tribunal de Justiça que anulava a medida de prisão preventiva de Daba Na Walna, ex-presidente do Tribunal Militar Superior, e outros oficiais militares, acusados de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado em 2025.
O despacho, assinado pelo juiz Mamadú Embaló, alega que os recursos das decisões do Tribunal Militar Regional devem ser apreciados pelo Tribunal Militar Superior. O juiz entende não existir fundamento legal para um recurso direto à Câmara Criminal do Supremo Tribunal de Justiça.
Em entrevista à DW, Augusto Nassambe, advogado de Daba Na Walna, que se encontra em prisão preventiva, começa por sublinhar que "um despacho nunca pode anular um acórdão". O jurista considera haver outras motivações envolvidas no caso e diz que já deu entrada a um processo-crime contra o juiz Mamadú Embaló.
DW África: Como é que a defesa de Daba Na Walna reage a este despacho da Promotoria de Justiça Militar?
Augusto Nassambe (AN): O despacho que tentou anular o acordo do Supremo Tribunal é absolutamente inexistente, porque uma sentença está acima de um despacho e, de igual modo, o acórdão está acima da sentença. Por mais que o acórdão possa ter sido decidido de alguma forma ilegal ou está fora da competência material do tribunal, o despacho não pode em nenhum momento anular o acórdão. O juiz Mamadú Embaló tentou, através de um despacho, anular o acórdão com o fundamento de que, no entendimento dele, os suspeitos deviam ter recorrido ao Tribunal Militar Superior, não o fizeram e recorreram diretamente para o Supremo Tribunal de Justiça.
O que não corresponde à verdade, porque Daba Na Walna é general, também foi presidente do Tribunal Militar Superior. O outro, Domingos Nhanque, é juiz do Tribunal Militar Superior. De acordo com o Código de Justiça Militar, estes dois suspeitos têm o estatuto de serem ouvidos exatamente no Tribunal Militar Superior. A mesma norma, que é o Código de Justiça Militar, diz claramente que as decisões do Tribunal Militar Superior são passivas de recurso para o Supremo Tribunal, que foi o que aconteceu.
DW África: Parece haver aqui um desacordo ou mesmo uma disputa entre o Tribunal Militar e o Supremo Tribunal, que é o órgão máximo, sobre qual tem mais competência nesta matéria.
AN: Os tribunais aqui na Guiné-Bissau estão distribuídos conforme a competência e a matéria. O Tribunal Militar conhece dos crimes essencialmente militares. Então, é dessa qualidade que os nossos suspeitos recorreram à decisão, por entender que a tentativa de golpe de Estado é uma matéria plasmada no Código Penal, sendo plasmada no Código Penal é do Tribunal Comum. Então, o Supremo Tribunal acabou por decidir, porque é a última instância a decidir, seja qual for o conflito jurídico.
Essa tentativa de poder anular o acordão do Supremo Tribunal tem a ver com o pretexto de não cumprir com o próprio acordo, mantendo os nossos constituintes detidos. Esse é o pretexto segundo o qual o juiz propriamente quer. Quer dar algo aos interessados neste processo, um documento como fundamento para poder manter os presos na prisão.
DW África: Ou seja, acredita que há outras motivações envolvidas, até porque essa decisão relativamente à tentativa de golpe de Estado acaba por abranger também o caso de Domingos Simões Pereira?
AN: Exato, é verdade, porque com a decisão, o acordão do Supremo Tribunal acabou por deletar tudo o que o Tribunal Militar já vinha a fazer há muito. Mas esta decisão da Suprema Corte tem um efeito boomerang, quer isto dizer, não só essa decisão irá beneficiar os meus constituintes, como também o líder do PAIGC e demias outros que se encontram nessas circunstâncias de acusação de tentativa de golpe de Estado, que estão sendo submetidos à jurisdição militar. Essa é a motivação pela qual estão a querer produzir um documento, pôr em causa uma decisão.
DW África: Com esta anulação, o que pretendem fazer a seguir?
AN: Demos entrada com um processo-crime contra o juiz Mamadú, na Suprema Corte. Crime de obstrução à atividade judicial, usurpação de competência, abuso de poder, prevaricação e tudo o mais. Pode ter uma falsa proteção, uma teia de aranha falsa, mas mais dias, menos dia, terá de responder e terá responsabilidade criminal no futuro. Portanto, entendemos que essa é a única via pela qual temos que fazer o trabalho para poder fazer com que a justiça seja de uma vez por todas respeitada.
O governo de Javier Milei reformou, por decreto, a Lei da Migração para permitir impedir a entrada ou expulsar estrangeiros que divulguem mensagens de ódio contra a Argentina ou os seus símbolos nacionais.
O Executivo justifica a alteração com a existência de “recentes manifestações de hostilidade contra a República Argentina e os argentinos”, embora o texto não identifique casos concretos. A referência surge após as críticas recebidas pelo país em vários âmbitos internacionais, na sequência do último Mundial de futebol.
O governo da Argentina alterou por decreto a Lei das Migrações para permitir a expulsão de cidadãos estrangeiros que difundam mensagens de ódio contra o país ou os seus símbolos nacionais, seja oralmente ou por escrito. A reforma prevê também a possibilidade de recusar a entrada a pessoas estrangeiras que incorram neste tipo de comportamentos.
Conforme comunicado divulgado pela euronews esta quinta-feira pela Presidência, a nova regulamentação não abrangerá as críticas de natureza política, ideológica ou académica, por se considerar que estas estão protegidas pelo direito à liberdade de expressão.
O Executivo justifica a alteração com a existência de “recentes manifestações de hostilidade contra a República Argentina e os argentinos”, embora o texto não identifique casos concretos. A referência surge após as críticas recebidas pelo país em vários âmbitos internacionais, na sequência do último Mundial de futebol.
A reforma coincide também com um momento de crescente tensão diplomática entre a Argentina e o Brasil, num contexto marcado pelos reiterados ataques verbais do presidente Javier Milei contra o seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde que terminou o Mundial, Milei sustenta que existe uma campanha internacional contra a Argentina, acusação para a qual não apresentou provas e que atribui ao Brasil, ao México e ao Partido Democrata dos Estados Unidos.
Os Estados Unidos decidiram estender por mais um ano o estado de emergência contra o Brasil, classificando o Governo brasileiro como uma ameaça "incomum e extraordinária" à segurança nacional, à política externa e à economia norte-americana.
Naquela ocasião, o Presidente dos Estados Unidos justificou a medida como resposta às decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro afetavam a segurança e a economia norte-americana.
O documento da Casa Branca, do Gabinete Executivo da Presidência, datado de 29 de julho de 2026, será publicado na edição de hoje do Registo Federal, o Diário Oficial do governo norte-americano.
A renovação do estado de emergência prorroga uma ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, em 30 de julho de 2025, mas que inclui sanções económicas ou aumento de tarifas ao Brasil.
Naquela ocasião, o Presidente dos Estados Unidos justificou a medida como resposta às decisões do Supremo Tribunal Federal brasileiro afetavam a segurança e a economia norte-americana.
Donald Trump também saiu em defesa do ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, que à época aguardava o julgamento pelo supremo brasileiro por tentativa de golpe de Estado nas eleições de 2022.
Para estender a "emergência nacional" sobre o Brasil, Donald Trump usou agora os mesmos argumentos que fundamentaram a decisão do ano passado.
No documento oficial de renovação, Trump reiterou que as políticas e ações do governo brasileiro constituem uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.
Washington justificou a manutenção da medida alegando que Brasília tem interferido na economia dos EUA e infringido os direitos de liberdade de expressão de cidadãos norte-americanos.
Trump voltou a acusar o Supremo brasileiro de censurar a liberdade de expressão e que "membros do Governo do brasil também estão a perseguir politicamente" o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, incluindo familiares e seguidores.
"O que contribui para a ruptura deliberada do Estado de Direito no Brasil, para a intimidação por motivação política naquele país e para violações de direitos humanos", informa o documento.
O documento destaca "certas atividades, como a censura e a prisão, por parte do Supremo Tribunal do Brasil, de indivíduos que exercem a livre expressão", em referência indireta aos apoiadores de Bolsonaro condenados e presos pelos atos golpistas do dia 08 de janeiro de 2023.
A Casa Branca e o Palácio do Planalto vivem momentos de tensão diplomáticos desde o ano passado, quando Trump anunciou às primeiras tarifas ao Brasil e, neste mês, autorizou novas sobretaxas a produtos brasileiros.
Soma-se a essa série de atritos, o fato dos EUA classificarem as duas maiores fações criminosas do Brasil -- Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) -- como organizações terroristas globais, algo contestado pelo Governo brasileiro.
A Assembleia Nacional da Nicarágua, subordinada à Presidência de Daniel Ortega, apresentou terça-feira uma proposta de reforma constitucional pontual visando alargar o mandato presidencial, de cinco para sete anos renováveis.
O presidente do parlamento da Nicarágua afirmou na semana passada que os deputados iriam votar no início de agosto a lei para impedir a participação da oposição nas eleições, a pedido de Ortega.
"O nosso sistema de Estado e Governo de 'Presidente do Povo' propõe-se ser estruturado com mandatos efetivos de sete anos renováveis", declarou o presidente do parlamento, Gustavo Porras, na sessão plenária, ao ler a exposição de motivos da iniciativa.
Segundo o texto da reforma, o objetivo do alargamento do mandato presidencial para sete anos é assegurar "a estabilidade da visão, a eficiência operacional e a continuidade, atendendo com plena energia e clareza às necessidades materiais, culturais e espirituais do povo e proporcionando respostas responsáveis, patrióticas, eficazes e indispensáveis".
O Presidente Daniel Ortega afirmou este mês que "não haverá mais eleições" no país.
O anúncio foi feito durante um comício oficial, em Manágua, para celebrar o 47.º aniversário da revolução sandinista, data que assinala a queda da ditadura em 1979.
A medida, disse, serve para impedir a oposição local, que acusou de ser vendida e submissa aos interesses norte-americanos, de utilizar as urnas para "se apoderar do Governo e do poder".
Daniel Ortega foi eleito Presidente da Nicarágua pela primeira vez em 1984, na sequência da revolução sandinista. Perdeu o poder em 1990, mas foi reeleito em 2006 e, desde então, venceu sucessivas eleições (2011, 2016 e 2021) amplamente criticadas por observadores internacionais por não serem livres nem justas, devido à prisão de candidatos da oposição e à falta de concorrência credível.
A primeira-dama, Rosario Murillo, tornou-se vice-presidente da Nicarágua em janeiro de 2017.
Em fevereiro de 2025, o seu cargo foi elevado a copresidente da Nicarágua, através de reformas constitucionais.
Na segunda-feira, Rosario Murillo anunciou o adiamento para setembro a adoção de uma reforma constitucional que visa excluir a oposição das eleições.
"Hoje começa o processo de consulta. Vai durar um mês, e vamos concluí-lo no final de agosto, para aprovar a reforma constitucional nos primeiros dias do mês da Pátria", em setembro, disse Murillo aos media estatais.
Murillo acrescentou que a proposta de reforma foi apresentada hoje ao corpo diplomático em Manágua. "Aguardamos os resultados deste primeiro encontro respeitoso e amigável", afirmou.
O presidente do parlamento da Nicarágua afirmou na semana passada que os deputados iriam votar no início de agosto a lei para impedir a participação da oposição nas eleições, a pedido de Ortega.
Gustavo Porras afirmou, em entrevista à imprensa local, que o parlamento e a autoridade eleitoral iriam "identificar os elementos-chave para não deixar brechas" que permitam durante as eleições "a terrível manipulação dos impérios e dos seus lacaios".
Para efeito, uma comissão parlamentar iniciou contactos com o Conselho Supremo Eleitoral (CSE).
Os jovens africanos mostram-se mais otimistas em relação ao futuro do continente, mas exigem uma democracia adaptada à realidade local, que garanta emprego e combata a corrupção, mostra um estudo hoje divulgado.
Apesar do aumento do otimismo, as pressões económicas, particularmente o aumento do custo de vida, estão no topo, “ultrapassando as mortes por doenças infecciosas e a instabilidade política como o evento de maior impacto dos últimos cinco anos", indica o estudo.
O Inquérito à Juventude Africana 2026, da Fundação da Família Ichikowitz (FFI), ouviu 4.901 jovens, dos 18 aos 24 anos, em 16 países, entre os quais Moçambique, indica que os jovens que participaram no estudo estão mais otimistas em relação à direção que o continente africano está a tomar.
A percentagem de jovens que faz uma avaliação positiva subiu de 37% em 2024 para 43% em 2026, com o "Afro-otimismo" a "ultrapassar os níveis pré-covid", segundo o relatório.
O Quénia e a África do Sul destoam da tendência, com sete em cada dez jovens em ambos os países a considerar que o continente "está a ir na direção errada".
O otimismo é mais elevado no Ruanda (68%), na Somália (66%), no Burquina Faso e no Gana (ambos com 60%).
Apesar do aumento do otimismo, as pressões económicas, particularmente o aumento do custo de vida, estão no topo, “ultrapassando as mortes por doenças infecciosas e a instabilidade política como o evento de maior impacto dos últimos cinco anos", indica o estudo.
Para os próximos anos - e pela primeira vez desde que estes relatórios começaram a ser publicados, em 2020 - os jovens colocam a criação de "novos empregos bem remunerados" e a redução da "corrupção governamental" como prioridades.
Outro tema em destaque na investigação é a mudança de atitude em relação aos Estados Unidos da América (EUA).
Em 2024, os jovens esperavam que uma administração de Joe Biden (entre 2021 e 2025) fosse "melhor para o seu país" do que uma administração de Donald Trump (que presidiu entre 2017-2021 e 2025-presente), por 42% a 23%, respetivamente.
Atualmente, e apesar da preferência declarada por uma presidência Biden, "cerca de três em cada cinco jovens (58 a 60%) estão muito ou razoavelmente otimistas de que a administração Trump trará um futuro melhor, com o otimismo a ser mais pronunciado no capacitar da juventude, nas operações de segurança e no combate ao terrorismo", indicou.
Segundo o fundador e comissário do Inquérito à Juventude Africana, Ivor Ichikowitz, numa resposta à agência Lusa, "a mudança reflete menos uma alteração na ideologia política e mais uma mudança na forma como os jovens africanos acreditam que a política global funciona atualmente.
Muitos inquiridos parecem reconhecer que o Presidente Trump aborda as relações internacionais sob o prisma das transações, da influência e do interesse mútuo, em vez da ajuda externa ou da diplomacia baseada em valores.
Em vez de rejeitarem essa abordagem, muitos parecem dispostos a alinhar com ela, desde que África garanta benefícios tangíveis em troca".
Este positivismo convive, no entanto, com "uma inquietação mais profunda, apontando para muitas das complexidades da relação com os EUA", alertou o relatório.
"Pouco mais de metade (58%) dos jovens acredita que os EUA irão desrespeitar o direito internacional para obter acesso aos recursos naturais no seu país, com a preocupação a ser mais elevada na África do Sul e na Libéria (ambos com 70%)", exemplificou.
Também o encerramento da USAID, decretada por Trump, dividiu ainda mais as opiniões: "Mais de dois em cada cinco (46%) jovens acreditam que terá um impacto negativo no seu país, com a preocupação a ser mais elevada em Moçambique (76%), no Ruanda e no Quénia (ambos com 63%)".
A China continua a ter uma perceção mais positiva nos jovens africanos do que os EUA.
O relatório mostra também que existe uma forte vontade de ver reformas nas organizações multilaterais, apesar de a União Africana e as Nações Unidas (ONU) serem vistas como "os organismos internacionais mais influentes" e terem "um impacto amplamente positivo no continente".
A ONU, dizem 80% dos inquiridos, "precisa de reformas para incluir uma representação africana permanente" no Conselho de Segurança.
Sobre sistemas políticos, a juventude africana expressa "uma convicção generalizada de que a liderança jovem é, neste momento, insuficiente" e mantém-se "firmemente comprometida com a democracia", referiu.
No entanto, a "democracia de estilo ocidental (…) não é bem aceite no contexto africano", alertou.
Segundo explicou Ivor Ichikowitz à agência Lusa, a "democracia à moda africana" que resulta da investigação atribui maior importância tanto aos resultados como aos procedimentos.
"Os inquiridos associam consistentemente a boa governação à unidade nacional, à estabilidade política, a líderes que criem emprego e melhorem os serviços públicos, a par de eleições verdadeiramente livres e transparentes", acrescentou.
Em matéria de segurança, sete em cada dez jovens dizem sentir-se seguros no seu país, mas esta questão é "tanto uma preocupação económica como física, com o desemprego e a pobreza a serem vistos como a maior ameaça à segurança da comunidade", indicou o documento.
As autoridades iranianas afirmaram hoje que o aeroporto de Bushehr ficou "completamente inoperacional" na sequência dos ataques aéreos norte-americanos das últimas semanas, adiantando que a infraestrutura terá de ser reconstruída.
Aporta-voz do Governo iraniano, Fatemi Mohajerani, declarou que o aeroporto está "fora de serviço" e "requer uma reconstrução completa, desde a base", de acordo com um comunicado.
Uma aeronave recentemente adquirida e "totalmente renovada" foi destruída por um míssil que a atingiu diretamente, acrescentou.
"Apenas uma pequena parte da cauda permaneceu intacta", afirmou a porta-voz, citada pela agência de notícias iraniana Tasnim.
Mohajerani acrescentou que o Centro Meteorológico de Bushehr também ficou quase totalmente destruído, sublinhando que se tratava de uma instalação "inteiramente civil".
Durante a recente escalada militar entre Washington e Teerão, os Estados Unidos realizaram ataques contra vários alvos em território iraniano, incluindo infraestruturas ferroviárias e pontes.
Em resposta, o Irão lançou ataques contra instalações e posições militares norte-americanas na região.
Apesar de os ataques estarem atualmente suspensos, na sequência de esforços diplomáticos de países da região, o Presidente norte-americano, Donald Trump, avisou que a pausa não constitui um cessar-fogo permanente e ameaçou retomar as operações militares caso fracassem as negociações com Teerão.
O Governo iraniano afirmou, por seu lado, que manterá suspensos os ataques enquanto Washington não retomar os bombardeamentos, embora tenha insistido que não considera a atual situação um cessar-fogo definitivo e reafirmado que a prioridade continua a ser a defesa da soberania e da integridade territorial do país.
A Administração norte-americana prepara-se para reforçar em várias centenas de milhões de dólares o financiamento de programas destinados a contrariar a influência da China em todo o mundo, após ter suspendido muitas dessas iniciativas no ano passado.
A proposta prevê ainda contrariar a influência chinesa na escolha do sucessor do Dalai Lama ou reduzir o apoio internacional ao programa espacial chinês e travar a exportação, por empresas chinesas, de tecnologias de vigilância e censura.
A Administração notificou o Congresso, no final da semana passada, da intenção de destinar 175,8 milhões de dólares (cerca de 154,5 milhões de euros) à substituição de cabos submarinos de telecomunicações obsoletos e envelhecidos nas Caraíbas e na América Central, visando impedir que a China reforce a sua presença na região, segundo a agência Associated Press (AP).
A Casa Branca tem manifestado profunda preocupação com as atividades da China nas Américas, contestando a propriedade chinesa de portos nas duas extremidades do Canal do Panamá, os projetos de infraestruturas financiados pela iniciativa chinesa Faixa e Rota na região e o investimento chinês no setor das telecomunicações.
O financiamento para os cabos submarinos parece, por outro lado, integrar um esforço mais amplo para restaurar o apoio a iniciativas destinadas a travar a influência chinesa a nível mundial, num montante que poderá ascender a várias centenas de milhões de dólares adicionais.
A iniciativa surge numa altura em que o Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Presidente chinês, Xi Jinping, procuram projetar uma imagem de cooperação e em que Xi prepara uma visita aos Estados Unidos no outono.
O Departamento de Estado está também a ponderar gastar quase mais 500 milhões de dólares (439 milhões de euros) em programas dirigidos à China no hemisfério ocidental, em África e na Ásia, segundo um documento interno citado pela AP.
“Os Estados Unidos têm de responder ao crescente poder de influência económica, tecnológica e diplomática do Partido Comunista Chinês em todo o mundo, que compromete os nossos interesses nacionais”, lê-se no documento.
Muitos dos programas propostos destinam-se a “recuperar influência diplomática” através de investimentos em áreas onde os Estados Unidos tinham anteriormente projetos em curso, mas foram interrompidos quando o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), liderado por Elon Musk, promoveu profundos cortes orçamentais, no ano passado.
Esses cortes, que levaram ao desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) e à eliminação de várias centenas de postos diplomáticos em todo o mundo, afetaram igualmente projetos já aprovados, incluindo alguns concebidos para contrariar a influência chinesa.
O programa apresentado ao Congresso denomina-se “Projeto para Contrariar o Controlo do PCC sobre os Cabos Submarinos das Caraíbas e da América Central”.
O financiamento destina-se a substituir cabos submarinos de telecomunicações obsoletos nas Caraíbas e na América Central por alternativas consideradas seguras, norte-americanas e de parceiros de confiança.
Em paralelo, a Administração elaborou planos para gastar mais de 340 milhões de dólares (299 milhões de euros) em mais de 50 projetos específicos destinados a contrariar a influência chinesa em várias regiões do mundo, incluindo vários países do hemisfério ocidental, segundo o mesmo documento interno.
Entre as iniciativas que poderão ser retomadas estão a criação de centros de operações de segurança na Argentina e em Belize para monitorizar alegadas ameaças chinesas contra infraestruturas críticas e plataformas cibernéticas em toda a região.
O plano prevê igualmente relançar iniciativas destinadas a proteger o Equador, Jamaica, México, Paraguai, Peru e Uruguai contra alegadas tentativas chinesas de infiltração em operações portuárias e de exploração ilegal da pesca em alto-mar e da extração de minerais críticos.
A proposta prevê ainda contrariar a influência chinesa na escolha do sucessor do Dalai Lama ou reduzir o apoio internacional ao programa espacial chinês e travar a exportação, por empresas chinesas, de tecnologias de vigilância e censura.
Trump deverá reunir-se com Xi Jinping em setembro, à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. Como preparação para esse encontro, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, reuniu-se na semana passada com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, à margem de uma conferência regional de segurança nas Filipinas.
O Irão afirmou que não permitirá que os Estados Unidos determinem quando os dois países entram em guerra ou fazem a paz, numa altura em que quatro noites consecutivas sem novos confrontos aumentaram a esperança de que a mediação liderada pelo Qatar e pelo Paquistão possa retomar o acordo interino colapsado.
"Não vamos permitir que os Estados Unidos determinem o momento da guerra e da paz", declarou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmaeil Baghaei, na conferência de imprensa semanal de segunda-feira.
Indicou que qualquer decisão sobre futuras conversações será baseada exclusivamente nos interesses nacionais do Irão e que Teerão continuará a defender-se "enquanto for necessário".
Em declarações à televisão austríaca ORF, no domingo, Baghaei reconheceu que Teerão e Washington continuam a trocar mensagens, mas afirmou que as ações militares dos Estados Unidos destruíram as condições para negociações substanciais. A prioridade imediata do Irão, acrescentou, é a proteção da sua soberania e integridade territorial.
Entretanto, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse aos jornalistas que o Irão pediu negociações "por intermédio de terceiros e diretamente", alegando que Teerão está disposto a negociar devido à pressão militar a que foi sujeito.
"Estamos a manter conversações aprofundadas com o Irão", afirmou. "Se falharem, retomaremos uma operação militar em grande escala".
Disse que respondeu positivamente aos pedidos dos mediadores para dar uma nova oportunidade à diplomacia, mas que não permitirá que as conversações se prolonguem indefinidamente. "Tenho muito tempo", afirmou, insistindo que o Irão "sofreu duros golpes" nas últimas duas semanas.
Estreito de Ormuz no centro das tensões
Apesar dos esforços diplomáticos renovados, a crise no Estreito de Ormuz continua por resolver.
Baghaei afirmou que prosseguem as conversações com Omã sobre a gestão desta via marítima estratégica, sublinhando que são estritamente bilaterais e não envolvem os Estados Unidos.
"O Estreito de Ormuz mantém-se fechado", afirmou.
O vice-presidente do Parlamento, Haji Babaii, afirmou que qualquer acordo com Omã sobre a via marítima não pode colidir com a soberania do Irão e que Washington não deve envolver-se na questão.
Insistiu que o Irão não recuará na sua posição sobre o estreito, acrescentando que as decisões relativas a Ormuz serão, em última instância, tomadas pela liderança e pelo povo iranianos.
O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados no mundo antes de o Irão o ter fechado de facto, na sequência do início da guerra, a 28 de fevereiro, continua a ser o principal ponto de bloqueio para qualquer solução.
A posição do Irão é a de que detém autoridade soberana sobre a via marítima e pode definir as rotas de trânsito autorizadas, uma reivindicação rejeitada pelos Estados Unidos, pelos países do Golfo e pela maioria da comunidade internacional ao abrigo da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS). Teerão assinou, mas nunca ratificou, a convenção.
A Guarda Revolucionária Islâmica iraniana (IRGC) afirmou ter intercetado seis embarcações que tentavam atravessar rotas não autorizadas pelas autoridades iranianas, obrigando-as a regressar após disparos de aviso.
O Comando Central Khatam al-Anbiya do Irão acusou igualmente os Estados Unidos de imporem aquilo que descreve como um bloqueio naval ilegal, ameaçando navios comerciais e petroleiros iranianos que operam nas águas territoriais do país.
Por seu lado, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou ter reencaminhado 17 embarcações comerciais, imobilizado outras duas e abordado dois navios para garantir o cumprimento das restrições marítimas.
Os mercados petrolíferos reagiram positivamente à ausência de novos ataques militares, com o preço do Brent a descer depois de ter atingido máximos de dois meses na semana passada.
Pressão económica continua a aumentar
A pausa militar temporária não aliviou a situação no interior do Irão. Teerão continua confrontado com cortes de eletricidade, desequilíbrios no fornecimento de combustíveis, inflação e perda de poder de compra.
Num recente trabalho exclusivo, a Euronews Persian documentou como a subida dos preços está a obrigar muitos iranianos a reduzir até as compras de bens alimentares essenciais.
Leila, tradutora de 42 anos que vive com a mãe na zona ocidental de Teerão, afirmou que muitas famílias já não conseguem comprar fruta, apesar de o Irão ser um dos maiores produtores da região.
"A realidade é que os rendimentos de muitas famílias não têm acompanhado a inflação", disse. "Depois de pagar a renda, o pão, o arroz, a carne e os laticínios, somos obrigados a reduzir compras de coisas como fruta, embora sejam importantes".
Outro entrevistado, Mohammad Bagher, reformado residente em Teerão, disse que o consumo de fruta da sua família caiu cerca de 70% face a anos anteriores, apesar de receber uma pensão relativamente elevada.
Entretanto, forças Houthi apoiadas pelo Irão intensificaram os ataques contra infraestruturas petrolíferas sauditas e contra a navegação no Mar Vermelho, com recentes investidas a visarem instalações na região de Jizan e Yanbu, enquanto a Arábia Saudita lançou ataques aéreos de retaliação em todo o Iémen.
A navegação comercial pelo Estreito de Bab al-Mandeb, que concentra cerca de 12% do comércio marítimo mundial, abrandou significativamente, à medida que as seguradoras reavaliam os riscos de segurança.
Esta escalada ocorre apesar de um entendimento separado entre os Estados Unidos e os Houthis, alcançado em maio de 2025, ao abrigo do qual o grupo concordou em suspender os ataques contra navios com ligação aos Estados Unidos. O acordo não impediu os Houthis de atacarem alvos sauditas e de outros países do Golfo.
Trump afirmou que os Estados Unidos não estão atualmente envolvidos em operações contra os Houthis, mas advertiu que Washington poderá intervir se o grupo se tornar "um problema".
O Chade anunciou nesta segunda-feira, 27, retirar-se do Tribunal Penal Internacional. Em comunicado, o porta-voz do governo chadiano denuncia a "eficácia limitada" da instituição e uma actividade focada no continente africano. De acordo com uma publicação na página do ministério dos Negócios Estrangeiros do Chade, esta decisão surge na sequência de um pedido dos Estados Unidos.
O comunicado da diplomacia chadiana anuncia que o país se retira, este 27 de julho, do Estatuto de Roma e, consequentemente, do Tribunal Penal Internacional (TPI).
"Esta decisão é a consequência de um exame aprofundado ao funcionamento [desta instituição] e do seu balanço, cuja eficácia é limitada", lê-se no comunicado do ministério chadiano dos Negócios Estrangeiros, que denuncia ainda "uma actividade judiciária do Tribunal concentrada sobre casos do continente africano".
Na quinta-feira 23 de Julho, uma publicação na página da diplomacia chadiana anunciava que esta decisão foi tomada a pedido dos Estados Unidos.
De acordo com a publicação, o secretário de Estado adjunto dos Estados Unidos para os Assuntos Africanos instou o Governo do Chade a reconsiderar a sua participação no TPI, durante um telefonema com o principal diplomata chadiano.
"A representação americana manifestou preocupações quanto ao funcionamento da instituição e pediu ao Chade que reexaminasse a sua adesão ao Estatuto de Roma", avança o comunicado chadiana relativo ao diálogo telefónico.
No entanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade, Abdoulaye Sabre Fadoul, disse à agência France-Presse, no dia seguinte, sexta-feira 24 de julho, que a decisão de se retirar do TPI não foi tomada a pedido dos norte-americanos.
A saída do Chade desta instância internacional surge numa altura em que o país é acusado pelo exército sudanês e por várias ONG's de facilitar a entrega de armas dos Emirados Árabes Unidos às Forças de Apoio Rápido (FSR), grupo paramilitar em luta contra o exército sudanês numa guerra civil sangrenta desde abril de 2023.
Questionado pela agência france-Presse, o advogado francês Vincent Brenghart considera que "para além deste caso específico, esta retirada enfraquece a estrutura da justiça penal internacional e aumenta os receios de que os autores dos crimes mais graves escapem a punições".
23 dias atrás 8 horas atrás
SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...