domingo, 18 outubro 2026

Portugal: Cabo-verdianos preocupados falam em retrocesso com crescimento da direita-radical 50 anos depois da revolução

As declarações foram feitas à Inforpress, em Lisboa, separadamente, mas os cabo-verdianos Celeste Correia, antiga deputada do Partido Socialista em sete legislaturas, António Firmino, artista plástico e João Branco, actor, encenador e professor de teatro, partilharam da mesma opinião quando falavam da Revolução do 25 de Abril de 1974, em Portugal, lembrando que o partido Chega, da direita-radical, conseguiu eleger 50 deputados nas eleições legislativas de 10 de Março.

“Olho para o crescimento do Chega com muito receio. Até porque não é só aqui. É uma coisa que estamos a assistir em toda a Europa. Isso é muito preocupante. Estamos a ver a extrema direita a subir em tudo, com uma linguagem às vezes anti-imigrante e racista. A linguagem é racista e isso preocupa-me bastante porque há um retrocesso nesse aspecto. Espero que não tenhamos outra vez situações terríveis como tivemos antes do 25 de Abril de 1974”, frisou Celeste Correia.

A mesma opinião foi partilhada por João Branco que foi categórico em afirmar que “obviamente é um retrocesso”, mas é um retrocesso global, porque é um fenómeno que “inclusive em Portugal está atrasado”, àquilo que é a realidade na Hungria e Itália que a extrema-direita está no poder, na França que a extrema-direita está nas antecâmaras do poder, ou no Brasil, que que a extrema-direita já esteve no poder.

“Nós ainda estamos a entrar no pesadelo, digamos assim, e vejo isso com muita preocupação, principalmente numa perspectiva de um pensamento de diáspora cabo-verdiana, de imigrantes, da colocação de uma muralha cada vez mais impermeável, de uma desumanização dos contactos entre povos, mas nós não podemos escamotear que Cabo Verde foi um país que, de certa forma, foi explorado durante 500 anos e que existe quase que uma dívida histórica de Portugal perante Cabo Verde”, considerou.

Para o artista, essa dívida também existe perante Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, por isso é de opinião que devia haver uma aposta em um estatuto especial para esses países e para os seus povos, lembrando que até houve uma abertura da União Europeia para que isso pudesse acontecer, mas que agora com o “recrudescimento” do Chega e as narrativas anti-imigração, que é quase certo que esse processo vai se tornar mais lento, vão surgir muitos obstáculos, muitos deles baseados em ‘fake news’.

Por sua vez, o artista plástico António Firmino, que é um “militar de Abril”, disse que estava a servir nas Forças Armadas portuguesa, vindo de Cabo Verde, que na altura era uma colónia de Portugal, e sabe do caminho que se fez para que a Revolução de 25 de Abril de 1974 fosse uma realidade e que culminou com a independência de Cabo Verde e outras colónias.

“É um total retrocesso. Quanto a mim, se as coisas continuarem assim, com essa tendência para a extrema-direita, voltamos ao passado e ao período antes do 25 de Abril e isso é muito mau, não só para o país, como para os imigrantes, para os jovens que não conheceram os valores de Abril”, sustentou.

De 1,3 por cento (%) (um deputado) nas eleições de 2019, o que permitiu ao Chega, liderado por André Ventura, a entrada no Parlamento, o partido da direita-radical cresceu para 7,2% (12 deputados) nas eleições antecipadas de Janeiro de 2022 e para 18% (50 deputados) nas eleições de 10 de Março, tornando-se na terceira força política em Portugal.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

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jcf
12 dias atrás

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joão do rosário
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