quarta-feira, 14 outubro 2026

Ilha do Sal: Urologista denuncia “abuso de poder” e “ilegalidades” na Ordem dos Médicos

Em declarações à Inforpress, o clínico refere que, apesar de ter concluído a formação em Urologia na Bielorrússia entre 2008 e 2015 e de ver o seu título reconhecido pela Agência Reguladora do Ensino Superior (ARES), continua registado apenas como médico clínico geral.

Segundo Tiago Melo, a Ordem dos Médicos recusa a sua inscrição como especialista, exigindo estágios adicionais e exames que, sustenta, não estão previstos no estatuto em vigor.

“O estatuto atual é claro. O artigo 9.º estabelece que basta a especialização completa no país de formação. Eu cumpri isso, mas a Ordem exige requisitos com base num novo estatuto que ainda não foi publicado no Boletim Oficial”, afirmou.

O médico acrescenta ter realizado três anos de estágio no Hospital Baptista de Sousa (HBS) e seis meses no Hospital Agostinho Neto (HUAN), em 2023, período que descreve como “financeiramente difícil” por ter decorrido sem remuneração.

“Pedi licença sem vencimento, mudei-me para a Praia e, no fim, o exame não foi realizado por alegada indisponibilidade do responsável da especialidade”, relatou.

Tiago Melo aponta ainda uma contradição no sistema de saúde, defendendo que Cabo Verde continua a recrutar especialistas estrangeiros enquanto profissionais nacionais permanecem sem exercer as suas áreas.

“Há médicos especialistas em Cabo Verde que não exercem por decisões da Ordem, enquanto o país precisa de resposta especializada”, afirmou.

O urologista diz que o processo se arrasta há vários anos e atravessou diferentes direções da OMC, mantendo-se sem solução mesmo após a eleição do atual bastonário, Barbosa Amado, em 2024.

“O sistema é lento e há uma sensação de impunidade. Quando houver decisão, já ninguém estará no cargo”, alegou.

Tiago Melo afirma ter decidido tornar pública a situação por uma questão de princípio e para alertar outros profissionais em situação semelhante.

“Se a Ordem quer mudar regras, deve fazê-lo de forma oficial. Não se pode aplicar critérios que não estão na lei em vigor”, defendeu.

A Inforpress contactou a Ordem dos Médicos de Cabo Verde e aguarda uma reação sobre as acusações e os critérios de atribuição de títulos de especialidade.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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jcf
8 dias atrás

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joão do rosário
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