sexta-feira, 16 outubro 2026

Israel mantém guerra no Líbano após acordo EUA-Irão

 Israel manteve ataques no sul do Líbano e realizou bombardeios no Irão nas últimas horas, no mesmo dia em que entrou em vigor um cessar-fogo de duas semanas entre Washington e Teerão, cuja aplicação permanece incerta no terreno.

Ataques no Líbano continuam

O Exército israelita atacou o sul do Líbano nesta quarta-feira (08.04), deixando várias vítimas mortais, segundo meios de comunicação libaneses, apesar de Telavive ter declarado aceitar a trégua com o Irão, mas excluindo o território libanês do acordo.

A agência oficial libanesa "ANN” informou que um ataque contra uma ambulância em Al Hulaylah provocou várias mortes, sem número confirmado. Em Chaqra, pelo menos quatro pessoas morreram após um bombardeamento atingir um edifício próximo ao Hospital Hiram e um centro médico, causando ainda vários feridos.

Outras localidades atingidas incluem Haddatha, Rabaa Thalathin, Abbasieh, Kfar Dunin, Haniyeh Mansouri e Jmeijmeh.

O conflito no Líbano intensificou-se após ataques do Hezbollah, aliado do Irão, em resposta à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão, iniciada em 28 de fevereiro. Desde então, mais de 1.500 pessoas morreram e 4.800 ficaram feridas. Israel reiterou ainda a intenção de ocupar a faixa sul até ao rio Litani. 

Bombardeios no Irão antes da trégua

As Forças de Defesa de Israel anunciaram que realizaram, durante a noite, uma série de bombardeios contra bases de lançamento de mísseis em todo o território iraniano, com o objetivo de reduzir a capacidade de ataque de Teerão.

Segundo comunicado militar, a Força Aérea atingiu "dezenas de locais de lançamento” para impedir uma ofensiva maior de mísseis balísticos contra Israel. As autoridades israelitas não esclareceram se os ataques terminaram antes ou depois da entrada em vigor do cessar-fogo às 0h GMT.

Israel registou ainda o lançamento de mísseis iranianos cerca de 15 minutos após o início da trégua, sem novos ataques desde então.

Antes da entrada em vigor do acordo, ocorreram ataques iranianos contra o centro e o norte de Israel durante a madrugada. Em Jerusalém, foi ouvida uma forte explosão, além de intensa atividade de caças israelitas ao longo da noite.

O Exército indicou que, de acordo com orientações políticas, está agora a abster-se de novos ataques contra o Irão, mantendo-se em alerta máximo para responder a eventuais violações. Em paralelo, confirmou a continuidade das operações militares no Líbano.

Reações internacionais

A Turquia apelou ao respeito integral do cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irão, defendendo a sua aplicação no terreno por todas as partes. O Egito elogiou a iniciativa norte-americana, considerando que abre espaço à diplomacia.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a suspensão dos ataques por duas semanas. Teerão garantiu a passagem no Estreito de Ormuz durante esse período, embora sob coordenação militar.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, mediador do acordo, afirmou que a trégua abrangeria também o Líbano e outras áreas, posição rejeitada por Israel.

A guerra, iniciada a 28 de fevereiro, já causou mais de três mil mortos na região do Golfo Pérsico. O Irão retaliou com ataques contra interesses norte-americanos e israelitas e chegou a bloquear o Estreito de Ormuz, por onde transitava cerca de um quinto do petróleo e gás mundial, provocando subida dos preços energéticos.

União Europeia pede "paz sustentável”

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, saudou o cessar-fogo e apelou ao seu cumprimento como base para uma solução duradoura.

Numa mensagem na rede social X, Costa afirmou que a União Europeia está pronta para apoiar esforços diplomáticos e mantém contacto com parceiros regionais, agradecendo também ao Paquistão pelo papel de mediação.

O cessar-fogo bilateral foi confirmado por Washington e Teerão, que classificou como "viável” a proposta de paz. As negociações deverão decorrer no Paquistão a partir de 10 de abril.

Após o anúncio da trégua, os preços do petróleo e do gás registaram uma descida, aliviando receios de uma crise energética global. 

 

A Semana com DW África

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
10 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
12 dias atrás

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