sexta-feira, 16 outubro 2026

"Batalha Atrás de Batalha" triunfa nos Óscares 2026

A 98.ª edição dos Óscares já deu a conhecer o seu veredito e a temporada de prémios termina com "Batalha Atrás de Batalha" a arrecadar o principal prémio da noite.

O filme conquistou um total de seis Óscares (em 13 nomeações) e superou o principal concorrente, "Pecadores", para vencer o Óscar de Melhor Filme.

A comédia dramática com forte carga política de Paul Thomas Anderson, que liderou a nossa lista dos melhores filmes de 2025, junta-se assim a "All About Eve", "O Padrinho: Parte II" e "Estado de Guerra" no clube dos filmes que levam para casa seis Óscares.

Paul Thomas Anderson conquistou o primeiro Óscar de Melhor Realização (sim, nunca tinha vencido – nem sequer pela sequência de filmes aclamados pela crítica como "Haverá Sangue", "O Mentor", "Linha Fantasma"...), bem como o de Melhor Argumento Adaptado.

Visivelmente emocionado, Paul Thomas Anderson agradeceu à mulher, Maya Rudolph, e contou que escreveu o filme a pensar nos filhos. "Escrevi este filme para os meus miúdos, para lhes pedir desculpa pela confusão doméstica, pela desarrumação deste mundo que lhes estamos a deixar." Depois, disse esperar que a geração deles consiga redimir os pecados da nossa.

O filme venceu ainda Melhor Ator Secundário, Melhor Montagem e o novo prémio da Academia para Melhor Casting.

O seu principal rival da noite – e, na verdade, ao longo de toda a temporada de prémios –, o filme de terror de vampiros de Ryan Coogler, "Pecadores", fez história ao ser nomeado em 16 categorias, um recorde absoluto. Apesar de não ter correspondido a esse número histórico de nomeações, saiu com quatro Óscares, incluindo Melhor Ator (Michael B. Jordan), Melhor Banda Sonora Original, e Coogler venceu o prémio de Melhor Argumento Original.

Michael B. Jordan agradeceu aos pais pela vitória, naquela que foi provavelmente a corrida ao prémio de Melhor Ator mais renhida dos últimos anos (Timothée Chalamet, "Marty Supreme"; Leonardo DiCaprio, "Batalha Atrás de Batalha"; Wagner Moura, "O Agente Secreto"; e Ethan Hawke, "Blue Moon").

Talvez ainda mais marcante, Autumn Durald Arkapaw, de "Pecadores", venceu o Óscar de Melhor Fotografia – uma vitória histórica, ao tornar-se a primeira mulher a ser distinguida nesta categoria tradicionalmente dominada por homens. É um inédito em 98 anos de Óscares.

Jessie Buckley venceu o Óscar de Melhor Atriz pelo papel em "Hamnet", enquanto Sean Penn foi distinguido como Melhor Ator Secundário pela interpretação assustadora e ao mesmo tempo pateta do coronel Steven J. Lockjaw em "Batalha Atrás de Batalha" – um dos melhores papéis da sua carreira recente. Torna-se o quarto ator a conquistar três Óscares de interpretação (junta-se a Daniel Day-Lewis, Jack Nicholson e Walter Brennan).

Penn, no entanto, não marcou presença (ou escolheu não ir à cerimónia, já que tem faltado a várias entregas de prémios nos últimos tempos).

Bem menos desapontante foi a vitória na categoria de Melhor Atriz Secundária, que foi para Amy Madigan pelo seu papel de vilã (e instantaneamente icónico) da Tia Gladys em "Hora do Desaparecimento". Foi uma espécie de papel de regresso para Madigan, de 75 anos, que bate o recorde do maior intervalo entre uma primeira nomeação e uma primeira vitória: 40 anos desde a nomeação em 1986 por "Twice in a Lifetime".

A atriz recebeu o prémio com uma gargalhada nervosa e um discurso delicioso, durante o qual admitiu estar "um pouco baralhada [...] Ui, as minhas pernas estão a tremer" e agradeceu ao marido, Ed Harris, por estar ao seu lado "há uma data de anos".

Outro grande vencedor da noite foi "Frankenstein", de Guillermo del Toro, que saiu com três Óscares: Melhor Guarda-Roupa, Melhor Maquilhagem e Cabelos e Melhor Direção Artística.

Noutros resultados, "Marty Supreme", com nove nomeações, saiu de mãos a abanar, tal como o impressionante "O Agente Secreto" e , "Sirāt", que infelizmente não levaram qualquer Óscar para o Brasil e para Espanha, respetivamente.

No panorama europeu, Joachim Trier somou impressionantes nove nomeações para "Valor Sentimental" e saiu apenas com um troféu (Melhor Filme Internacional) – falhando o objetivo de se tornar a produção internacional mais premiada de sempre nos Óscares. Ainda assim, "Valor Sentimental" dá a primeira vitória à Noruega nesta categoria.

No discurso de aceitação, Trier citou de forma contundente o escritor e ativista dos direitos civis James Baldwin, lembrando que "nos faz recordar que todos os adultos são responsáveis por todas as crianças – não votemos em políticos que não levem isto verdadeiramente a sério".

 

A Semana com Euronews

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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