A especialista falava à margem do workshop técnico sobre valorização e gestão de macroalgas, que decorre hoje e quarta-feira na Universidade Jean Piaget, com o objectivo de partilhar experiências e promover soluções sustentáveis para o aproveitamento deste recurso natural.
“Não podemos tratar as macroalgas como lixo que causa impacto negativo. Elas são ricas em proteínas, minerais e nutrientes, podendo ser utilizadas em várias indústrias, como a agricultura, farmacêutica e biocombustíveis”, explicou a coordenadora da Associação Cabo-verdiana de Ecoturismo (ECOCV).
Segundo Edita Magileviciute, as macroalgas fazem parte do ecossistema marinho há milhares de anos, mas o aumento da sua proliferação, registado recentemente em várias ilhas, exige novas abordagens de gestão e aproveitamento sustentável.
A bióloga destacou o potencial da produção de biofertilizantes ecológicos, produzidos localmente, como uma via para apoiar directamente os agricultores e criar postos de trabalho nas comunidades costeiras.
Edita Magileviciute indicou que o fenómeno das arribadas de algas tem sido registado com frequência em ilhas como Santiago, Fogo, Brava e Maio, defendendo, por isso, uma abordagem nacional que envolva diferentes instituições na sua gestão integrada.
A iniciativa agora apresentada no workshop é fruto de mais de um ano de trabalho com comunidades locais de Ponta Txada, na zona de Praia Baixo, e Moia-Moia, onde espécies como sargassum, uvas-do-mar e polifonia, já estão a ser transformadas em produtos com aplicação agrícola.
O workshop reúne parceiros nacionais e internacionais e visa promover soluções sustentáveis que permitam valorizar as macroalgas e contribuir para o desenvolvimento da economia azul em Cabo Verde.
A Semana com Inforpress

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