sexta-feira, 16 outubro 2026

África Subsaariana com o pior desempenho no Índice de Perceçao da Corrupção 2025

O Índice de Perceção da Corrupção (IPC) classifica este ano 182 países e territórios de acordo com os seus níveis percecionados de corrupção no setor público numa escala de zero (altamente corrupto) a 100 (muito íntegro). Com uma pontuação média de 32 em 100, apenas quatro dos 49 países da África Subsaariana conseguem pontuação acima de 50: Seychelles(68), Cabo Verde(62), Botswana(58) e Ruanda (58).

No lado oposto da tabela, os países com pontuações mais baixas incluem a Somália (9), o Sudão do Sul (9), a Eritreia (13) e o Sudão (14).

A África Subsaariana é a região com o pior desempenho no índice global de 182 países, conclui o relatório, observando que dez dos 49 países da região pioraram significativamente desde 2012 e apenas sete melhoraram no mesmo período, evidenciando que "os atuais esforços anticorrupção não estão a produzir os resultados esperados".

A Transparência Internacional está preocupada com o facto de a corrupção “na gestão dos fundos públicos refletir uma falta de integridade política entre os líderes, dificultar o acesso das pessoas aos serviços essenciais e afetar o quotidiano impactando mais duramente as pessoas mais vulneráveis”, aponta em comunicado.

“Para melhorar a vida das pessoas, os governos da região devem priorizar ações significativas para combater a corrupção e fortalecer a democracia", enfatiza.

Entre os países destacados pela ONG, surgem Madagáscar (25), onde os graves e contínuos problemas de corrupção foram um dos principais fatores que desencadearam levantamentos da Geração Z e que levaram à queda do Governo em outubro de 2025.

"À medida que os manifestantes exigiam mudanças, apontavam para o enriquecimento ilícito por parte dos dirigentes e dos seus associados, o uso indevido de fundos públicos provocando falhas crónicas no fornecimento de água, eletricidade e outros serviços, a falta de responsabilização e a impunidade dos funcionários corruptos", refere no comunicado.

Por outro lado, Angola (32) subiu 17 pontos no Índice de Perceção da Corrupção desde 2015, mas, apesar dos progressos feitos na última década, ainda pontua na extremidade inferior do índice, "com muitos angolanos classificando os esforços anticorrupção do Governo como insuficientes e acreditando que as pessoas comuns correm o risco de sofrer represálias por denunciarem a corrupção", refere.

As lacunas nos sistemas e estruturas anticorrupção são também uma fonte que alimenta a má gestão dos fundos públicos na África Subsariana, sublinha. 

Nas Seychelles (68), o país com melhor desempenho na região, "crescem as preocupações com a eficácia das medidas anticorrupção, após atrasos na investigação e no julgamento de um caso envolvendo o alegado branqueamento de capitais de 50 milhões de dólares [cerca de 49 milhões de euros]". 

Paul Banoba, Conselheiro Regional para a África da Transparência Internacional, constata que, apesar da adoção da Convenção sobre a Prevenção e o Combate à Corrupção pela União Africana há mais de duas décadas, "ainda há muito a fazer".

A crise climática e a corrupção transfronteiriça são ainda mencionadas como fatores que agravam a classificação desta região no IPC.

“Os governos africanos precisam de traduzir urgentemente os compromissos anticorrupção em ações decisivas, reforçando ainda mais as instituições de prestação de contas e aumentando a transparência, protegendo o espaço cívico e apoiando a participação pública, juntamente com os mecanismos necessários de controlo e equilíbrio de poder”, afirma o responsável.

"Muitos líderes apontam as questões de segurança, económicas ou geopolíticas como razões para centralizar o poder e marginalizar os mecanismos de controlo" e, “com demasiada frequência, tratam a transparência, a fiscalização independente e a prestação de contas ao público como opcionais", conclui.

A Semana com Inforpress/Lusa

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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