sexta-feira, 16 outubro 2026

Guineenses na diáspora recusam novas eleições

Os guineenses voltam a ser chamados às urnas a 6 dezembro de 2026 para eleições legislativas e presidenciais. A decisão resulta da Carta Política de Transição, que define o quadro jurídico-político para a restauração da ordem constitucional no país, após o golpe de Estado de novembro.

Esta é a alternativa que os militares golpistas dão aos guineenses para uma escolha "livre, justa e transparente" após impossibilitarem a divulgação dos resultados das eleições passadas.

Para Zé Rachide, um guineense a residir na capital moçambicana, Maputo, a realização de novas eleições em dezembro "não tem qualquer nexo".

"É empurrar para a frente para calar os menos atentos. Acabámos de sair das eleições gerais e temos um vencedor: É o Dr. Fernando Dias da Costa, que o povo escolheu", afirmou em declarações à DW.

Segundas intenções?

Rachide teme que o atual governo liderado pelo recém-patenteado general Horta N'ta tenha outras intenções com a proposta – e ele garante que não é o único guineense na diáspora a pensar assim.

"A meu ver e de todos os atentos, [os militares] tentam fazer com que o derrotado das últimas eleições de novembro volte ao poder, algo que o povo não aceitará de forma alguma."

Há meses que movimentos da diáspora guineense insistem na necessidade de divulgar os resultados eleitorais e restaurar a legalidade constitucional.

Celestino Taperero, doutor em História Política e Relações Internacionais, sublinha que os militares guineenses estão apenas a cumprir a promessa de realizar eleições no espaço de um ano.

Para assegurar a credibilidade do processo eleitoral, o académico sugere um "reset" político: "Os militares deviam dissolver todas as instituições [políticas] e dar lugar à formação de novos partidos, assim como novas instituições que vão controlar as eleições".

Para Taperero, o antigo Presidente Umaro Sissoco Embaló também deveria ficar de fora do próximo escrutínio.

"Ele não pode voltar a candidatar-se, porque pode arriscar-se a democracia. Já o [candidato] Fernando Dias [não constitui perigo]", conclui.

A Semana com DW

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Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

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jcf
10 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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