sábado, 17 outubro 2026

Boa Vista: Bofareira celebra 100 anos de Tichete único centenário vivo da ilha

Mais do que uma reunião familiar, a celebração se tornou num evento para a ilha, que reuniu familiares, amigos, residentes de várias localidades e turistas.

Igualmente figuras públicas, como presidente da Câmara Municipal da Boa Vista, Cláudio Mendonça, que se juntou à comunidade para homenagear o “homem grande” de Bofareira, agora considerado um "património vivo" da ilha.

O evento, marcado por discursos emotivos e mensagens de reconhecimento, num sentimento de gratidão coletiva por uma vida que atravessa um século de história boa-vistense.

Aniceto Santos nasceu a 24 de Janeiro de 1926, em Derrubado, e construiu um legado de trabalho em diversas áreas, pois foi pedreiro, pescador, padeiro, pastor e capataz. 

Segundo os familiares, a sua trajetória é marcada pela versatilidade e pelo serviço comunitário, tendo presidido a Casa Racionalismo Cristão de Bofareira.

O depoimento dos filhos trouxe à tona a dimensão humana do centenário. 

António Santos, o primogénito de 74 anos, descreveu-o como um "homem muito pai", que se dedicou incansavelmente à criação e educação dos filhos.

"Trabalhamos muito juntos, ele estava sempre pronto para nos ajudar a criar os nossos próprios filhos", recordou António, sublinhando que hoje os papéis se inverteram e a família cuida dele com a mesma dedicação.

Marinho Santos, 72 anos, também destacou o orgulho de ter trabalhado lado a lado com o progenitor, afirmando que os 100 anos do pai são o ponto mais alto de felicidade na sua vida e um orgulho para toda a Boa Vista. 

A filha mais nova, Joana Ramos Santos, 58 anos, definiu-o como “um pai espetacular" e um exemplo vivo de amor que ela tenta seguir até hoje.

A neta Elisete Santos, cujo pai é o filho falecido do centenário, partilhou detalhes sobre a vivacidade de Pachete, que mesmo aos 100 anos, segundo a mesma, mantém o bom humor e em dias bons, como a véspera do aniversário, ainda consegue cantar mornas como o “Boa Vista nha terra”, como fazia na sua juventude.

Elisette partilhou uma das histórias engraçadas que o avô gosta de contar sobre os tempos em que as viagens pela ilha ainda eram feitas a pé ou de burro. Segundo a neta, Tichete recorda com risos uma ida à localidade de Fundo das Figueira para uma convivência, e a senhora com quem tinha de ir o deixou para trás porque ia a igreja, dizendo que “não tinha sotado o burro”, que não se tinha despachado, por isso perdeu a viagem.

Apesar do cansaço de um dia inteiro de homenagens, junto aos 100 anos de vida, mesmo com alguma dificuldade, pronunciou palavras de agradecimento a todos os presentes.

Tichete tem uma linhagem composta por sete filhos, um já falecido, 26 netos, 46 bisnetos e dois trinetos, junto a “um século de vida, mil histórias para contar e um exemplo a seguir”, como traziam estampadas no peito as t-shirts de homenagem usadas pelos familiares.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

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jcf
12 dias atrás

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joão do rosário
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