"Batalha Atrás de Batalha" venceu na categoria de Melhor Filme (Comédia ou Musical), Melhor Atriz Secundária para Teyana Taylor, e Melhor Realizador e Melhor Argumento, ambos para Anderson, que se tornou apenas o segundo cineasta, depois de Oliver Stone, a arrecadar os prémios de Realizador, Argumento e Filme (como produtor) nos Globos.
Livremente inspirado no romance de contracultura pós-moderno “Vineland”, de Thomas Pynchon, o décimo filme de Anderson centra-se num revolucionário desalinhado (Leonardo DiCaprio) obrigado a sair do retiro quando um antigo inimigo (Sean Penn) ameaça a filha (Chase Infiniti) numa tentativa de reavivar uma antiga rixa.
Num dos melhores discursos da noite, a cantora e atriz Teyana Taylor deixou uma mensagem às "irmãs negras" e "às meninas negras que estão a ver esta noite”.
“A nossa luz não precisa de permissão para brilhar”, disse-lhes. “Pertencemos a todas as salas onde entramos. As nossas vozes contam e os nossos sonhos merecem espaço.”
Embora muitos apostassem no thriller de vampiros de Ryan Coogler, Sinners, para levar Melhor Filme na categoria de Drama, Hamnet, de Chloé Zhao, um drama especulativo sobre William e Agnes Shakespeare baseado no bestseller de Maggie O’Farrell, surpreendeu ao vencer Melhor Filme (Drama). A protagonista, Jessie Buckley, venceu também na categoria de Melhor Atriz em Drama.
Nos Óscares, Buckley terá de competir com Rose Byrne, galardoada pela sua interpretação principal no duro drama parental de Mary Bronstein, If I Had Legs I’d Kick You.
Sinners acabou por ser consagrada a Melhor Banda Sonora e a Conquista Cinematográfica e de Bilheteira, batendo títulos como Avatar: Fire and Ash, F1, Weapons e Mission: Impossible – The Final Reckoning.
Entre os outros grandes vencedores da noite esteve Timothée Chalamet, que arrecadou o primeiro Globo de Ouro por Marty Supreme, superando George Clooney e Leonardo DiCaprio. Aos 30 anos, perfila-se para conquistar o primeiro Óscar pelo seu papel na primeira incursão a solo de Josh Safdie atrás das câmaras. Livremente inspirado na vida e carreira do jogador norte-americano de pingue-pongue Marty Reisman, Marty Supreme é um filme de amadurecimento sobre esquemas e uma determinação de custe o que custar perante a adversidade.
“O meu pai incutiu-me um espírito de gratidão enquanto crescia: ser sempre grato pelo que tens”, disse Chalamet. “Isso permitiu-me sair destas cerimónias no passado de mãos a abanar, de cabeça erguida, grato só por estar aqui. Estaria a mentir se dissesse que esses momentos não tornaram este ainda mais doce.”
Noutro ponto alto da noite, o ator brasileiro Wagner Moura foi o vencedor-surpresa em Drama pelo seu papel no thriller político The Secret Agent (O Agente Secreto), tornando-se o primeiro brasileiro a vencer o prémio. A vitória segue-se ao sucesso de Fernanda Torres no ano passado com I’m Still Here(Ainda Estou Aqui).
“Este é um filme sobre a memória – ou a falta de memória – e o trauma geracional”, disse Moura. “Acredito que, se o trauma pode ser transmitido entre gerações, os valores também. Por isso, isto é para os que mantêm os seus valores em momentos difíceis.”
O Agente Secreto venceu também na categoria de Melhor Filme (Língua Não Inglesa), batendo o favorito Sentimental Value (Valor Sentimental).
O ator sueco Stellan Skarsgård, de 74 anos, venceu na categoria de Melhor Ator Secundário por Valor Sentimental. Brincou dizendo que não tinha preparado discurso.
“Porque achei que já era demasiado velho”, atirou, antes de deixar um apelo para que se vejam filmes como o seu no grande ecrã.
“O cinema deve ver-se nas salas”, disse, entre aplausos do público.
Na televisão, The Pitt levou a Melhor Série de Drama, enquanto Adolescence(Adolescência) da Netflix conquistou quatro prémios: Melhor Minissérie e interpretações para Erin Doherty, Stephen Graham e o jovem de 16 anos Owen Cooper.
Cooper disse às estrelas presentes: “Ainda sou muito aprendiz. Continuo a aprender todos os dias. Continuo a aprender com as pessoas que estão sentadas à vossa frente e à minha frente.”
O argumentista de Adolescência, Jack Thorne, fez um discurso veemente, lembrando: “Algumas pessoas pensam que a nossa série é sobre a razão por que devemos ter medo dos jovens. Não é. É sobre a sujidade e os destroços que lhes deixámos no caminho.”
Outros galardões foram para Rhea Seehorn, pela sua notável interpretação em Pluribus, Jean Smart por Hacks, Michelle Williams por Dying for Sex, e The Studio, de Seth Rogen, que somou duas distinções.
Os Globos deste ano introduziram também uma categoria de podcasts, com nomeados escolhidos a partir da lista dos 25 mais ouvidos. Amy Poehler, antiga anfitriã dos Globos de Ouro, acabou por vencer o prémio inaugural por Good Hang with Amy Poehler.
A Semana com Euronews

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