sábado, 17 outubro 2026

Rubio: "EUA não vão governar Venezuela mas vão pressionar para mudança de política"

A declaração de Rubio parece ser uma tentativa de atenuar as preocupações de que a invasão e sequestro de Maduro, no sábado, com o objetivo de conseguir uma mudança de regime na Venezuel,a mergulhe o país noutra intervenção estrangeira prolongada ou numa tentativa falhada de reconstrução nacional.

A posição é uma aparente reviravolta em relação às observações iniciais feitas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, nas quais este insistiu que Washington iria "administrar" o país de forma interina até que uma solução democrática de longo prazo para a crise fosse encontrada.

As declarações de Trump sugeriam algum tipo de estrutura de governo sob a qual Caracas seria controlada por Washington.

Rubio ofereceu uma abordagem mais matizada, dizendo que os EUA continuariam a aplicar uma "quarentena de petróleo" que já estava em vigor em petroleiros sancionados antes de Maduro ser removido do poder e usar essa alavancagem como meio de pressionar mudanças políticas na Venezuela.

"É a esse tipo de controlo que o presidente se refere quando diz isto", afirmou Rubio numa entrevista. "Continuamos com essa quarentena e esperamos ver mudanças, não apenas na forma como a indústria petrolífera é administrada para o benefício do povo, mas também para acabar com o tráfico de drogas".

O bloqueio aos petroleiros sancionados, alguns dos quais foram apreendidos pelos EUA, "continua em vigor, e isso continuará em vigor até vermos mudanças que não apenas promovam o interesse nacional dos Estados Unidos, que é o ponto principal, mas também que levem a um futuro melhor para o povo da Venezuela", acrescentou.

Horas mais tarde, a líder interina venezuelana Delcy Rodríguez convidou Trump a "colaborar" e disse que procura "relações respeitosas", assumindo um tom mais conciliatório do que nas posições anteriores: "Convidamos o governo dos EUA a colaborar connosco numa agenda de cooperação orientada para o desenvolvimento partilhado no âmbito do direito internacional, a fim de reforçar a coexistência duradoura da comunidade", escreveu Rodríguez numa publicação online.

No início do fim de semana, a presidente interina tinha proferido discursos em que desafiava ferozmente a administração Trump e apelava a Washington para que libertasse imediatamente Maduro. Mas esta declaração em inglês na sua conta do Instagram marcou uma mudança dramática de tom.

Mesmo antes da operação que capturou Maduro e a esposa, a legalidade da campanha de pressão do governo Trump sobre o líder deposto da Venezuela, incluindo o bombardeio mortal de barcos que a Casa Branca acusa de tráfico de drogas, tinha sido posta em causa por várias vozes críticas que acusam Trump de ter ultrapassado os limites do direito internacional.

No domingo à noite, Cuba anunciou que 32 dos seus agentes de segurança foram mortos na operação norte-americana em Caracas, o que Trump reconheceu: "Sim, muitos cubanos foram mortos ontem", disse o presidente norte-americano. "Houve muitas mortes do outro lado", disse Trump a bordo do Air Force One, quando regressava a Washington vindo da sua propriedade de Mar-a-Lago, na Florida. "Nenhuma morte do nosso lado."

Não se sabe ao certo o que os cubanos estavam a fazer no país sul-americano, mas Cuba é um aliado próximo do governo da Venezuela e há anos que envia forças militares e policiais para ajudar nas operações.

 

A Semana com Euronews 

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
11 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
13 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport