domingo, 18 outubro 2026

Guiné Bissau: Mudanças no Governo de transição um dia depois da nomeação

O Presidente da República de Transição da Guiné-Bissau, Horta Inta-A, fez este domingo 30, duas alterações ao Governo que tinha nomeado, no sábado, com a substituição de dois nomes nas pastas do Turismo e do Orçamento.

Em dois decretos presidenciais, a que Lusa teve acesso, o Presidente de Transição exonera Catarina Taborda de ministra do Turismo e Artesanato e Elísio Gomes Sá de secretário de Estado do Orçamento e Assuntos Fiscais.

A publicação dos decretos surge um dia depois da nomeação do Governo de transição e de os dois visados terem informado, nas redes sociais, que não integravam o executivo, pouco tempo depois de a composição ter sido publicada.

Ao decreto de exoneração seguiu-se outro de nomeação de Augusto Fernando Cabi para ministro do Turismo e Artesanato e de Alberto João Djata para secretário de Estado do Orçamento e Assuntos Fiscais.

Depois de ser conhecida a primeira composição do Governo, no sábado, a influenciadora social e antiga secretária de Estado do Turismo e Artesanato Catarina Taborda, regularmente residente em Portugal, escreveu nas redes sociais que quer continuar a servir a Guiné-Bissau de outra forma, sem integrar o novo executivo.

"Não farei parte do Governo. Sirvo o meu país com trabalho, responsabilidade, integridade e compromisso para com as mulheres, os jovens e as crianças da Guiné-Bissau", escreveu Catarina Taborda.

Também numa nota publicada nas redes sociais e numa carta dirigida ao primeiro-ministro, Elísio Sá, que já desempenhava as mesmas funções, declinou o convite para permanecer no Governo com o argumento de que não foi consultado.

"Em circunstância alguma fui consultado e muito menos terei dado a minha aquiescência para ocupar as funções em que me é designado [no decreto]", refere Elísio Sá.

O Governo de transição na Guiné-Bissau tem 23 ministérios e cinco secretarias de Estado, com cinco militares e nomes do executivo deposto entre os nomeados. 

O até aqui comandante do batalhão dos Comandos, Mamasaliu Embaló, é o ministro do Interior e Ordem Interna; o inspetor-geral da Defesa, Steve Lassana Mansaly, ministro da Defesa Nacional; e o comissário nacional da Polícia de Ordem Pública (POP), Salvador Soares, passa a secretário de Estado da Ordem Pública. O novo secretário de Estado dos Combatentes é Carlos Mandungal, antigo comandante da Marinha de Guerra, e o diretor da medicina militar Quinhin Nantote passa a ministro da Saúde.

Do novo executivo fazem também parte nomes civis ligados ao Governo deposto pelos militares, nomeadamente Carlos Pinto Pereira, que deixa os Negócios Estrangeiros e passa para a Justiça e Direitos Humanos, e José Carlos Esteves, que continua na pasta das Obras Públicas, Habitação e Urbanismo.

Fatumata Jaú também se mantém com o pelouro da Secretaria de Estado da Cooperação Internacional, assim como o secretário do Ministério das Finanças, Mamadu Baldé.

O novo ministro dos Negócios Estrangeiros é o advogado e candidato às últimas eleições presidenciais João Bernardo Vieira, das fileiras do PAIGC. Avançou para a corrida eleitoral como independente com críticas ao partido, que decidiu apoiar outro candidato, Fernando Dias.

Um grupo de militares tomou o poder na Guiné-Bissau a 26 de novembro, destituiu o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, que deixou o país, e suspendeu a divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro.

O general Horta Inta-A foi empossado Presidente de transição pelo período de um ano e nomeou como primeiro-ministro e ministro das Finanças Ilídio Vieira Té, antigo ministro de Embaló.

As eleições, que decorreram sem registo de incidentes, realizaram-se sem participação do principal partido da oposição, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da disputa e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa.

Simões Pereira foi detido e a tomada de poder pelos militares está a ser denunciada pela oposição como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.

O golpe militar foi condenado pela comunidade internacional e a Guiné-Bissau foi suspensa da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da União Africana (UA) até que a ordem constitucional seja restabelecida. 

 

A Semana com DW África 

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Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

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jcf
12 dias atrás

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joão do rosário
14 dias atrás

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