sábado, 17 outubro 2026

Sissoco Embaló retirado para o Senegal após golpe em Bissau

 Umaro Sissoco Embaló chegou ao Senegal a bordo de um avião fretado por este país, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros senegalês em comunicado.

O Presidente senegalês, Bassirou Diomaye Faye, participou ontem (27.11) numa cimeira extraordinária da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que decorreu virtualmente para analisar a situação na Guiné-Bissau.

A CEDEAO adotou, durante a cimeira, a "firme condenação da tentativa de tomada do poder pela força, o apelo à restauração da ordem constitucional e à libertação imediata do Presidente Umaro Sissoco Embaló e de todos os detidos".

A mesma opinião têm alguns cidadãos guineenses em Portugal, que nesta quinta-feira (27.11) organizaram um protesto na capital, Lisboa.

"Repor a normalidade constitucional e a libertação incondicional de todos os presos políticos e a conclusão do processo eleitoral que estava em curso" considerou José Indi, do coletivo de estudantes, que apelou à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para que tome uma posição sobre o que classifica como "falso golpe de Estado" na Guiné-Bissau.

CPLP condena tomada do poder pela força

O bloco, entretanto, condenou o golpe e a suspensão do processo eleitoral. Em comunicado publicado na noite desta quinta-feira, a organização lamentou a detenção arbitrária e injustificada de agentes políticos e institucionais e instou ao retorno à normalidade constitucional no país.

A CPLP "acompanha com elevada preocupação os últimos acontecimentos" e expressa a sua "total solidariedade para com o povo da Guiné-Bissau neste momento de instabilidade institucional e político-social, provocada pela rutura constitucional". 

A União Europeia (UE) e governo angolano, por sua vez, também manifestam perplexidade com o golpe militar na Guiné-Bissau, insistindo que a contagem dos votos, que estava na fase final, devia continuar como planeado.

O general Horta Inta-A foi ontem empossado Presidente de transição da Guiné-Bissau, um dia depois de os militares terem tomado o poder no país, antecipando-se à divulgação dos resultados das eleições gerais de 23 de novembro. 

"O que está a acontecer é uma ditadura visível"

Em entrevista exclusiva à DW, o candidato independente às presidenciais Fernando Dias também insiste na conclusão do processo eleitoral, acusando as autoridades de tentar impedir a transição democrática. "O que está a acontecer na Guiné-Bissau é uma ditadura visível, porque entregar o poder agora aos militares significa voltar à estaca zero", criticou.

O ativista guineense Sumaila Djaló também considera a crise na Guiné-Bissau um "autogolpec" de Umaro Sissoco Embaló. "E, na sequência disso, ver se as suas correntes militares podiam retorná-lo ao poder ou então, em última instância, termos o que se concretizou: um presidente interino, uma figura que é o seu chefe de Estado-Maior particular", afirmou.

Diante destes factos, Sumaila Djaló acredita que o poder de facto ainda continua com o Presidente cessante e candidato a um segundo mandato presidencial: "Há ainda riscos de Umaro Sissoco voltar ao poder porque isto é um conjunto de encenações".

Fernando Dias garante que não se vai calar e que continuará a reclamar a sua vitória nas eleições presidenciais de domingo (23.11). Agora em parte incerta, Dias informou à DW que está em contacto com as missões diplomáticas e parceiros para tentar encontrar uma saída para a crise através do diálogo.

 

Guterres critica "violação inaceitável" 

O secretário-geral da ONU, António Guterres, denunciou a "violação inaceitável" dos princípios democráticos na Guiné-Bissau, onde os militares tomaram o poder e suspenderam as eleições, pouco antes da proclamação dos resultados.

Guterres "salienta que qualquer desrespeito pela vontade do povo que votou pacificamente nas eleições geraisde 23 de novembro constitui uma violação inaceitável dos princípios democráticos", afirmou na quinta-feira, em comunicado, o porta-voz Stéphane Dujarric.

O secretário geral das Nações Unidas apelou ainda à "restauração imediata e incondicional da ordem constitucional" na Guiné-Bissau.

 

A Semana com DW África/Lusa

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
9 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
11 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
13 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport