“Como prova de que consideramos o Brasil muito importante, decidi que o português será uma das línguas prioritárias [a serem ensinadas nas escolas]”, disse o Presidente Prabowo, num encontro com o chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio Merdeka (Liberdade), citado pela agência Antara.
O chefe de Estado indonésio disse também que já instruiu os ministros da Educação Básica e do Secundário e da Educação Superior, Ciência e Tecnologia a elaborarem o currículo e a introduzirem disciplinas e cursos de língua portuguesa nas escolas e universidades do país.
“Por ser importante, decidi que o português será uma língua prioritária no nosso sistema educativo, a par do inglês, árabe, mandarim, japonês, coreano, francês, alemão e russo. O português será uma das nossas línguas prioritárias”, reforçou o Presidente indonésio, na declaração conjunta à imprensa com Lula da Silva.
“Queremos renovar o nosso acordo estratégico e estabelecer dois acordos, não só no comércio bilateral, mas também em novos aspetos como inteligência artificial, centros de dados, tecnologia e ciência, e melhorar as relações entre as nossas universidades”, disse esta quinta-feira Lula à imprensa, antes do encontro privado com Prabowo.
O líder brasileiro chegou na quarta-feira à noite à Indonésia, onde arranca a viagem pelo Sudeste Asiático, na qual visita também a Malásia, e foi recebido com honras no Palácio Presidencial, acompanhado por uma comitiva de ministros brasileiros.
Lula, que já visitou a Indonésia em 2008 e preside este ano ao grupo de economias emergentes BRICS, destacou a relação com este país asiático, que, em janeiro, entrou como membro permanente do bloco, que inclui, entre outros, China, Rússia e Índia.
“A Indonésia é um parceiro fundamental para o fortalecimento da geopolítica do Sul Global”, ressaltou Lula.
Prabowo elogiou o político latino-americano e pediu-lhe que continue a melhorar as “boas relações” entre Brasília e Jacarta, em domínios como o investimento e a agricultura.
O comércio bilateral entre os dois países atingiu 7,15 mil milhões de dólares (6,16 mil milhões de euros) em 2024, de acordo com dados do Ministério do Comércio da Indonésia.
Na tarde de quinta-feira, Lula deve participar num fórum de empresários dos dois países, enquanto na sexta-feira visita a sede da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), para se reunir com o secretário-geral do bloco, Kao Kim Hourn, antes de partir para a Malásia.
Em Kuala Lumpur, o Presidente brasileiro vai participar na cimeira da ASEAN, no domingo, na qualidade de atual presidente dos BRICS.
À margem da cimeira, entre 25 e 26 de outubro, Lula poderá encontrar-se com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que, embora não confirmado, não foi descartado por Brasília, que sublinhou esta semana que “há espaço” na agenda disponível.
Um alto responsável do Governo dos Estados Unidos disse, na quarta-feira, que estão em curso negociações para organizar um encontro.
“O Presidente Trump expressou interesse em encontrar-se com o Presidente Lula na sequência da sua conversa amistosa” no início do mês, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas, disse à agência de notícias France-Press (AFP) um alto responsável norte-americano.
“Estão em curso discussões para viabilizar a realização de tal encontro durante a estadia do Presidente Trump na Malásia”, acrescentou.
O encontro teria lugar num contexto de tensão comercial, depois de os Estados Unidos terem imposto tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, na sequência do julgamento em que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.
A Semana com Observador/Lusa

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