segunda-feira, 19 outubro 2026

Violência paralisa Luanda no regresso de João Lourenço e consulado aconselha evitar deslocações desnecessárias

A paralisação dos táxis deixou milhares de pessoas a pé, sem meios de transporte para chegar ao trabalho ou regressar a casa e muitas continuam esta tarde retidas nos seus locais de serviço. Estas pessoas temem a insegurança das ruas.

Grupos de jovens revoltados invadiram várias zonas da cidade e periferias, bloquearam estradas com barricadas e pneus incendiados, saquearam estabelecimentos comerciais e vandalizaram viaturas, incluindo carros da polícia, forçando os agentes a recorrer a disparos para dispersar multidões, como a Lusa constatou na zona do Calemba 2.

Uma equipa da Lusa — que foi ameaçada de apedrejamento por populares — testemunhou pelo menos um corpo na via pública. Outras testemunhas garantem que há mais mortos, embora a polícia, que afirma ter a situação sob controlo, não tenha confirmado óbitos nem divulgado o número de detidos.

Várias lojas e supermercados fecharam portas por precaução, tal como algumas escolas, enquanto se aguarda um eventual regresso à normalidade. Em vídeos divulgados nas redes sociais, jovens são vistos a queimar cartazes com a imagem do Presidente da República, a carregar produtos alimentares retirados de lojas vandalizadas e a perseguir transportes que se atreveram a circular.

Uma concentração de motoqueiros na baixa de Luanda foi travada por um forte dispositivo policial e o Palácio Presidencial viu reforçada segurança, com recurso à polícia e militares.

Muitos dos postos de combustível da capital angolana ficaram cercados por agentes para evitar a fúria popular, mas a circulação faz-se sobretudo a pé, numa cidade onde muitos automobilistas evitam as ruas com receio de ataques.

Com os poucos autocarros que circulavam esta manhã a ser alvo de ataques, o transporte público acabou por ficar totalmente interrompido.  A polícia interditou várias vias onde os populares ergueram barricadas e queimaram pneus, tendo decidido encerrar o trânsito para controlar os distúrbios.

Deslocações

O Consulado-Geral de Portugal em Luanda alertou hoje para a atual situação de segurança na capital angolana, recomendando prudência e que se evitem deslocações desnecessárias, face aos tumultos que hoje ocorreram em vários pontos de Luanda.

“A atual situação de segurança em Luanda é objeto de monitorização e acompanhamento próximo por parte da representação diplomática de Portugal em Angola, em contacto com as competentes autoridades angolanas e com os parceiros da UE”, lê-se no comunicado publicado na página oficial do consulado.

 

A Semana com Diário de Notícias

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Comentários

joão do rosário
11 dias atrás

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jcf
13 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
15 dias atrás

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