domingo, 18 outubro 2026

EUA e China fecham acordo tarifário que prevê envio de terras raras e fim de restrições

Segundo Lutnick, o acordo foi assinado há dois dias e consagra os termos negociados entre Washington e Pequim ao longo deste ano, após sucessivas acusações mútuas de violação de acordos anteriores. “Vão entregar-nos terras raras e, quando o fizerem, levantaremos as nossas contramedidas”, declarou, em entrevista à Bloomberg.

A Siemens AG, uma das principais fornecedoras mundiais de ‘software’ de design de semicondutores, foi libertada pelo Departamento do Comércio dos Estados Unidos da neessidade de solicitar licenças para operar no mercado chinês, segundo revelou a empresa alemã em comunicado.

As restrições à exportação tinham sido impostas em maio, como parte de um pacote de medidas adotado pelos Estados Unidos em resposta às limitações chinesas à exportação de minerais de terras raras.

A Siemens confirmou que restabeleceu o acesso total ao seu ‘software’ e tecnologia para os clientes chineses. As outras duas principais empresas mundiais no setor do ‘software’ de automação de design eletrónico (EDA, na sigla em inglês) - Cadence Design Systems Inc. e Synopsys Inc. - não responderam ainda a pedidos de comentário sobre se receberam comunicações semelhantes, segundo a agência de notícias Bloomberg. O Departamento do Comércio dos Estados Unidos também não comentou, acrescentou a agência.

As terras raras são materiais cruciais utilizados na produção de turbinas eólicas, aviões, semicondutores e tecnologia avançada. Ao abrigo do acordo comercial alcançado na semana passada, Washington comprometeu-se a autorizar o envio para a China de ‘software’ de design de chips, etano e motores a jato, desde que Pequim cumpra a promessa de acelerar a aprovação das exportações de minerais críticos.

Um responsável da Casa Branca confirmou que os dois países concordaram com os termos necessários para aplicar o acordo de Genebra. A embaixada da China em Washington recusou comentar, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês não respondeu de imediato.

A assinatura do acordo gerou otimismo nos mercados: os índices acionistas asiáticos e os futuros europeus avançaram, e um índice global de ações atingiu novo máximo histórico.

Lutnick indicou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, pretende concluir, até 09 de julho, uma série de dez acordos comerciais com os principais parceiros dos EUA. “Vamos fechar os dez acordos principais, organizá-los por categorias, e os restantes países alinharão depois disso”, explicou.

Embora não tenha especificado quais os países envolvidos, Trump sugeriu hoje que os EUA estão perto de um entendimento com a Índia. O principal negociador japonês, Ryosei Akazawa, também tem reuniões agendadas na capital norte-americana, tendo reiterado que o Japão “não pode aceitar” tarifas de 25% sobre automóveis.

Trump já afirmou que, na ausência de acordos até 09 de julho, enviará "cartas" a cada país com os termos propostos, aplicando tarifas unilaterais - as chamadas “tarifas recíprocas”, que poderão atingir até 50%. A maioria dessas medidas foi anunciada a 02 de abril, mas suspensa por 90 dias para permitir negociações.

O alcance real dos acordos permanece incerto, dado que pactos comerciais geralmente requerem anos de negociações. Um acordo anterior com o Reino Unido, por exemplo, continua com questões pendentes, incluindo tarifas sobre metais importados.

O acordo agora alcançado com a China não aborda temas mais sensíveis, como o tráfico de fentanil ou o acesso pleno das empresas norte-americanas ao mercado chinês.

A primeira ronda de negociações, em Genebra, resultou numa redução de tarifas por ambas as partes, mas foi rapidamente seguida de acusações mútuas de incumprimento. Após novas conversações em Londres este mês, os negociadores anunciaram um entendimento, sujeito à aprovação de Trump e do Presidente chinês, Xi Jinping.

Segundo Lutnick, o levantamento das contramedidas dos EUA depende da chegada efetiva das terras raras. Esta semana, o Departamento do Comércio norte-americano já autorizou o carregamento de etano com destino à China, embora o seu desembarque continue condicionado a autorização específica.

 

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

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jcf
12 dias atrás

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joão do rosário
14 dias atrás

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