domingo, 18 outubro 2026

Estudo revela que 54% dos cabo-verdianos é “pouco ou nada tolerante” com pessoas LGBTIQ+

Estes dados constam de um estudo promovido pelo Instituto Cabo-verdiano da Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), no âmbito da implementação do Plano Nacional de Igualdade de Género (PNIG) 2021–2025, realizado entre Outubro e Dezembro de 2024, com o apoio financeiro da Cooperação Espanhola.

Intitulado “A perceção social da população sobre as pessoas LGBTIQ+ em Cabo Verde”, o estudo foi, de acordo com o ICIEG, dirigido à população geral com idade igual ou superior a 18 anos no sentido de avaliar a perceção e experiências relacionadas com os direitos e discriminação da população LGBTIQ+.

Neste sentido, avançou que foram inquiridas um total de 767 pessoas residentes em cinco ilhas e seis concelhos, nomeadamente Santiago (Praia e Santa Catarina), Santo Antão (Ribeira Grande), São Vicente, Sal e Fogo (São Filipe). 

O relatório apresentado hoje revelou que 67% da população cabo-verdiana possui um conhecimento básico sobre questões LGBTIQ+, enquanto apenas 23% demonstram uma compreensão profunda dos conceitos relacionados a género e orientação sexual.

“Concelhos urbanos como Praia e São Vicente apresentam maior conhecimento e aceitação, enquanto concelhos como São Filipe e Sal têm níveis inferiores. Isso reflete a influência do ambiente cultural e do acesso à informação”, realçou a mesma fonte. 

Destacou ainda que os grupos com maior nível de conhecimento e compreensão sobre as questões LGBTIQ+ (sexo feminino, pessoas mais jovens, residentes em áreas urbanas e com maior escolaridade) manifestam uma maior aceitação das pessoas LGBTQI +.

“54% dos inquiridos avaliam que a sociedade cabo-verdiana é pouco ou nada tolerante com pessoas LGBTIQ+, enquanto apenas 38% percebem que eles próprios têm atitudes de baixa aceitação”, referiu.

A relação entre conhecimento e aceitação indica que a educação e a informação são ferramentas cruciais para reduzir preconceitos, aumentar a aceitação da diversidade e as diferenças por fatores como idade, instrução e local de residência apontam para a necessidade de estratégias específicas.         

De acordo com o documento, a maioria dos respondentes discute raramente a temática LGBTIQ+ (42,3%) ou nunca discute (28,4%), enquanto uma menor proporção a discute “frequentemente” (8,1%) ou “alguma vez” (20,6%).

As áreas críticas de discriminação incluem escolas, locais de trabalho e serviços de saúde, apontadas por 31% dos participantes como espaços onde a discriminação é mais frequente. 

De entre os ganhos, revelou que a sociedade cabo-verdiana demonstra um aumento no conhecimento e conscientização sobre a comunidade LGBTQI+, entretanto, recomenda a   necessidade de intervenções que promovam uma transformação legal e social para enfrentar a discriminação contra esta comunidade.

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
11 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
12 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
15 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport