sábado, 17 outubro 2026

Vitória de Donald Trump não tira peso à visita de Joe Biden a Angola - analista

Osvaldo Mboco disse acreditar que o vencedor das eleições norte-americanas e próximo chefe de Estado dos EUA, Donald Trump, “não irá descontinuar aquilo que têm sido as relações entre Angola e os EUA sobre determinadas matérias”, estando consciente que poderá alterar unicamente a forma de abordagem.

“Claramente que não vai ter a mesma euforia que (...) Joe Biden levou, dizendo que Angola era o país mais importante agora para América em África, mas penso que ainda assim vamos observar que vários interesses estarão aí em cima da mesa”, disse Osvaldo Mboco à Lusa.

O especialista em relações internacionais destacou que a circunstância e o contexto em que Trump regressa ao poder não são as mesmas do que quando assumiu o cargo em 2017.

O académico argumentou que hoje as circunstâncias obrigam os norte-americanos a equacionarem melhor os seus interesses no continente africano.

“Por uma razão muito simples. O ocidente sofreu uma crispação política ao nível da região do Sahel, com os golpes de Estado e mudanças inconstitucionais, e temos estado a assistir a um aproximar cada vez mais da África do Sul aos BRIC [sigla que se refere ao Brasil, Rússia, Índia e China, países emergentes do mundo e do sul global]”, sustentou.

Segundo Osvaldo Mboco, esta mudança de paradigma “implica que os americanos devem identificar novos 'players', novos atores, a nível do continente africano para contrabalançar a presença chinesa e a russa no continente”.

“Penso que pela expressão de Angola em África, a sua posição geográfica estratégica, pela sua estabilidade política, (…) é um desses países elegíveis dentro desta estratégia americana”, frisou, realçando a presença do consórcio europeu e americano no Corredor do Lobito, para “contrabalançar ou complicar aquilo que era o projeto inicial dos chineses quanto à [nova] Rota da Seda [mega-projeto de infraestruturas global para ligar a China a outros países]”.

Também a saída dos norte-americanos do Níger, onde exploravam mineiros estratégicos para a sua indústria, levou à identificação de novos fornecedores, “e um deles é sem sombra de dúvidas a República Democrática do Congo”, acrescentou.

“E o corredor que temos mais próximo e mais barato para os EUA é a partir do Corredor do Lobito, que vai dar ao Atlântico. Observando todos estes elementos, estou em crer que o Presidente Trump não irá descontinuar" o que têm sido "as relações entre Angola e os EUA sobre determinadas matérias”, vincou.

O também docente universitário enfatizou que Joe Biden é Presidente dos EUA até janeiro, por isso a sua visita “não deixa de ter peso”.

“Claramente que, do ponto de vista de garantias, do ponto de vista de assumir determinados compromissos, há aqui também uma certa cautela - que o próximo pode, até certo ponto, descontinuar -, mas penso que os acordos que vão ser firmados são do interesse americano, (...) e dificilmente vamos assistir à descontinuidade, ainda há este peso e há esta relevância”, observou.

A Semana com Lusa

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
11 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
14 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport